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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

REAL MADRID ACEITOU FINANCIAMENTO DE 200 MILHÕES A PARTIR DAS ILHAS CAIMÃO SABENDO QUE ARRISCAVA FRAUDE FISCAL


O clube espanhol avançou com um negócio com o fundo norte-americano Providence sabendo que arriscava que uma inspeção tributária classificasse a estrutura de financiamento como fraude fiscal, conta o jornal Infolibre, nas mais recentes revelações do Football Leaks.

São novas revelações do Football Leaks. O Real Madrid aceitou em 2016 avançar com um contrato de financiamento para receber 200 milhões de euros do fundo Providence, mesmo sabendo que as verbas, a receber através do Luxemburgo, partiriam de duas sociedades offshore nas Ilhas Caimão, e admitindo que isso poderia ser questionado pelas autoridades por suspeitas de fraude fiscal.

notícia é avançada pelo jornal digital espanhol Infolibre, que é parceiro do Expresso no consórcio EIC - European Investigative Collaborations, e que revela como foi feito o acordo entre o Real Madrid e a Providence, e como os responsáveis do clube espanhol estavam cientes de que o negócio podia ser problemático do ponto de vista fiscal.

O fundo Providence Equity Partners, com sede em Rhode Island, tem vários negócios em Espanha (incluindo a Masmóvil e a Yoigo), e firmou um acordo com o Real Madrid em 23 de dezembro de 2016 que previa injetar no clube um total de 500 milhões de euros durante 10 anos, em várias fases, revelam os documentos de Football Leaks, que a "Der Spiegel" partilhou com os seus parceiros no consórcio EIC.

Mas o acordo só seria materializado quase um ano depois, em novembro de 2017, com um investimento de 200 milhões de euros a efetuar até 2021, ligado às receitas publicitárias do Real Madrid.

A parceria seria assinada com uma sociedade instrumental no Luxemburgo, a PQ VII, constituída em 18 de janeiro de 2017 com um capital social de apenas 20 mil euros e tendo como beneficiários últimos duas empresas das Ilhas Caimão, a Providence Equity Partners VII-A LP e a Providence VII Global Holdings LP.

Como conta o Infolibre, os responsáveis do Real Madrid estavam cientes dos riscos reputacionais e fiscais da forma como a operação estava a ser desenhada e chegaram a propor internamente que o financiamento viesse de uma entidade com número fiscal espanhol, o que não aconteceu.

Um diretor financeiro do Real Madrid admitiu mesmo que seriam "muito elevadas" as probabilidades de que uma inspeção tributária classificasse como "fraude" a estrutura do negócio da Providence.


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