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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

CONHECE A ILHA DAS COBRAS? OU ILHA DA QUEIMADA GRANDE

 


Uma pequena ilha rochosa, escarpada, sem praias e de difĂ­cil acesso, localizada a 35 km do litoral de SĂŁo Paulo, entre as cidades de PeruĂ­be e ItanhaĂ©m, tem chamado a atenção ao longo dos Ășltimo cinco sĂ©culos por uma caracterĂ­stica insĂłlita: Ă© habitada quase que exclusivamente por uma espĂ©cie de cobra, a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis).

A Ilha da Queimada Grande, conhecida como Ilha das Cobras, se destaca ainda por ter a segunda maior concentração desses animais por ĂĄrea no mundo: cerca de 45 cobras por hectare – mais ou menos equivalente ao tamanho de um campo de futebol –, perdendo apenas para a Ilha de Shedao, na China.

Com comprimento e largura måximos de 1.500 e 500 metros, respectivamente, e altitude que não supera os 200 metros, a Ilha das Cobras, de 43 hectares, foi descoberta em 1532, pela expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza.

De acordo com as biólogas Karina Nunes Kasperoviczus, hoje na Universidade de Sydney, na Austrålia, e Selma Maria de Almeida-Santos, do Instituto Butantan, provavelmente Afonso de Souza e seus oficiais protagonizaram o primeiro caso de depredação do local.

No artigo cientĂ­fico Instituto Butantan e a jararaca-ilhoa: cem anos de histĂłria, mitos e ciĂȘncia, publicado nos Cadernos de HistĂłria da CiĂȘncia, do Instituto Butantan, elas contam que, de passagem pela costa sudeste do Brasil, os navegadores aportaram na ilha, caçaram diversas fragatas e mergulhĂ”es e, antes de voltarem aos navios, receosos de mĂĄ sorte, atearam fogo no local.

NĂŁo existe, no entanto, registro de que durante a permanĂȘncia por lĂĄ Martim Afonso de Souza e seus homens tenham tido qualquer contato com a Bothrops insularis.

Segundo Karina e Selma, a pråtica de atear fogo à ilha se tornou corriqueira algum tempo depois. "No final do século 19, a Marinha do Brasil implantou um farol lå, cuja manutenção era realizada por faroleiros que residiam no local", escrevem.

"Com medo das serpentes, a própria Marinha colocou por diversas vezes fogo na mata na tentativa de acabar com a população excessiva delas. O nome 'Queimada Grande' é resultado dessas recorrentes queimadas, que, por vezes, eram tão fortes que podiam ser avistadas do continente."

                                                      Evolução


A histĂłria da Ilha das Cobras Ă© bem mais antiga, no entanto. Ela se formou no final da Ășltima era glacial, hĂĄ cerca de 11 mil anos, quando o nĂ­vel do mar subiu, separando aquele morro (que fazia parte da Serra do Mar) do continente, transformando-o numa ilha e isolando uma população de jararacas comuns (Bothrops jararaca).

Ao longo dos milhares de anos seguintes, a espécie se diferenciou de suas parentes de terra firme e se transformou na Bothrops insularis.

Segundo o pesquisador e especialista em animais peçonhentos Vidal Haddad JĂșnior, da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o isolamento e as condiçÔes geogrĂĄficas da ilha lentamente modificaram as caracterĂ­sticas das cobras em relação Ă s jararacas continentais, criando a nova espĂ©cie.


"Ela Ă© menor e menos pesada, para facilitar sua locomoção e a caçada diurna nas ĂĄrvores", explica. "Sua cauda adquiriu capacidade preĂȘnsil (ou seja, de se agarrar a algo) e a dentição ganhou um aspecto mais curvo, para prender as aves mais facilmente e nĂŁo soltĂĄ-las enquanto o veneno age."

Para se tornar uma cobra que vive sobretudo em ĂĄrvores (ou arborĂ­cola), a jararaca-ilhoa desenvolveu outras caracterĂ­sticas evolutivas Ășnicas.

