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terça-feira, 12 de julho de 2022

VAGA DE CALOR: QUAIS OS IMPACTOS NA SAÚDE E CUIDADOS A TER


O presidente do Colégio da Especialidade de Saúde Pública da Ordem dos Médicos, Luís Cadinha, explica ao JN quais os cuidados a ter nesta vaga de calor e como identificar uma possível desidratação, concretamente em crianças e idosos, os grupos mais vulneráveis.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera ativou, para quarta-feira, o aviso vermelho para 16 distritos devido à previsão de valores extremamente elevados de temperatura máxima. Qual o impacto do calor na saúde humana?

Quando temos esta situação de calor intenso e estes alertas surgem quando temos temperaturas aumentadas face ao valor normal para a época que estamos a viver, tendo que estar previsto que se mantenham assim três dias ou mais o perigo maior é quando a temperatura mínima está mais elevada. Porque a máxima sobe e desce ao longo do dia e as pessoas não estão expostas à temperatura máxima durante tanto tempo. A temperatura mínima é que é constante. Podemos ter um dia com temperatura muito alta mas que desce à noite, ou um dia em que a temperatura não é particularmente alta mas como a mínima não desce dos 28.ºC já chega para se tornar preocupante porque as pessoas não têm recuperação do sistema.

Em que sentido?

O principal efeito do calor é provocar transpiração, num mecanismo de regulação normal do corpo para tentar gerir a temperatura, na casa dos 37 graus. Mas se a temperatura interna chega aos 39 graus, os mecanismos de defesa do próprio corpo fazem com que deixe de funcionar normalmente. O corpo transpira, o suor evapora e refresca a pele retirando calor do corpo. Há duas formas do calor poder provocar dados no corpo. A primeira, não permitindo que o corpo liberte o calor todo quando a humidade está muito alta, acima de 90%. Nesta situação, o suor não evapora porque o ar não tem capacidade de absorver a humidade, logo o calor não é libertado. A outra forma, em que a humidade não é particularmente elevada como a que se vive agora, entre os 30% e 40%, mas transpira durante todo o dia, perdendo líquidos e eletrólitos e desidratando.

Com riscos acrescidos para as populações mais vulneráveis, nomeadamente idosos e crianças.

Um adulto saudável consegue perceber quando precisa de se hidratar e o corpo dá-lhe tempo suficiente enquanto se hidrata. Mas, nas crianças, como o corpo é mais pequeno estes desequilíbrios têm uma janela de tempo muito menor para permitir uma resposta, sendo que precisam de recuperar mais depressa. Daí se recomendar, particularmente em relação às crianças, porque quanto mais novas maior o risco, uma maior atenção, porque como o corpo é pequenino não precisam de perder tanta água para se sentir os efeitos da desidratação.

E nos idosos?

É uma situação diferente, em que os mecanismos de identificação de desidratação não funcionam tão bem, porque perdem essa capacidade. Já sem ser em situações extremas é normal desidratarem porque não se apercebem, não sentem sede. Agora numa situação de calor, em que se transpira mais e se perde mais água, a probabilidade de desidratar é maior sem se aperceberem. Os idosos são menos sensíveis a estas variações, seja por degeneração neurológica, pela idade, muitas vezes têm outras doenças e quando desidratam um bocadinho descompensam mais depressa.

Quais os cuidados a ter nestas situações?

É preciso estar sempre atento. Ir dando água ao longo do dia, mas não muita água num só momento, para que se reponha a perda de água. Espaços interiores ventilados (se possível com ar condicionado), usar roupas largas e de preferência de algodão. O exercício físico, se indispensável, deve ser feito nas horas mais frescas, antes das 11 horas e depois das 17 horas, de preferência em locais onde se possam refrescar, evitando a exposição direta ao sol.

A que sinais devemos estar atentos?

O corpo dá sinal, mas quando dá normalmente é um bocado tarde. Mas quando se sente que alguém sofre de desidratação as pessoas não estão tão responsivas como é habitual, mais lentas, com um discurso que pode não ser tão coerente. Outro sinal que se pode verificar é a pessoa urinar menos frequentemente, ou apresentar uma urina mais escura ou com cheiro mais intenso. Por vezes, também, cãibras no corpo, o corpo mais mole e dores de cabeça. Depois há outras situações que não são devidas ao calor mas que podem potenciar desidratação, nomeadamente pessoas nauseadas ou com diarreia, que perdem mais líquidos. Depois, o calor pode fazer com que a comida se deteriore mais depressa e provoque gastroenterites que vão complicar o efeito do calor nas pessoas.

Relativamente aos bebés, quais os sinais de uma possível desidratação?

Além de urinarem menos ou de a urina ter um aspeto diferente, os bebés ficam mais irrequietos, sendo mais difícil acalmá-los. Relativamente a crianças ou idosos acamados, convém não os tapar com muita roupa, no máximo um lençol, porque não têm capacidade de ajustar ou afastar a roupa.

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