google.com, pub-4886806822608283, DIRECT, f08c47fec0942fa0

tradutor com bandeiras. Google Translate

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

MORREU O FADISTA CARLOS DO CARMO


O fadista morreu na madrugada desta sexta-feira, aos 81 anos, no hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde tinha dado entrada ontem com um aneurisma.

Carlos do Carmo Ă© um dos mais reconhecidos, premiados e aclamados fadistas de sempre. A “EnciclopĂ©dia da MĂșsica em Portugal no SĂ©culo XX”, descreve-o como uma “figura marcante no estabelecimento de mudanças na tradição fadista", sendo uma das “suas maiores referĂȘncias, com reconhecimento nacional e internacional”.

Nascido em Lisboa, em 21 de dezembro de 1939, Carlos do Carmo despediu-se dos palcos em 2019.

Filho da fadista LucĂ­lia do Carmo (1919-1998), “uma das vozes mais marcantes” do fado no sĂ©culo XX, segundo a mesma fonte, Carlos do Carmo cresceu num ambiente fadista. Desde 1947 que sua mĂŁe era proprietĂĄria da casa de fados Adega da LucĂ­lia, no Bairro Alto, em Lisboa, atual Arcadas do Faia, que passou a ser gerida por Carlos do Carmo em 1962.

Este não era o plano traçado para si pelos pais que, em 1956, o enviaram para a Suíça para estudar línguas e gestão hoteleira.

A vocação musical despertou porĂ©m em 1963, quando gravou um fado da sua mĂŁe, “Loucura”, num disco do Quarteto de MĂĄrio SimĂ”es.

Carlos do Carmo revelou, ao longo da carreira, “uma voz lĂ­mpida e uma dicção clara cuidadosamente ajustada ao sentido dos poemas”, segundo a EnciclopĂ©dia dirigida pela etnomusicĂłloga Salwa Castel-Branco, onde se lĂȘ ainda que as alteraçÔes que fez no fado foram influenciadas pelos seus gostos musicais que incluem referĂȘncias da bossa nova, de Frank Sinatra e Jacques Brel, de quem gravou “La valse a mille temps”.Depois do 25 de Abril, tornou-se “o representante mĂĄximo do fado novo”, segundo a mesma fonte.

O artigo que lhe Ă© dedicado na EnciclopĂ©dia recorda que em 1976 a RTP o convidou a interpretar todas as cançÔes concorrentes ao Festival da Canção, “Uma canção para Europa”, o que “confirmou a sua posição de destaque no panorama musical portuguĂȘs”.

Carlos do Carmo representou Portugal no 21.Âș Festival da EurovisĂŁo, realizado em Haia, com “Uma Flor de Verde Pinho”, tendo-se classificado em 18.Âș lugar.

No ano seguinte saiu o seu ĂĄlbum “Um Homem na Cidade”, totalmente constituĂ­do por poemas de JosĂ© Carlos Ary dos Santos (1937-1984), musicados por JosĂ© LuĂ­s Tinoco, Paulo de Carvalho, Martinho d’Assunção, AntĂłnio Victorino d’Almeida e Fernando Tordo.

Este ĂĄlbum “apontou diferentes tendĂȘncias que vieram a verificar-se como agentes da mudança da tradição musical do fado”, assinala a EnciclopĂ©dia, que realça “algumas inovaçÔes musicais notĂĄveis”, mantendo a estrutura harmĂłnica tonal. Esta obra refere “a produção de elevada qualidade tĂ©cnica” de Carlos do Carmo, patente nos seus trabalhos.

Carlos do Carmo tem gravado com regularidade desde 1980, quando saiu um ålbum homónimo. A sua discografia inclui temas como "Por Morrer uma Andorinha", "Bairro Alto", "Canoas do Tejo", "Os Putos", "Lisboa Menina e Moça", "Estrela da Tarde", "Pontas soltas", "O homem das castanhas" e "Um homem na cidade", entre outras cançÔes.

Um embaixador do fado

Cantou no Olympia e no Auditório Nacional, em Paris, no Le Carré, em Amesterdão, no Place des Arts, em Montreal, no Canadå, nas óperas de Frankfurt e de Wiesbaden, na Alemanha, no 'Canecão', no Rio de Janeiro, e no Memorial da América Latina, em S. Paulo, no Brasil, no Royal Albert Hall, em Londres, entre muitas outras salas.

Despediu-se dos palcos a 9 de novembro de 2019, com um Ășltimo concerto no Coliseu de Lisboa. Nele recebeu a chave da cidade de Lisboa, uma honra dada habitualmente aos chefes de Estado que visitam Portugal.

Sublinhando que a saĂ­da “Ă© sĂł de cena, dos palcos”, Carlos do Carmo, em entrevista Ă  agĂȘncia Lusa, afirmou que a decisĂŁo “nĂŁo foi difĂ­cil” de tomar, “foi pensada” e "este era o momento”.

“Tomei-a no ano passado. SĂŁo 57 anos a cantar, quase no mundo inteiro. SĂŁo poucos os paĂ­ses onde nĂŁo cantei. Foi muita viagem, [foram] muitos hotĂ©is, muitos palcos, Ă© muita coisa e Ă© uma altura boa de acalmar. E como gosto muito de ouvir cantar bem, ainda me vou desforrar a ouvir quem canta bem”, disse o fadista Ă  Lusa.

“Quem fizer uma carreira como eu fiz -- e hĂĄ gente da nova geração, felizmente, que a estĂĄ a fazer --, com ar paternalista, recomendo: 'cuidado com a tua saĂșde, vai, faz, tens todo o direito, quanto hĂĄ vento Ă© que se molha a vela, mas muito cuidado com a tua saĂșde, estas coisas da saĂșde nĂŁo avisam e quando tu estiveres mal Ă© que vais ver que o esforço Ă© inglĂłrio'”, disse.

Com um percurso de mais de 50 anos, Carlos do Carmo foi reconhecido, em 2014, com um Grammy Latino de carreira, o que lhe valeu igualmente o PrĂ©mio Personalidade do Ano – Martha de la Cal, da Associação Imprensa Estrangeira em Portugal.

Em 2015, recebeu a "Grande MĂ©daille de Vermeil" da cidade de Paris, "a mais alta distinção" da capital francesa, e, um ano depois, foi-lhe atribuĂ­do o tĂ­tulo de Grande-Oficial da Ordem do MĂ©rito, da PresidĂȘncia da RepĂșblica.

Em 2013, quando celebrou 50 anos de carreira, editou o ĂĄlbum “Fado Ă© amor”, que gravou em duo com vĂĄrios fadistas, entre os quais Ricardo Ribeiro, CamanĂ©, Mariza, Raquel Tavares e Marco Rodrigues.

Sem comentĂĄrios:

UNIÃO EUROPEIA PEDE À RÚSSIA QUE LIBERTE "IMEDIATAMENTE" NAVALNY

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, considerou este domingo "inaceitåvel" a detenção do opositor russo Alexei Navaln...