"Para subir em årvores, sua pele se tornou mais elåstica do que a de suas parentes do continente", explica Otåvio Marques, pesquisador e diretor do Laboratório de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan, que realizou vårias pesquisas com essa serpente.

"Além disso, como ela ergue mais a cabeça, seu coração ficou mais próximo dessa parte de sua anatomia, para bombear com mais facilidade o sangue para o cérebro."

                                                 Nova espĂ©cie


NĂŁo Ă© de hoje que o Instituto Butantan estuda a ilha e a jararaca-ilhoa. O primeiro lote dessa espĂ©cie foi recebido pela instituição em 1911, enviado pelo zelador do farol, que residia no local, AntĂŽnio EsperidiĂŁo da Silva. Elas logo começaram a ser estudadas pelo herpetĂłlogo JoĂŁo FlorĂȘncio Gomes, que nĂŁo chegou a concluir o trabalho, pois morreu em 1919, aos 33 anos.

O pesquisador Afrùnio do Amaral deu continuidade às pesquisas e, em 1922, descreveu cientificamente a nova espécie. "Ele logo descobriu que ela se alimentava quase exclusivamente de påssaros, ao contrårio das espécies do continente, que predam pequenos mamíferos e répteis", conta Vidal Haddad.

Amaral descobriu ainda que a peçonha destas jararacas era muito mais ativa em aves e altamente potente, o que despertou o interesse sobre a espécie, que só existe na ilha.

"O veneno da jararaca-ilhoa é mais tóxico para aves do que para mamíferos", explica o biólogo Marcelo Ribeiro Duarte, do Laboratório de ColeçÔes Zoológicas do Instituto Butantan. "O que prova a grande adaptabilidade da espécie."

A Bothrops insularis mede entre meio metro e um metro, com as fĂȘmeas sendo ligeiramente maiores. "Como a fauna da ilha Ă© muito escassa, nĂŁo existindo roedores nem outros mamĂ­feros (com exceção de morcegos), os adultos da espĂ©cie se alimentam de aves migratĂłrias (os pĂĄssaros residentes nĂŁo sĂŁo predados)", diz Haddad. "Os filhotes comem pequenos lagartos, anfĂ­bios e artrĂłpodes, como as lacraias, por exemplo."

Outra característica dessa serpente é que ela é vivípara (não pÔe ovos, mas gesta a prole de maneira semelhantes aos mamíferos) e då à luz 10 filhotes no período quente do ano.

                                                   Mitos e lendas


Talvez por ser muito numerosa e altamente venenosa, a jararaca-ilhoa Ă© objeto de diversos mitos e lendas. Uma delas diz que as cobras foram colocadas lĂĄ por piratas, para proteger um tesouro escondido.

De acordo com outra, um faroleiro e sua família foram mortos por suas picadas. Mas isso não ocorreu. No måximo foram mortos alguns animais domésticos, como cães, gatos e galinhas.


De qualquer forma, não existe mais o risco de algum faroleiro ser morto por uma picada da jararaca-ilhoa. O farol foi automatizado em 1925 e sua manutenção é feita uma vez por ano por uma equipe da Marinha do Brasil. O acesso à ilha é estritamente controlado e requer de autorização do Governo Federal. Esta é dada principalmente para pesquisadores.

"Apesar do Ăłbvio risco que as cobras representam para quem entrar no local desavisado, ele quase nĂŁo existe na prĂĄtica", tranquiliza Haddad. "(A ilha) Ă© desabitada e quem a visita estĂĄ ciente dos cuidados que deve tomar para evitar picadas."

                                              Ameaça de extinção


De acordo com ele, hoje quem tem que ter cuidado são as cobras. Apesar de a Ilha da Queimada Grande ser uma Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) e pertencer à Área de Proteção Ambiental (APA) de Cananéia-Iguape-Peruíbe, a jararaca-ilhoa estå criticamente ameaçada de Extinção.

