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terça-feira, 29 de dezembro de 2020

JERÓNIMO DIZ QUE ENCERRAR REFINARIA DA GALP SERIA "CRIME ECONÓMICO" E RESPONSABILIZA GOVERNO



LĂ­der comunista diz que decisĂŁo de encerrar refinaria em Matosinhos ainda pode ser revogada.

O secretĂĄrio-geral do PCP, JerĂłnimo de Sousa, classificou hoje como “um crime econĂłmico” a intenção de encerrar a refinaria da Galp de Matosinhos, e criticou o Governo por dar “cobertura a falsos argumentos e mentiras” da empresa.

No encerramento de um encontro com representantes dos ĂłrgĂŁos representativos dos trabalhadores da Galp, que decorreu em Lisboa, o lĂ­der comunista frisou que “a decisĂŁo estĂĄ tomada, mas nĂŁo estĂĄ concretizada”, defendendo que, como aconteceu no passado, “pode ser revogada”.

"SaĂ­mos com a convicção reforçada de que estamos perante um crime econĂłmico que precisa de ser denunciado e combatido. Um crime que beneficia o grande capital (…) e que responsabiliza o Governo, que nĂŁo sĂł nĂŁo impede esta decisĂŁo, como dĂĄ cobertura aos falsos argumentos e Ă s mentiras que tĂȘm sido projetadas, procurando ligar esta decisĂŁo aos impactos da covid-19 ou a supostas preocupaçÔes ambientais”, alertou JerĂłnimo de Sousa.

O secretĂĄrio-geral do PCP defendeu que encerrar a refinaria de Matosinhos “nĂŁo tem qualquer impacto no ambiente global”, se apenas se tratar de uma deslocalização da produção, podendo atĂ© prejudicar o meio ambiente por aumentar a necessidade de transporte pesado para levar combustĂ­veis para o norte do paĂ­s.

"O encerramento Ă© realizado por opção econĂłmica da Galp e dos seus acionistas, a etiqueta ‘ambiente’ serve para que a operação seja financiada com fundos pĂșblicos”, apontou, alertando que serĂĄ o Estado a suportar os custos das indemnizaçÔes aos trabalhadores.

Para JerĂłnimo de Sousa, outra das razĂ”es deste anunciado encerramento Ă© o “excesso de oferta da UniĂŁo Europeia”, lamentando que “nĂŁo se tenha aprendido nada com as liçÔes da liquidação do aparelho produtivo portuguĂȘs” ao longo dos anos em setores como a siderurgia ou a ferrovia.

O lĂ­der do PCP alertou que, se Portugal passar a contar apenas com a refinaria de Sines, sempre que esta tiver de ser encerrada para manutenção ou por um acidente, “o paĂ­s passa a ficar totalmente dependente da importação”.

"A alternativa que se desenha no horizonte nĂŁo Ă© Sines, mas sim a Galiza e a sua refinaria da Repsol em La Coruna”, avisou.

 AlĂ©m das crĂ­ticas Ă  administração da Galp, JerĂłnimo de Sousa salientou que “o Governo Ă© o segundo maior acionista da Galp e tem os instrumentos necessĂĄrios para travar” este encerramento.

“Mas Ă© preciso querer, e nĂŁo quer. O enfeudamento de PS, PSD e CDS aos interesses do grande capital na Galp Ă© antigo e tem sido bem recompensado ao longo destes anos de gestĂŁo privada”, criticou.

JerĂłnimo de Sousa apelou Ă  luta dos trabalhadores antes de se consumar o encerramento da refinaria - que considerou poder ‘arrastar’ a destruição de um ‘cluster’ industrial na regiĂŁo - nĂŁo sĂł em sua defesa, mas tambĂ©m pela nacionalização da Galp.

Durante cerca de uma hora, vårios representantes sindicais e dos trabalhadores da refinaria de Matosinhos apelaram igualmente à mobilização dos trabalhadores num plenårio marcado para quarta-feira.

O PCP jå tinha requerido, no parlamento, a audição urgente do ministro do Ambiente Matos Fernandes, iniciativa que o deputado Duarte Alves - também presente no encontro - espera ver concretizada na primeira quinzena de janeiro.

A Galp anunciou na semana passada que vai concentrar as suas operaçÔes de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar a refinação em Matosinhos a partir do próximo ano.

Em causa estĂŁo, segundo os sindicatos, 500 postos de trabalho diretos e 1.000 indiretos.

O Estado Ă© um dos acionistas da Galp, com uma participação de 7%, atravĂ©s da ParpĂșblica.

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