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terça-feira, 12 de outubro de 2021

BOLSONARO IRRITA-SE COM PERGUNTA SOBRE MORTOS POR COVID NO BRASIL


O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que está a passar uns dias de férias numa praia, irritou-se quando uma mulher o questionou sobre as mais de 600 mil mortes que a covid-19 já causou no país.

"Em que país não morreu gente?", perguntou Bolsonaro três vezes, que, diante da falta de resposta da mulher, acrescentou visivelmente chateado: "Olha, eu não vim aqui para aborrecer-me".

O Brasil ultrapassou a barreira de 600 mil mortes devido à covid-19 na última sexta-feira e até agora o chefe de Estado ainda não se tinha pronunciado sobre essa marca trágica, que até então apenas havia sido ultrapassada pelos Estados Unidos.

Antes de ser questionado pela mulher, em conversa com alguns apoiantes na praia do Guarujá, em São Paulo, Bolsonaro garantiu que o país "está saindo dessa crise de saúde", considerando que a pandemia "praticamente acabou", tendo em conta a redução acentuada do número de mortes e infeções que foi registada nos últimos meses.

Essa queda vertical nas estatísticas tem sido atribuída, sobretudo, ao avanço da vacinação, que atualmente chega a 47% dos 213 milhões de brasileiros com o esquema vacinal completo, enquanto pouco mais de 70% tem apenas a primeira dose.

"Chamam-me de negacionista e demos 20 mil milhões de reais (cerca de 3,13 mil milhões de euros) para comprar vacinas", acrescentou o líder da extrema-direita brasileira, que desde o início da pandemia sempre minimizou a gravidade da mesma e passou a questionar a eficácia dos imunizantes.

Bolsonaro voltou a criticar a "política do fique em casa, a economia vem depois", em alusão aos confinamentos e a outras medidas que restringiram a mobilidade nos piores momentos da crise da saúde e que foram adotadas por governadores e autarcas.

"Agora temos a inflação e todos pagamos a conta", disse o presidente, que considera que a perda de poder de compra dos brasileiros e o aumento de preços registados este ano, já próximos de 9%, são consequência dessas medidas restritivas.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo ao totalizar 601.011 óbitos e mais de 21,5 milhões de infeções pelo novo coronavírus.

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