A espĂ©cie faz parte da Lista Nacional das EspĂ©cies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção e da Lista Vermelha das EspĂ©cies Ameaçadas da organização UniĂŁo Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglĂȘs).

A ameaça de extinção decorre das queimadas, feitas por pescadores que querem desembarcar no local, e pela biopirataria, ou seja, a captura ilegal para venda. Um exemplar da cobra pode alcançar R$ 30 mil (cerca de 6 mil euros) no mercado negro.

"Se pensarmos na capacidade de venenos serem a base de medicamentos e na fantåstica evolução e adaptação das cobras em um ambiente isolado, elas são mais um tesouro a ser preservado do que uma ameaça aos humanos", diz Haddad.

SĂł isso jĂĄ justificaria o interesse cientĂ­fico na Bothrops insularis. Mas hĂĄ outras razĂ”es. "O isolamento de cobras a partir das grandes massas continentais Ă© uma oportunidade Ășnica para se estabelecerem relaçÔes evolutivas sob condiçÔes severas na maioria das vezes, como, por exemplo, falta de fontes de ĂĄgua e escassez de presas", explica Duarte.

"Além disso, a presença dessa espécie isolada é um testemunho dos fenÎmenos de flutuação do nível dos oceanos no período Pleistoceno (1,8 milhão a 11 mil anos atrås)."

Noticia G1 Globo




PESCADOR CONTA COMO SOBREVIVEU TRÊ DIAS NA "ILHA DAS COBRAS" NO BRASIL (VIDEO)

 


Seis pescadores saíram de Santos, no litoral de São Paulo, para o que seria mais uma temporada em alto-mar, porém uma forte tempestade mudou tudo. A embarcação virou e, na escuridão da noite, quatro sobreviventes conseguiram nadar até a Ilha da Queimada Grande, a 35 km da costa de Itanhaém, também no litoral do Estado.

Conhecida por Ilha das Cobras, o local tem a maior concentração de cobras do Brasil e Ă© considerado um dos locais mais perigosos do mundo. ApĂłs trĂȘs dias isolados, os pescadores foram resgatados por mergulhadores. 

No resgate, Ivan, um dos sobreviventes, relembrou os momentos de tensĂŁo e contou como ele e os amigos fizeram para se salvar. AtĂ© a publicação deste conteĂșdo, os outros dois ocupantes da embarcação ainda estavam desaparecidos.

"Nadamos a noite toda e mais um pouco da manhĂŁ. Chegamos Ă  ilha e nĂŁo conseguĂ­amos parar de pensar nos outros dois... No dia seguinte, com fome, a gente precisava encontrar algo para comer. Em cima das pedras tem banana, mas Ă© cercado de cobras, entĂŁo nĂŁo tinha como pegar", disse Ivan.

"O pior era o frio. PassĂĄvamos a noite os quatro agarrados. Teve uma noite que nĂŁo aguentei, ai me jogaram no meio para me aquecer", comentou o pescador.

Isolados no habitat natural da jararaca-ilhoa, uma das serpentes  mais venenosas do Brasil - a pessoa atacada geralmente morre apĂłs duas horas -, os pescadores, com medo de um ataque, se revezavam na hora de dormir.

"Durante o dia, sĂł dava para dormir um de cada vez. Quando anoitecia, nĂŁo dava para dormir".

A Ilha da Queimada Grande Ă© uma unidade de conservação federal administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), desde 1984.

Desabitada, a ilha tem acesso restrito a funcionĂĄrios do instituto e cientistas autorizados pela instituição e Ă© considerado um dos lugares mais perigosos do mundo. Isso porque, alĂ©m da presença da jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), Ă© um dos maiores serpentĂĄrios naturais do mundo, com cerca de 2,5 mil cobras. O local tambĂ©m Ă© dominado por costĂ”es, nĂŁo possui praias.


Noticia G1 Globo



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