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sexta-feira, 9 de julho de 2021

REFORMADO PAGA 30 MIL EUROS DE CAUÇÃO POR EMPRESTAR DINHEIRO A JUROS DE 300%


Sexagenário da Trofa anunciava empréstimos em pequenos jornais locais, aos quais recorriam pessoas com dificuldades financeiras. Vítimas eram ameaçadas com penhoras.

Reformado, um homem, de 69 anos e residente na Trofa, engendrou um esquema para arrecadar, pelo menos, meio milhão de euros. O esquema assentava em anúncios de empréstimos de dinheiro, publicados em pequenos jornais de todo o país, e passava pela cobrança de altas taxas de juros, nalguns casos de 300%, a pessoas com problemas de liquidez e com dificuldade de aceder a crédito bancário. Tudo terminava com as vítimas a serem ameaçadas para pagar as quantias em dívida ou para darem como penhora os seus carros. Mesmo quando o montante em débito era bastante inferior ao valor da viatura. O sexagenário foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) e tem de pagar uma caução de 30 mil euros para ser libertado. Também foram efetuadas buscas num escritório de um agente de execução e num banco.
O estratagema foi descoberto com uma denúncia feita ao Banco de Portugal, que chegou a efetuar um alerta sobre o caso no seu site e encaminhou a queixa para o Ministério Público. A investigação que se seguiu da PJ, através da Diretoria do Norte, permitiu concluir que o reformado publicava anúncios em pequenos jornais locais, de pequena tiragem, a anunciar a concessão de empréstimos. "Há registos de publicações no interior norte, interior centro, Alentejo e Algarve, sendo a maior parte das vítimas residentes nessas regiões", refere a PJ.

Vítimas ameaçadas

A estes anúncios respondiam, normalmente, "pessoas que necessitavam de liquidez" e que não tinham "possibilidade de recorrer ao crédito "convencional". Algumas pediram empréstimos de 2000 euros, outras de 5000, sendo que o mais elevado foi de 15000 euros. Também a taxa de juros variava, quase sempre, em função do montante emprestado. Ou seja, quanto maior o crédito concedido, maior era a taxa de juro, sendo certo que estas eram sempre elevadas e algumas chegaram a 300%.
"As vítimas estão praticamente todas identificadas e não terão qualquer intenção de colaborar com a justiça", avança a PJ, que refere, ainda, que "há evidências de ameaças e de coações" a quem pedia o dinheiro. "Era frequente a ameaça de penhora de viaturas ou de imóveis pelo valor total do empréstimo, quando apenas estava em causa uma pequena parte da dívida ou até o mutuário já ter pago a totalidade da dívida. A generalidade das vítimas são pessoas de baixa instrução e condição económica", explica a PJ.
Para garantir a 'colaboração' das vítimas, o sexagenário obrigava-as a assinar papéis a dar como garantia diversos bens e, por esse motivo, está também indiciado por falsificação de documentos.
No âmbito da investigação agora concluída, a PJ deteve o reformado e efetuou cinco buscas, duas das quais a "um escritório de um agente de execução e outra a uma agência bancária". Durante as buscas, foram apreendidos 80 mil euros.
Após ser interrogado, nesta sexta-feira, pelo juiz de instrução criminal, o burlão teve de pagar uma caução de 30 mil euros para ser libertado e ficou obrigado a apresentar-se três vezes por semana no posto da polícia.

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