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terça-feira, 7 de setembro de 2021

SUPERTEMPESTADE SOLAR PODE LEVAR O MUNDO AO "APOCALIPSE DA INTERNET"


Uma supertempestade solar que ocorre uma vez no século pode mergulhar o mundo no "apocalipse da internet", diz estudo.

Linhas de fibra ótica de longa distância e cabos submarinos que fazem parte da infraestrutura global da Internet são particularmente vulneráveis.

Uma forte tempestade solar, que ocorre uma vez em aproximadamente 100 anos, pode impactar catastroficamente várias tecnologias humanas na Terra e mergulhar o mundo num "apocalipse da Internet", revela um novo estudo.

O campo magnético da Terra protege os seus habitantes do vento solar consistindo de partículas carregadas fluindo do Sol desviando o vento elétrico em direção aos polos do planeta e criando auroras cénicas.

No entanto, uma vez em cada 80/100 anos, devido ao ciclo de vida natural do Sol, esses ventos transformam-se em supertempestades solares que podem causar interrupções catastróficas de internet, cobrindo toda a Terra e durando vários meses, diz o estudo, apresentado no SIGCOMM 2021 - ciclo de conferências anuais.

Na investigação, Sangeetha Abdu Jyothi, da Universidade da Califórnia, avaliou a robustez da infraestrutura da Internet atual contra um evento climático espacial extremo.

O cientista descobriu que linhas de fibra ótica de longa distância e cabos submarinos, que são uma parte vital da infraestrutura global da Internet, são vulneráveis ​​às correntes produzidas na crosta terrestre por supertempestades solares, também conhecidas como Ejeções de Massa Coronal.

"A Ejeção de Massa Coronal envolve a emissão de matéria eletricamente carregada e o campo magnético que o acompanha para o espaço. Quando atinge a terra, ele interage com o campo magnético terrestre e produz correntes induzidas geomagneticamente na crosta ", explicou Jyothi ao jornal "The Independent".

A corrente dessas tempestades solares pode entrar e danificar longos condutores, como linhas de energia, observou o estudo.

"Nos cabos de Internet de longa distância de hoje, a fibra ótica é imune ao GIC. Mas esses cabos também têm repetidores elétricos em intervalos de aproximadamente 100 km que são suscetíveis a danos ", acrescentou Jyothi.

Embora a probabilidade de tais eventos ocorrerem varia de 1,6 por cento a 12 por cento de probabilidade por década, Jyothi diz que as chances aumentam durante o período máximo de atividade do Sol no seu ciclo de aumento e diminuição.

Felizmente, diz Jyothi, os avanços tecnológicos modernos coincidiram com um período de fraca atividade solar.

No entanto, com a expectativa de que o sol se torne mais ativo no futuro próximo, ela diz que a atual infraestrutura da Internet não foi testada por fortes eventos solares.

domingo, 29 de agosto de 2021

MORCEGOS PODEM INDICAR O SEGREDO PARA UMA VIDA MAIS LONGA E SAUDÁVEL


Um estudo sobre morcegos pode indicar qual é o segredo para uma vida mais longa e saudável para os humanos, uma vez que estes animais conseguem "viver por um período extraordinariamente longo".

Segundo Emma Teeling, uma investigadora da Universidade de Dublin, na Irlanda, que estuda a longevidade excecional dos morcegos, estes animais vivem mais do que outros de tamanho semelhante e permanecem saudáveis por mais tempo, podendo hospedar um agente que pode provocar uma doença, como o ébola ou o coronavírus, e não ficam doentes.

A investigadora concentra o seu estudo em morcegos de orelhas-de-rato de vida longa, porque estes animais "são únicos, pois a taxa de envelhecimento é muito mais lenta e a sua esperança média de vida é muito mais longa", referiu Emma Teeling, acrescentando que os morcegos "parecem ter desenvolvido mecanismos para conseguirem atrasar o processo de envelhecimento".

Dada a longevidade destes animais, a única maneira de perceber se um morcego está a envelhecer é "olhar para os ossos dos dedos, se as articulações ainda não estiverem fundidas, o animal ainda é um bebé, no caso de já estarem fundidas, trata-se de um morcego adulto", revelou a investigadora, que todos os anos recolhe "um pouco de asa e um pouco de sangue" para analisar "o que mudou à medida que envelhecem, localizando alguns biomarcadores de envelhecimento".

