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quarta-feira, 26 de maio de 2021

"VOCÊS LEVAM UMA BOMBA A BORDO": DISSE O CONTROLADOR AO PILOTO DA RYANAIR


A decisão de desviar o voo da Ryanair para a Bielorrússia não foi iniciativa do piloto mas da torre de controlo. É o que prova a transcrição de comunicações. Antes de declarar "mayday", o piloto perguntou várias vezes de onde vinha a informação.

O piloto da Ryanair que no domingo fazia o voo 4978, de Atenas, na Grécia, para Vilnius, na Lituânia, e foi obrigado a aterrar de emergência em Minsk, na Bielorrússia, questionou repetidamente a torre de controlo sobre a suposta ameaça de bomba. E perguntou várias vezes de onde vinha a informação. Só quando lhe disseram que "o código de alerta é vermelho" é que acedeu alterar a rota.

Nesse momento, já um avião de guerra Mig estava a escoltar o Boeing 737-8AS da Ryanair, um voo comercial que levava 171 passageiros a bordo, incluindo o jornalista de 26 anos Roman Protasevich.

Alegadamente, quatro agentes de segurança russos, também seguiam a bordo com a função de vigiar o jornalista. Quando o aparelho pousou em Minsk, as autoridades bielorrussas do KGB prenderam Roman, assim como a sua namorada russa Sofia Sapega, de 23 anos. Esta seria a verdadeira razão para o desvio do voo.

Mundo condena desvio

O grave incidente foi genericamente condenado no mundo ocidental, com os 27 países da União Europeia a decidirem sanções económicas, interdição de aviões bielorrussos no espaço europeu e de voos europeus na Bielorrússia. O ato foi mesmo considerado um "sequestro de Estado" e uma "ação de pirataria" que terá por detrás uma ordem direta do ditador Alexandre Lukashenko, de quem Roman Protasevich é um crítico ativo.

A transcrição divulgada pela Reuters difere de trechos anteriormente difundidos pela TV estatal da Bielorrússia, que atribuía alguns dos comentários do piloto ao controlador. O canal de televisão argumentou então que tinha sido o piloto a pedir para aterrar de emergência em Minsk, o que não se revelou ser verdade.

Leia a seguir excertos da transcrição das comunicações entre o controlador do voo e o piloto do avião Ryanair 4978.

"Vocês levam uma bomba a bordo"

Controlador: Minsk

Piloto: Sim, diga.

Controlador: Para seu conhecimento, temos informações de serviços especiais de que vocês levam uma bomba a bordo e pode ser ativada em Vilnius.

Piloto: Aguarde.

Piloto: OK. Pode repetir a mensagem?

Controlador: Repito, para seu conhecimento, temos informações de serviços especiais de que vocês levam uma bomba a bordo e pode ser ativada em Vilnius.

Piloto: Entendido. Aguarde.

Controlador: Por motivos de segurança, recomendamos que aterre no UMMS (código do aeroporto de Minsk).

Piloto: OK. Compreendido, dê-nos uma alternativa, por favor.

Piloto quer saber mais detalhes da bomba

Piloto: A bomba, a mensagem direta da bomba, de onde veio? De onde obtiveram essa informação?

Controlador: Aguarde, por favor.

Piloto: Diga.

Controlador: O pessoal da segurança do aeroporto informa que recebeu um e-mail.

Piloto: Entendido. Foi a equipa de segurança do aeroporto de Vilnius ou da Grécia?

Controlador: Este e-mail foi partilhado com vários aeroportos.

Piloto: Entendido. Aguarde.

Piloto: Mais uma vez, essa recomendação de desviar o voo para Minsk de onde veio? De onde veio? Da companhia? Das autoridades do aeroporto de partida ou das autoridades do aeroporto de chegada?

Controlador: Estas são as nossas recomendações.

Piloto: Pode repetir?

Controlador: Estas são as nossas recomendações.

Piloto: (impercetível).

Piloto: Disse que essa é a vossa recomendação?

Piloto concorda finalmente e aterra em Minsk

Controlador: Comunique a sua decisão, por favor.

Piloto: Preciso de resposta à pergunta. Qual é o código de alerta: (impercetível) verde, amarelo, âmbar ou vermelho?

Controlador: Aguarde.

Controlador: Eles dizem que o código de alerta é vermelho.

