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segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

FALTAM 80 MIL TRABALHADORES NA CONSTRUÇÃO


A construção civil continua a viver uma crise de mão de obra. O setor precisa de, pelo menos, 80 mil trabalhadores qualificados, alerta Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção de Portugal. Carpinteiros, eletricistas, encarregados e ferrageiros são alguns dos exemplos de especializações em falta no país.

"Se todas as obras que estão previstas, como o metro do Porto, os hospitais, o aeroporto do Montijo arrancassem, não teríamos trabalhadores para responder", diz o dirigente sindical.

Do lado dos patrões, a convicção é a mesma. "No início da pandemia [março de 2020], apontava-se para a necessidade de 70 mil trabalhadores para dar resposta aos investimentos que estavam previstos", lembra Reis Campos, presidente da AICCOPN-Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas. Recentemente, num inquérito à situação do setor, 65% dos empresários fez notar que "a escassez de mão de obra especializada foi o principal constrangimento à atividade". O líder associativo lembra que o Plano de Recuperação e Resiliência, que espera seja "uma realidade ainda este ano", aponta para "um total de 12,9 mil milhões de euros em subvenções, sendo que se estima que cerca de 34% corresponderão a investimentos em construção".

Contrato em revisão

"Há uma efetiva necessidade de reforço ao nível da mão de obra qualificada", frisa Reis Campos e, nesse contexto, "a formação profissional é uma questão decisiva", criticando os centros de formação do setor, porque "não cumpriram a missão".

Albano Ribeiro defende que a escassez de mão de obra poderia ser resolvida, se os salários fossem mais ajustados à realidade da União Europeia, estimando que estejam 300 mil portugueses a trabalhar lá fora onde auferem salários de 2400€ e superiores. A situação "revertia-se se ganhassem um mínimo de 900€" em Portugal, diz. Aliás, este é o valor na mesa negocial com os patrões para os operários qualificados de primeira. Já, para os de segunda, é reivindicada uma remuneração de 850€.

A AICCOPN confirma que já foi iniciada a revisão do Contrato Coletivo de Trabalho com os sindicatos e lembra que o último inquérito do Ministério do Trabalho, de julho de 2020, indica que a taxa de salário mensal dos trabalhadores atingiu a média de 1010€, mais 3,7% face ao período homólogo. No entanto, Albano Ribeiro estima que 40% dos trabalhadores do setor ganhem o salário mínimo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

FUTURO ESTÁDIO DE ESPINHO RECEBE "VISTO" DO TRIBUNAL DE CONTAS


O Tribunal de Contas emitiu o "visto" que irá, agora, permitir a construção do futuro Estádio Municipal de Espinho. O presidente da Câmara diz que obra será uma realidade depois dos vários "obstáculos" para impedir a sua construção.

De acordo com a autarquia, a comunicação oficial do Tribunal de Contas chegou à Câmara Municipal "no último dia do ano", culminando com "um longo processo burocrático para validar o concurso público para a construção do estádio".

O Executivo liderado por Pinto Moreira considera que, depois desde necessária anuência do Tribunal de Contas, "estão assim reunidas as condições para a obra avançar para o terreno".

O Presidente da Câmara Municipal afirma que esta é "uma excelente notícia para o início do novo ano porque se trata do cumprimento de um compromisso político assumido e que corresponde a um desígnio da cidade que passará a ter o seu estádio de futebol".

Respondendo às críticas do atraso significativo do início das obras, Pinto Moreira justifica que, "apesar de todos os contratempos, de todos os obstáculos colocados para impedir e prejudicar a construção do estádio municipal, a Câmara Municipal nunca desistiu de cumprir esta promessa eleitoral".

"O processo nunca esteve parado, ao contrário de muitas vozes que se levantaram ao longo deste tempo, apenas com o objetivo de descredibilizar o nosso trabalho e as expectativas de todos quantos acreditaram ser possível construir um estádio moderno, funcional e adaptado aos novos tempos para as competições oficiais de futebol", justificou.

Para além do atraso, as críticas fizeram-se também ouvir em relação à alegada alteração do projeto inicial e aos custos estimados para com o mesmo.

A obra chegou a ser anunciada com uma estimativa de 2,5 milhões de euros, mais IVA, tendo sido adjudicada por 4,47 milhões de euros.

Nas contas da concelhia do PS a obra ficará por um total de seis milhões, "mais do que duplicando o custo de um equipamento que passa a ter apenas uma bancada coberta e menos valências".

O Estádio permitirá combater uma das principais lacunas do Sporting Clube de Espinho, que está sem estádio próprio desde 2018.

Usou, a título de empréstimo, o campo do clube vizinho de Fiães, na Feira, jogando, atualmente, no campo da Associação Desportiva Ovarense.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

HOTEL NAVE NO PORTO "É PARA DEMOLIR"


Consócio do grupo diz ao JN que pretende construir de raiz "um belo hotel de quatro estrelas". Sindicato protesta contra encerramento e "despedimento coletivo forçado" de 17 trabalhadores.

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte denuncia a irredutibibilidade negocial, não aceita a desculpa da crise sanitária e verifica o "oportunismo económico" dos proprietários da unidade hoteleira instalada há mais de 60 anos na Avenida Fernão de Magalhães, no Porto. Prédio de seis andares "é para demolir". "Vamos fazer um hotel novo", diz ao JN um dos consócios do grupo.

A administração do Hotel Nave já tinha anunciado, em novembro, o despedimento coletivo e o encerramento do hotel detido pela STP - SociedadeTurística Portuguesa. Contactado pelo JN, um dos consócios do grupo, dono do VIP Hotels, avança: "O prédio é para demolir. É antigo e até tem uma viga já abalada. Vamos fazer um belo hotel de quatro estrelas, mas não posso dizer mais nada, nem quando podemos começar as obras, porque o projeto ainda não está aprovado e porque sabemos como é a burocracia", disse Ashraf Ali.

"Facto consumado"

As negociações com o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte concluíram-se sem qualquer recuo por parte da empresa. Os sindicalistas contestam o "facto consumado". "A empresa recusou todas as propostas sindicais e decidiu encerrar à força a fase de informação e negociação e proceder ao encerramento definitivo", lê-se em comunicado publicado ontem pelo sindicato.

"Além disso, para pressionar os trabalhadores a aceitarem o despedimento como facto consumado e não o impugnarem em tribunal, a empresa não pagou o subsídio de natal nos prazos legais, o que representa uma violência e uma ilegalidade sobre os trabalhadores", acrescenta o sindicato, que diz ter comunicado a situação à Autoridade para as Condições de Trabalho.

O "lay off" foi justificado com a quebra de receitas motivada pela crise sanitária e com o mau estado das instalações. O grupo alegou que a reabilitação do edifício é incomportável no atual contexto. O sindicato afirma que a empresa tem lucros acumulados e património para enfrentar esta situação, sublinhando que a verdadeira intenção da administração é "ver-se livre dos trabalhadores para fazer as obras e não pagar salários enquanto estas decorrem ou para vender o hotel sem trabalhadores".

Inaugurado em finais dos anos 1950, o Hotel Nave tem sete pisos, um deles inferior, e 81 quartos. Nas traseiras do edifício do hotel, a empresa possui também um terreno e um bloco de 22 apartamentos, encerrados desde 2007.

LINHA VERMELHA PODE SER ATINGIDA DAQUI A DOIS MESES

                           O índice de transmissão está a aumentar. Portugal pode chegar aos 120 casos de covid-19 por 100 mil habitantes e ...