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sexta-feira, 17 de junho de 2022

FEBRE DO CARACOL JÁ INFETOU 56 MILHÕES E PODE SER FATAL


A febre do caracol está a ensombrar África, tendo já afetado cerca de 56 milhões de mulheres e meninas, estima a Organização Mundial de Saúde (OMS). A doença, tecnicamente conhecida como esquistossomose genital feminina (FGS, sigla em inglês), é causada por um parasita que sai do caracol enquanto está dentro de água, instala-se no corpo das pessoas do sexo feminino e produz ovos que atacam o colo do útero e podem ser fatais, informou o "The Telegraph".

Como informa o jornal britânico, é nas águas no rio Kafue, na Zâmbia, no sul de África, que o inimigo invisível ataca. Depois dos parasitas saírem dos caracóis, começam uma caminhada pela procura de um hospedeiro onde se possam instalar. Quando se enterram na pele humana, viajam na corrente sanguínea até conseguirem introduzir ovos no colo do útero, acabando por bloquear as trompas de falópio, o que pode levar à infertilidade ou gravidez ectópica.

Nos casos mais extremos, a doença pode mesmo levar à morte, uma vez que provoca lesões que aumentam em quatro vezes o risco de contrair o HIV, sendo que as vítimas podem ainda desenvolver cancro de colo de útero e bexiga.

Apesar de ser mais regular em mulheres, a febre do caracol também afeta homens e causa cerca de 280 mil mortes por ano em todo o Mundo. Numa altura em que ainda não há nenhuma vacina contra a doença, já é possível tratar a esquistossomose genital feminina e evitar implicações graves. Em algumas regiões da Zâmbia, muitas adolescentes recebem um tratamento preventivo anual de praziquantel, que se trata de uma forma de quimioterapia que mata os vermes, seguindo assim as recomendações da OMS.

Kasika Mkwakti, enfermeira em Maramba, uma região da Zâmbia muito afetada pela febre do caracol, admitiu que a equipa com a qual trabalha nunca tinha ouvido falar da doença antes de 2020, como tal, só agora é que os profissionais de saúde começaram a fazer testes de modo a tentar detetar a doença o mais rápido possível. "No mês passado, examinamos 48 mulheres e uma já tinha cancro do colo do útero", contou Mkwakti ao "The Telegraph".

Erradicação é possível

O diagnóstico da doença numa fase inicial é fulcral para que o tratamento possa ser mais eficaz, mas a maioria das pessoas não percebe que está doente, tendo em conta que os sintomas podem demorar vários anos para se desenvolverem. Quando aparecem, os pacientes acabam por deparar-se com inchaços nas zonas do corpo onde os vermes se instalam, febre, diarreia, sangue na urina, dores genitais e musculares.

De acordo com a WaterAid, uma ONG com sede na Zâmbia, 6,4 milhões de pessoas um terço da população total do país, que é de 18 milhões não têm acesso a água potável, e mais de 2 mil crianças menores de cinco anos morrem todos os anos como resultado. Esta situação faz com que as pessoas procurem água para consumo no rio, aumentando o risco de contrair doenças como a febre do caracol ou cólera.

No entanto, há esperança para a erradicação da esquistossomose genital feminina. O Japão e a Tunísia são dois países que o conseguiram fazer com sucesso, sendo que o Brasil, Marrocos, Egito e ilhas das Caraíbas também estão a dar largos passos neste sentido. Segundo os especialistas em saúde pública, o segredo para travar a disseminação da doença é investir no controlo dos caracóis, melhorar o acesso a água potável e continuar a fornecer quimioterapia preventiva para crianças em idade escolar.

Para já, um dos principais obstáculos ao tratamento na Zâmbia tem sido a falta de conhecimento da população sobre a febre do caracol, que muita das vezes confunde a FGS com uma doença sexualmente transmissível.

1 comentário:

- R y k @ r d o - disse...

Ups ... só cá faltava a febre do caracol...Logo eu que adoro caracóis...
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Bom fim de semana.
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Pensamentos e Devaneios Poéticos
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