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sábado, 20 de novembro de 2021

BOLSONARO FOI CRITICADO NO AEROPORTO DE LISBOA POR UM "IDIOTA"


O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, disse na sexta-feira que foi abordado no aeroporto de Lisboa, onde fez uma curta escala após viajar pelo Golfo Pérsico, por um "idiota" que "falava francês", que o criticou pelos incêndios na Amazónia.

"Fui muito bem tratado em todos os lugares que fui, tive apenas um pequeno bate-boca, não vou falar tudo aqui porque sou um 'cara' (pessoa) educado. Fizemos escala em Lisboa e fomos no 'free shop'. Não comprei nada, porque para mim está caro, mas de repente chega um 'cara' e eu não tenho nada contra, baixinho, barrigudo, cabeludo e barbudo, parecia um anãozinho", começou por relatar Bolsonaro na sua tradicional transmissão em vídeo na rede social Facebook.

"Ele começou a falar em francês e pedi para traduzirem: 'o cara está falando para você parar de atear fogo na Amazónia'. A resposta que eu dei para ele, não posso dar para vocês, mas pedi para traduzirem para aquele picareta (sem-vergonha) que eu quero é saber das florestas da França, da energia da França. Quero saber sobre a reflorestação na França. Porque é que esse idiota veio falar isso com a gente? porque fica lendo notícias mentirosas que vêm do Brasil", disse o chefe de Estado.

Bolsonaro fez escala em Lisboa ao regressar de uma viagem por países do Golfo Pérsico, onde causou polémica ao afirmar a investidores árabes que a Amazónia não arde porque é uma "floresta tropical" e convidou-os a visitá-la, considerando injustos os ataques que o Brasil sofre.

Nas redes sociais nesta sexta-feira, Bolsonaro insistiu que as notícias sobre a desflorestação da Amazónia são falsas.

"Vi essa matéria aqui: 'Em 2010, a Amazónia será uma imensidão de areia'. Bem, em 2010, não aconteceu nada disso. Em 2021, não aconteceu nada disso também. Mas olha a notícia de agora: 'Amazónia está perto de ponto irreversível e pode virar deserto'. A mesma xaropada de sempre. É matéria, na maioria das vezes, patrocinada por brasileiros que estão trabalhando contra o seu país", disse.

"Tem desflorestação ilegal (na Amazónia)? Tem. É só outros países não comprarem madeira nossa, é simples. Tem queimada ilegal? Tem, mas não é nessa proporção toda que dizem aí", alegou o Presidente.

Contudo, a Amazónia brasileira perdeu 13.235 quilómetros quadrados de cobertura vegetal entre agosto de 2020 e julho de 2021, 22% a mais em relação ao período anterior e um recorde dos últimos 15 anos, segundo dados oficiais divulgados na quinta-feira.

Essa superfície devastada, segundo imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão governamental, é maior do que a de países inteiros como Qatar, Jamaica ou Líbano.

Apesar de o aumento da desflorestação ter sido divulgado na quinta-feira, o Governo de Bolsonaro está a ser acusado de ter conhecimento desses dados desde meados de outubro, mas só autorizou a sua divulgação após a conclusão da 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), que decorreu em Glasgow, na Escócia, de forma a preservar a sua imagem internacional.

Desde que Jair Bolsonaro assumiu a Presidência do Brasil, em janeiro de 2019, a desflorestação e as queimadas aumentaram drasticamente na maior floresta tropical do planeta.

Além de Bolsonaro, também o seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, responsabilizou a imprensa pelas críticas que o Brasil tem recebido pela condução de sua política ambiental, insinuando que os dados oficiais sobre a desflorestação, divulgados por órgãos governamentais, não condizem com a realidade.

"Na verdade, a grande imprensa do exterior acaba replicando a grande imprensa brasileira. Infelizmente, os europeus não vão à Amazónia para conhecer a realidade, e acabam tendo essa falsa realidade dada pela imprensa daqui", advogou o deputado.

