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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

PORTUGUÊS CONDUZIRÁ QUARTO MAIOR GRUPO AUTOMÓVEL

 



O quarto maior grupo automĂłvel do Mundo deverĂĄ ter esta segunda-feira sinal verde. Os acionistas da Peugeot-CitroĂ«n (PSA) e da Fiat Chrysler (FCA) vĂŁo aprovar a fusĂŁo dos dois grupos, anunciada em dezembro de 2019 e que ficarĂĄ formalmente concluĂ­da nas prĂłximas semanas. Durante cinco anos, o portuguĂȘs Carlos Tavares vai ficar ao volante da aliança Stellantis.

O novo gigante automóvel venderå um total de 7,9 milhÔes de automóveis e conseguirå obter receitas de 180 mil milhÔes de euros, segundo os resultados agregados de 2019 e que correspondem a 2,3 vezes o valor do empréstimo da troika a Portugal, em 2011. Além da Peugeot, da Citroën, da Fiat e da Chrysler, a nova aliança automóvel vai reunir e manter marcas como Alfa Romeo, Jeep, Lancia, Maserati, Dodge e Ram.

Os dois grupos vĂŁo ter vantagens mĂștuas com esta uniĂŁo por partilharem mercados e soluçÔes tecnolĂłgicas: a PSA passarĂĄ a ter acesso ao continente norte-americano. A FCA poderĂĄ reduzir as emissĂ”es da sua frota, sem ter de comprar Ă  Tesla crĂ©ditos de emissĂ”es de diĂłxido de carbono, avaliados em 1,8 mil milhĂ”es de euros e que permitirĂŁo ao grupo italo-americano evitar as multas dos EUA e da ComissĂŁo Europeia.

POUPANÇAS SEM DESPEDIR

Estão previstas reduçÔes de custos anuais de cinco mil milhÔes de euros depois da fusão ficar concluída. A Stellantis garante que estas poupanças vão ser feitas sem sacrificar fåbricas nem os 400 mil trabalhadores dos dois grupos. A fåbrica da PSA em Mangualde - a segunda maior produtora automóvel de Portugal - poderå, por isso, continuar a montar veículos comerciais ligeiros, como Citroën Berlingo, Peugeot Partner e Opel Combo.

Carlos Tavares serå o presidente-executivo da nova aliança, que terå o líder da FCA, John Elkann, como presidente do Conselho de Administração. A restante equipa vai contar com 10 membros: cinco nomeados pelos atuais acionistas da Peugeot-Citroën; outro tanto pela fabricante italo-americana. A Stellantis terå sede nos Países Baixos e açÔes cotadas nas praças de Milão, Paris e Nova Iorque.

FUSÃO COM CURVAS

A criação desta aliança tem sido apresentada como uma "fusĂŁo de partes iguais". Na estrutura acionista da Stellantis, a famĂ­lia Agnelli, histĂłrica acionista da Fiat, tem o maior controlo individual de açÔes, com 14,5%. Mas os maiores acionistas da PSA, juntos, vĂŁo ter mais poder do que os italianos: aos 7,2% da famĂ­lia Peugeot somam-se os 6,2% do Estado francĂȘs e os 4,5% do grupo chinĂȘs Dongfeng.

Anunciada em dezembro de 2019, a fusão entre a PSA e a FCA começou a ser discutida em março desse ano. Os dois grupos jå tinham fechado compras relevantes anteriormente: em 2017, a PSA tinha comprado a Opel e a Vauxhall; a Fiat fechou a compra da Chrysler em 2014. Até a Stellantis ser aprovada pelos acionistas, os dois grupos enfrentaram duas curvas apertadas pelo caminho, a Comissão Europeia e a covid-19.

Em setembro, foi cortado para praticamente metade o dividendo que os acionistas do grupo FCA iriam receber em troca da aprovação do negĂłcio, de 5,5 para 2,9 mil milhĂ”es de euros. Os 2,6 mil milhĂ”es de euros que ficaram por receber vĂŁo dar mais potĂȘncia Ă  nova aliança automĂłvel.

Menos ligeiros

Superar a Comissão Europeia vai levar os dois grupos a reduzir a sua presença no mercado dos veículos comerciais ligeiros.

O engenheiro sempre em luta contra o tempo

O portuguĂȘs Carlos Tavares vai liderar o quarto maior grupo automĂłvel do Mundo, atrĂĄs da Volkswagen, da Toyota e da aliança entre a Renault, Nissan e Mitsubishi.

Rapidez Ă© a palavra-chave do estilo de liderança de Carlos Tavares. Seja no comando do grupo Peugeot-CitroĂ«n ou ao volante de um carro de competição, este engenheiro, 62 anos, afirmou--se nos Ășltimos anos como um dos protagonistas da indĂșstria automĂłvel. Nasceu em Lisboa em 1958.

Mudou-se para Toulouse, em 1976, para prosseguir os estudos. No início da década de 1980, licenciou-se em Engenharia. Entrou em 1981 para a Renault. Entre 2004 e 2011, trabalhou para a Nissan e chegou ao comando da PSA em 2014, a tempo de salvar o grupo. Continua a ter tempo para participar em corridas.

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