Piloto: Entendido, nesse caso solicitamos manutenção da posição atual.

Controlador: Entendido, mantenha a sua posição.

Piloto: OK, mantenho posição atual.

Piloto: Estamos a declarar uma emergência. MAYDAY, MAYDAY, MAYDAY RYR 1TZ. É nossa intenção desviar o voo para o aeroporto de Minsk.

Controlador: RYR 1TZ MAYDAY. Entendido. Aguarde instruções.

Jornalista continua detido

Após aterrar de emergência em Minsk, capital da Bielorrússia, o jornalista Roman Protasevich e a namorada Sofia Sapega saíram escoltados por quatro alegados agentes de segurança russos. Todos os outros passageiros e tripulantes foram evacuados, as bagagens retiradas e vistoriadas por polícias e cães. Só oito horas depois o voo Ryanair 4978 pôde seguir viagem em direção a Vilnius, na Lituânia.

Roman Protasevich continua detido em Minsk e poderá ser acusado de "crimes contra o Estado, terrorismo e organização de tumultos massivos". As penas pelos alegados crimes podem variar entre os 15 anos de prisão e a condenação à morte.

Na terça-feira, as autoridades bielorrussas divulgaram um vídeo em que Roman Protasevich admitirá ter participado em manifestações. O jornalista surge com ar deprimido, tem hematomas na cara e faltar-lhe-ão alguns dentes disse o seu pai, Dmitri Protasevich, que sublinha que o filho "falou sob coação" e que "está a ser torturado".

Sofia Sapega, namorada de Roman, também continua detida e é acusada de "crimes contra o Estado cometidos entre agosto e setembro de 2020", justamente quando eclodiram manifestações por toda a Bielorrússia, mas sobretudo na capital Minsk, contra Alexandre Lukashenko.

O presidente bielorrusso, que está no poder desde 1995 e é considerado, à luz dos países democráticos do ocidente, um ditador, terá cometido fraude nas eleições presidenciais, que diz ter vencido por mais de 80% dos votos.

segunda-feira, 24 de maio de 2021

VIDEO: JORNALISTA BIELORRUSSO CONFESSA CRIMES


O opositor bielorrusso detido no domingo foi gravado em vídeo a admitir crimes e a dizer que está bem de saúde. Está preso num centro de detenção em Minsk.

O jornalista Roman Protasevich, de 26 anos, apareceu num vídeo em que, aparentemente, confessa crimes de que foi acusado pelo Estado bielorrusso. Protasevich, detido segundo o Ministério do Interior numa prisão de Minsk, diz que está a ser bem tratado e que as alegações sobre problemas cardíacos que terá sofrido são falsas. É possível que as palavras tenham sido gravadas sob coação.

O vídeo, publicado originalmente no Telegram, surge depois de ter sido divulgado um relatório não oficial dando conta de que o jornalista estaria num hospital em estado crítico com uma doença cardíaca. "Não se registaram queixas sobre o seu estado de saúde", disse depois a porta-voz do Ministério do Interior do país, numa mensagem publicada na rede social Telegram.

Procurado por terrorismo por causa de protestos

O opositor bielorrusso, detido no domingo após o desvio de um avião comercial para Minsk, foi colocado na lista do país de "indivíduos envolvidos em atividades terroristas" pelo seu papel em protestos em massa no ano passado (crimea que podem ser punidos com até 15 anos de prisão).

O avião desviado, da Ryanair, fazia a ligação entre a Grécia e a Lituânia e foi intercetado pela aviação bielorrussa pouco antes de entrar no espaço aéreo lituano, por ordem do presidente Alexander Lukashenko, alegando um alerta de bomba que, segundo Minsk, se revelou falso.

Roman Protasevich, 26 anos, antigo chefe de redação do influente jornal da oposição bielorrusso Nexta e que seguia a bordo do aparelho, foi detido após a chegada do avião à capital bielorrusa. Exilado na Lituânia, Protasevich é perseguido no país-natal por "organização de tumultos massivos", um crime passível de 15 anos de prisão.

RICARDO SALGADO PROPÕE PAGAR 11 MILHÕES DE EUROS PARA ARQUIVAR O PROCESSO

Ricardo Salgado está disposto a pagar para que seja arquivado o processo que teve origem na Operação Marquês e que o vai levar a julgamento ...