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quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

TRIBUNAL FRANCÊS CONDENA OS 14 ARGUIDOS DO ATAQUE À REVISTA CHARLIE HEBDO


Foram condenados os 14 acusados do ataque, em janeiro de 2015, Ă  redação da revista satĂ­rica Charlie Hebdo que causou a morte a 12 pessoas. O veredicto foi conhecido esta quarta-feira, quase trĂȘs meses e meio depois do inĂ­cio do processo judicial.

Dos 14 culpados, apenas 11 estiveram em tribunal, uma vez que trĂȘs fugiram para a SĂ­ria dias antes dos ataques. A justiça francesa descartou o crime de terrorismo a seis dos arguidos. As penas de prisĂŁo aplicadas vĂŁo dos quatro aos 30 anos. Apenas Mohamed Belhoucine, um dos que conseguiu fugir, foi condenado a prisĂŁo perpĂ©tua, no entanto Belhoucine foi dado como morto na SĂ­ria.

A decisĂŁo tomada pelo tribunal inclui ainda os ataques perpetuados nos dias seguintes a um supermercado judaico, onde morreram quatro pessoas e uma agente da polĂ­cia municipal em Montrouge.

Durante o julgamento, mais de 150 testemunhas e especialistas tentaram reconstituir os atentados que aconteceram na sequĂȘncia da publicação da caricatura do profeta MaomĂ©.

Nenhum dos autores materiais dos atentados ao jornal satírico e ao supermercado judaico estão vivos, tendo sido abatidos pelas autoridades. Os 14 condenados respondem por participação em organização terrorista criminosa e por cumplicidade, apoio logístico, financeiro ou material.

QUASE SEIS ANOS DEPOIS, O QUE ACONTECEU NA REVISTA CHARLIE HEBDO?

A 7 de janeiro de 2015, Chérif e Saïd Kouachi entraram pela redação da revista satírica Charlie Hebdo, em Paris, e dispararam sobre a equipa de jornalistas e caricaturistas. 12 pessoas foram mortas numa vingança pela publicação das caricaturas do profeta Maomé, anos antes. Este foi o primeiro ato terrorista reivindicado pelo Estado Islùmico na Europa.

Frédéric Boisseau, um funcionårio da manutenção, foi a primeira vítima do ataque, mas o objetivo era a chegar à redação. Os irmãos Kouachi sequestraram Corinne Rey, uma caricaturista que tinha saído do edifício para fumar, e obrigaram-na a colocar o código para abrir a porta e a conduzi-los até à reunião editorial, onde abriram fogo sobre os vårios jornalistas que ali estavam.

Os irmãos Kouachi conseguiram fugir do local, criando uma verdadeira caça ao homem em Paris. Dois dias depois, os principais suspeitos do ataque foram abatidos pela polícia, num armazém, a norte de Paris, onde se esconderam.

Precisamente quando as autoridades francesas rodeavam o refugio dos Kouachi, a cerca de 40 quilómetros de distùncia, Amédy Coulibaly entrou num supermercado judaico e matou cinco pessoas, incluindo uma agente da polícia municipal. Trazia uma cùmara desportiva para filmar o ataque.

“VocĂȘs sĂŁo judeus e franceses, as duas coisas que eu mais odeio”, disse Coulibaly durante o sequestro.

O ataque terrorista Ă  revista Charlie Hebdo ganhou impacto a nĂ­vel mundial, iniciando uma luta pelo direito Ă  liberdade de expressĂŁo e de imprensa. A frase “Je Suis Charlie Hebdo” (“Eu sou Charlie Hebdo”, em portuguĂȘs) encheu as redes sociais como forma de apoio Ă  revista e de condenação pelos ataques terroristas.

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