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sábado, 1 de maio de 2021

AMAZÓNIA BRASILEIRA JÁ EMITE MAIS CARBONO DO QUE ABSORVE


Vítima das alterações climáticas, degradação e desflorestação, a floresta amazónica brasileira emitiu, na última década, mais carbono do que absorveu, numa inversão inédita - aponta um estudo publicado esta semana.

Sem as florestas, que são como o "pulmão" do planeta ao absorverem entre 25% e 30% dos gases de efeito estufa emitidos pelo ser humano, o aquecimento global seria muito maior.
Há vários anos, porém, que os cientistas temem que esse papel seja cada vez menor, devido à sua erosão, especialmente no caso da Amazónia, que representa metade das florestas tropicais do mundo.

O estudo publicado na quinta-feira na revista Nature Climate Change analisou a região brasileira, que representa mais da metade do total da Amazónia (que se estende ainda por Peru, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Guyana, Suriname Guyana Francesa e Equador).

Entre 2010 e 2019, as perdas de carbono foram 18% superiores aos ganhos, segundo os autores do estudo, entre eles o Instituto Nacional de Pesquisa para a Agricultura, Alimentação e o Meio Ambiente de França (INRAE).

"É a primeira vez que vejo números que mostram uma inversão e que a Amazónia brasileira é emissora" de carbono, disse à AFP Jean-Pierre Wigneron, pesquisador do INRAE. Neste momento, "os outros países compensam" essas perdas e, portanto, "o conjunto da Amazónia ainda não sofreu essa mudança, mas poderia sofrer em breve", acrescentou Wigneron, que acredita que as florestas tropicais são a "última salvação" do planeta.

O estudo destaca também como as degradações das florestas contribuem, em grande parte, para intensificar este fenómeno. Ao contrário do desmatamento, que faz a floresta desaparecer, as degradações incluem tudo o que pode deteriorar a floresta sem destruí-la totalmente, como as árvores frágeis na fronteira em áreas desmatadas, pequenos incêndios, mortalidade de árvores devido à seca, entre outros.

Para quantificar este problema, os autores do estudo usaram um índice de vegetação obtido mediante observações por satélite que permitem sondar o conjunto da vegetação, e não somente os estratos superiores da floresta. Eles concluíram que as degradações da floresta contribuíram em 73% para as perdas de carbono, contra 27% no caso da desflorestação, que, no entanto, é muito alta na Amazónia brasileira.

"Prioridade política"

"Isso mostra que a degradação da floresta se transformou no principal motor da perda de carbono e isso deveria ser uma prioridade política", afirma o estudo, que cita o impacto da "mudança de política" observada no governo Bolsonaro, acusado de ter enfraquecido a proteção à Amazónia.

"Todos sabemos o impacto da desflorestação da Amazónia na mudança climática. Mas o nosso estudo mostra que as emissões associadas às degradações das florestas podem ser ainda maiores", disse em comunicado outro autor do estudo, Steph Sitch, da Universidade britânica de Exeter.

"A degradação é uma ameaça generalizada para o futuro da integridade das florestas e exige uma atenção urgente por parte da investigação", defendeu.

O estudo mostra também a aceleração da desflorestação na Amazónia brasileira em 2019, ano da chegada de Bolsonaro ao poder e também de uma forte seca: 3,9 milhões de hectares foram perdidos, ou seja, 30% a mais do que em 2015, e quase quatro vezes mais do que em 2017 e 2018.

O estudo vai até 2019 e os autores pedem para continuar a pesquisa para determinar o efeito das secas e das políticas do governo brasileiro, que "favorece a expansão da agropecuária em detrimento da conservação da floresta".

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