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domingo, 15 de novembro de 2020

"SÓ SENTI PRESSÕES PARA O BENFICA NÃO TENHO CONHECIMENTO DE OUTRAS"

 


Augusto Baganha, ex-presidente do IPDJ, reitera a O JOGO que o Governo terá intercedido a favor das águias.

Augusto Baganha, ex-presidente do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), concedeu uma curta entrevista a O JOGO, admitindo que terá sofrido "pressões" por parte do Governo para que o Benfica não fosse penalizado em algumas circunstâncias. O DIAP de Lisboa terá aberto um inquérito na sequência de uma denúncia que chegou à Procuradoria-Geral da República, no qual Baganha foi testemunha pelas notas que terá tirado durante reuniões com o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues. "Há algum tempo referi isso e volto a confirmar essas pressões - sem querer dar casos concretos, pois a questão é do foro da Justiça. Não quero pronunciar-me, mas posso adiantar que houve pressões mais públicas e outras mais privadas", revela, deixando a garantia de que a tentativa de interceder no desporto só aconteceu para os encarnados: "Pressões só para o Benfica, nunca para outros clubes. Não tenho conhecimento de outras."

A interdição do Estádio da Luz, em julho de 2017, durante alguns dias, mas que o Benfica evitou com a correção do regulamento de segurança, é um dos momentos que terá motivado tais situações, processo explicado pelo antigo líder do IPDJ. "O Benfica tem o seu regulamento acordado, mas na altura, de certo modo, exerceu um contencioso com o regulamento, que não estava de acordo com a lei. Dissemos que não e chegámos a interditar o campo. Tanto era ilegal que o Benfica foi obrigado a corrigir", recorda, sem confirmar que essa interdição tenha motivado palavras de Tiago Brandão Rodrigues a favor das águias. "O Benfica está acima da lei. Nós não podemos tratar todos os clubes de igual modo. O Benfica tem mais adeptos do que a população de alguns países", terá dito, segundo publicou o "Correio da Manhã", descrevendo uma reunião no verão de 2017 entre o ministro, o secretário de Estado do Desporto e Juventude, João Paulo Rebelo, e o IPDJ. Baganha não quer entrar em considerações que estão entregues à Justiça.

Fonte próxima do ministério da Educação diz a O JOGO que as frases publicadas não têm fundo de verdade, rejeitando qualquer tipo de interferência a favor do Benfica. "Atendendo a que nada nem ninguém está acima da lei e que os clubes têm de cumprir com as determinações legais que lhes forem atribuídas, as referidas afirmações são desprovidas de sentido, pelo que a denúncia também não tem qualquer sentido ou fundamento. O ministro e o secretário de Estado colaborarão sempre com as autoridades e instâncias superiores, não havendo conhecimento de qualquer processo em curso. Aliás, é bem patente o que a tutela demonstrou com a sua ação, no sentido do sólido cumprimento da lei, nomeadamente a chamada lei da violência no desporto, que foi alterada, garantindo melhor eficácia, maior celeridade processual e maior responsabilização dos agentes no seu cumprimento", foi expresso em nota disponibilizada pela assessoria do ministro, reforçando-se que a criação da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto "demonstra total isenção na aplicação da lei".

O ministério lamenta os "anos de mediatismo" à volta do caso, desde que mudou a equipa do IPDJ, entrando Vítor Pataco para a sua liderança, em setembro de 2018. Baganha desmente que tenha havido acordo para a sua saída: "Há um despacho a exonerar-me a mim e à Lídia Praça, que é incoerente e pouco fundamentado. Houve um concurso público e queria levar o mandato até ao fim. Não coloquei o lugar à disposição. Não houve acordo."



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