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

BRASIL DIZ QUE USARÁ "FORÇA TOTAL" PARA REDUZIR DESFLORESTAÇÃO ILEGAL


O Governo brasileiro afirmou que vai usar "força total" para reduzir a desflorestação ilegal no país, após ser acusado de ter ocultado dados da degradação da Amazónia para preservar a sua imagem na COP26.

"O Estado brasileiro vai subir com força total para onde os números ainda não são bons. Esse crime passou da hora de ter um fim no Brasil", disse o ministro da Justiça, Anderson Torres, frisando que o país irá eliminar a desflorestação ilegal até 2028, promessa feita pelo executivo brasileiro na 26.ª cimeira das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP26), em Glasgow, na Escócia.

"O Governo Federal irá atuar com tolerância zero. As ações serão expandidas e executadas de forma contundentes no combate aos crimes ambientais", acrescentou o Ministério da Justiça na rede social Twitter.

Já segundo o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, os números oficiais que dão conta de um aumento da desflorestação da Amazónia "não refletem a atuação do Governo nos últimos meses".

De acordo com o governante, haverá uma "ampliação" da presença de militares e agentes da Força Nacional, a execução do orçamento suplementar para órgãos de fiscalização e preservação ambiental, e a contratação de mais de 700 agentes ambientais em 2022.

A posição do executivo, presidido por Jair Bolsonaro, surgiu algumas horas após o Instituto Nacional de Estudos Espaciais (INPE), órgão governamental, ter divulgado que a Amazónia brasileira perdeu 13.235 quilómetros quadrados de cobertura vegetal entre agosto de 2020 e julho de 2021, a maior área degradada para um período de 12 meses dos últimos 15 anos.

Contudo, segundo organizações ecologistas e o Sindicato Nacional dos Funcionários Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial (SindCT), o Governo já tinha conhecimento dos dados sobre o agravamento da desflorestação desde meados de outubro, mas só autorizou a sua divulgação após a conclusão da COP26.

A devastação anual da Amazónia é medida pelo Projeto de Monitorização da Desflorestação da Amazónia Legal por Satélite (Prodes), ferramenta do INPE que calcula a perda de vegetação usando satélites e é considerado o mais preciso para medir as taxas anuais.

"O resultado do Prodes é sempre aguardado, com interesse, pelos governos, cientistas do clima e sociedade civil organizada. Este ano, em particular, eram números muito aguardados. Mas, neste evento em Glasgow, os números do Brasil não apareceram. Jornalistas especializados buscaram informações com membros do Governo brasileiro e foram informados que o Prodes ainda não tinha concluído o seu relatório anual. Pura mentira!", indicou o sindicato em comunicado.

Já o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, alegou que só teve "contacto com o dado hoje (quinta-feira)".

Contudo, na realidade, o documento divulgado na quinta-feira pelo órgão governamental, que aponta o aumento 22% na desflorestação da Amazónia entre 2020 e 2021, tem a data de 27 de outubro de 2021, alguns dias antes do início da COP26.

Para ambientalistas, trata-se de um "duplo escândalo".

"Há um duplo escândalo que deve ser considerado. O primeiro é o facto de que a nota divulgada pelo INPE é do dia 27 de outubro, ou seja, anterior à Conferência do Clima. Trata-se da primeira vez em que o Prodes não foi divulgado antes ou durante a COP", afirmou João Paulo Capobianco, membro da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, citado pelo portal de notícias G1.

"Apesar das tentativas recentes do Governo limpar a sua imagem, a realidade impõe-se mais uma vez. Fica evidente que as ações necessárias por parte do Brasil para conter a desflorestação e as mudanças climáticas não virão deste Governo que está estacionado no tempo e, ainda vê a floresta e seus povos como empecilho ao desenvolvimento", avaliou Cristiane Mazzetti, porta-voz da campanha da Amazónia da organização Greenpeace.

COSTA ACEITA PEDIDO DE DEMISSÃO DE CABRITA: "RESPEITOU O TEMPO DA JUSTIÇA"

António Costa aceitou a demissão de Eduardo Cabrita e aponta para os próximos dias a indicação de um substituto. O primeiro-ministro aceitou...