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quarta-feira, 7 de julho de 2021

ISLÂNDIA TESTOU SEMANA DE TRABALHO COM QUATRO DIAS E FOI "UM SUCESSO"


Na Islândia, semanas de trabalho só com quatro dias trouxeram benefícios para a saúde mental dos trabalhadores e provocaram o aumento da produtividade das empresas.

"Um sucesso gigante" é assim que investigadores islandeses descrevem os resultados das semanas de trabalho de quatro dias, colocadas em prática no âmbito de um teste-piloto realizado no país entre 2015 e 2019, que reduziu o número de horas para muitos trabalhadores a maioria passou de 40 horas semanais para 35 ou 36.

Durante esse período, a Câmara Municipal de Reiquejavique e o governo islandês juntaram-se aos sindicatos de trabalhadores para testarem semanas de trabalho com menos um dia. De acordo com as conclusões do estudo, reveladas na segunda-feira, a experiência foi boa tanto para funcionários como para gestores e patrões: as pessoas que trabalharam menos horas passaram a sentir-se mais felizes, mas também tanto ou, em alguns casos, mais produtivas.

O estudo abrangeu 2500 trabalhadores (o equivalente a 1% da população) de áreas distintas da função pública, como escritórios, hospitais, jardins de infância e serviços sociais. Quem trabalhava das 9 às 17 horas de segunda a sexta-feira passou a ter apenas quatro dias de trabalho e os trabalhadores por turnos trabalharam menos horas semanalmente. Os salários mantiveram-se os mesmos.

"Os resultados são imensamente positivos. Trabalhadores de diferentes áreas do setor público estão incrivelmente felizes com o novo balanço entre a vida pessoal e o trabalho, passando mais tempo com a família e fazendo mais atividades extracurriculares como andar de bicicleta, ter novos passatempos e por aí adiante", descreveu à BBC o investigador Will Stronge, co-diretor do laboratório de ideias britânico "Autonomy", que, a par da Associação Para Uma Democracia Sustentável da Islândia, analisou os dados do ensaio.

Dessa análise resultou um relatório conjunto, lançado em junho, que salienta que os empregados que participaram na experiência mostraram "um maior bem-estar, melhoraram a relação vida-trabalho e apresentavam um maior espírito de cooperação no trabalho tudo isto enquanto mantinham os padrões existentes de desempenho e produtividade."

A maior produtividade explica-se, diz o investigador, com o facto de os trabalhadores terem estado menos suscetíveis a problemas de saúde relacionados com o trabalho, como stress, esgotamentos, ansiedade e depressão. Na sequência deste teste-piloto, que reforça a ideia de que semanas de trabalho mais curtas trazem mais benefícios que prejuízos, vários sindicatos começaram já a pedir menos horas de trabalho.

Outros casos

Estudos semelhantes já foram e estão atualmente a ser feitos também noutros países, incluindo em Espanha, onde está a ser planeado um teste-piloto semelhante ao islandês.

No Japão, por exemplo, a Microsoft testou semanas de trabalho de quatro dias em 2019, resultando num aumento de 40% na produtividade. Um ano ano antes, uma empresa da Nova Zelândia (a Unilever) tinha contado com um aumento de 20% numa ação do género. E, na cidade sueca de Gotemburgo, a Câmara levou a cabo, num lar de idosos, entre 2015 e 2016, um ensaio com seis horas de trabalho por dia, que originou "mais atividades para os idosos e menos baixas por doença" do lado dos trabalhadores, embora o projeto também tenha sido criticado, uma vez que obrigou à contratação de mais 17 enfermeiros e teve um custo de praticamente 1 milhão de euros.

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