Através da análise ao sangue recolhido, a investigadora olha para as estruturas com sequências repetidas de ADN, que garantem a replicação e a estabilidade, e "no final de cada um dos cromossomas presentes nas células, é visível uma espécie de capas protetoras, como um para-choques de um carro, e de cada vez que as células replicam-se, elas vão ficando cada vez mais curtas".

"As células, ao ficarem mais curtas, deveriam autodestruir-se, mas o que acontece às vezes é que a célula permanece e envelhece, o que potencialmente conduz a um processo de envelhecimento", acrescentou a investigadora, apontando que no caso dos morcegos de orelhas-de-rato, as estruturas com sequências repetidas de ADN "não encurtam com a idade, o que protege o ADN".

Emma Teeling referiu ainda que o seu trabalho passa por sequenciar os genes dos morcegos jovens, de meia-idade e os mais velhos, tendo descoberto que estes animais "aumentam a capacidade de reparar o seu ADN com a idade e reparar os danos que a vida causa. Assim, descobrimos que ao repararem os danos no seu ADN, também são capazes de modular a sua resposta imunológica, mantendo-a equilibrada entre as respostas antivirais e anti-inflamatórias".

A investigadora revelou que "quando olhamos para a covid-19, por exemplo, o que mata alguém é essa resposta imunológica superexcitada, por isso, se encontrássemos o pequeno gene controlador dos morcegos, que regula as respostas antivirais e anti-inflamatórias, poderíamos fazer um medicamento para recriá-lo e administrar nos humanos", de maneira a conseguir que as pessoas tenham uma vida mais longa e saudável.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

LONGAS HORAS DE TRABALHO MATAM 745 MIL PESSOAS POR ANO


Trabalhar longas horas está a matar centenas de milhares de pessoas por ano, de acordo com um estudo global da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O estudo, que é o primeiro deste tipo, mostrou que 745 mil pessoas morreram em 2016 de derrames ou doenças cardíacas causados por longas horas de trabalho.

De acordo com a BBC, o mesmo relatório revelou que pessoas a viver no Sudeste Asiático e na região do Pacífico Ocidental foram as mais afetadas.

Além disso, segundo a OMS, a tendência pode piorar devido à pandemia de covid-19.

A investigação mostrou que trabalhar 55 horas ou mais por semana estava associado a um risco 35% maior de acidente vascular cerebral e 17% maior de morrer de doença cardíaca quando comparado a uma semana de trabalho de 35 a 40 horas.

O estudo, conduzido em conjunto com a Organização Internacional de Trabalho (ILO, na sigla em inglês), apontou ainda que quase três quartos das pessoas que morreram devido às longas horas de trabalho eram homens de meia idade ou mais velhos.

Estas mortes aconteceram frequentemente muito mais tarde na vida às vezes, décadas depois de trabalhar essas longas horas.

O relatório revelou que trabalhar longas horas foi estimado como responsável por cerca de um terço de todas as doenças relacionadas com o trabalho, tornando-se a maior carga de doenças ocupacionais.

Os investigadores explicaram que havia duas formas de as horas de trabalho mais longas levarem a consequências negativas na saúde. Por um lado, através de respostas fisiológicas ligadas ao stress e, por outro, porque os trabalhadores eram mais propensos a adotar comportamentos prejudiciais à saúde, como fumar e beber álcool, dormir menos, fazer menos exercício físico e ter uma dieta pouco saudável.

Embora o estudo não tenha incluído o período pandémico, funcionários da OMS afirmam que o recente salto para o trabalho remoto e a desaceleração económica podem ter aumentado os riscos associados às longas jornadas de trabalho.

"Temos algumas evidências que mostram que quando os países entram em confinamento nacional, o número de horas trabalhadas aumenta em cerca de 10%", disse Frank Pega, oficial técnico da OMS.

O número de pessoas a trabalhar longas horas estava a aumentar antes da chegada da pandemia. Era cerca de 9% da população global total.

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