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segunda-feira, 1 de março de 2021

AUTORIZADA INSTALAÇÃO DE 216 CÂMARAS DE VIGILÂNCIA EM LISBOA


O sistema de videovigilância abrange 16 zonas da cidade.

O secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Antero Luís, autorizou esta segunda-feira a instalação de 216 câmaras de videovigilância no município de Lisboa. O objetivo é garantir a segurança de “pessoas e bens” em locais de risco para a prática de crimes.

O sistema de videovigilância abrange 16 zonas da cidade: Praça do Comércio, Cais das Colunas, Praça D. Pedro IV, Praça dos Restauradores, Praça da Figueira, Rua Augusta, Rua Áurea, Rua da Prata, Rua dos Fanqueiros, Rua do Comércio e restantes transversais, Avenida Ribeira das Naus, Cais do Sodré, Santa Apolónia – Rua dos Caminhos de Ferro e Avenida D. Afonso Henriques, Campo das Cebolas e Miradouro de Santa Catarina.

Em comunicado, o Ministério da Administração Interna informa que o uso das câmaras segue as recomendações da Comissão de Proteção de Dados, nomeadamente garantindo os direitos de acesso e eliminação e o barramento dos locais privados, impedindo a visualização de portas, janelas e varandas.

O sistema irá funcionar 24 horas por dia, todos os dias da semana e permitirá a captação e gravação de som “sempre que se verifique uma situação de perigo concreto”. A autorização para o seu funcionamento é válida por dois anos.

O ministério informa ainda que a responsabilidade pela conservação e tratamento dos dados está a cabo do chefe da área operacional do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

DEPUTADA DO PS AJUDOU INVESTIDORES QUE QUERIAM COMPRAR DONA DO AVIÃO APANHADO COM DROGA NO BRASIL


Joana Lima intermediou reuniões entre investidores interessados na OMNI.

Os investidores brasileiros que queriam comprar a companhia aérea proprietária do avião apanhado com droga no Brasil - a OMNI - receberam a ajuda da deputada socialista Joana Lima para terem uma reunião com a Parvalorem.

O voo carregado de droga, que transportou João Loureiro entre S. Paulo e Salvador, voava para o Brasil com frequência. Só desde outubro esteje no Brasil três vezes: a informação de voo consultada pela SIC indica que o Falcon de matrícula CS-DTP esteve em S. Paulo em outubro, em dezembro voou para Salvador e em janeiro voltou a S. Paulo, daí voou para Salvador.

O Falcon de três motores é propriedade da OMNI - uma firma do grupo empresrial que José Roquette, ex-presidente do Sporting, e Dias Loureiro venderam à Sociedade Lusa de Negócios - a dona do BPN, por 58 milhões de euros no ano 2000. Com o colapso do BPN, a OMNI está agora a cargo da Parvalorem - a sociedade criada pelo Estado para gerir os ativos do banco.

É aqui que entra Joana Lima, deputada do PS e ex-presidente da Câmara da Trofa. Escreve o Correio da Manhã que Joana Lima, a pedido de alguém que não quer identificar, ajudou empresários brasileiros a reunirem-se com a Parvalorem para agilizar a venda da empresa.

A deputada confirmou à SIC que o fez, convencida de que estava a ajudar um investimento em Portugal. Não consegue precisar se houve uma ou duas reuniões, que julga terem acontecido em setembro ou outubro do ano passado.

"Enquanto deputados, nós ajudamos as empresas. Procurei apenas o interesse público, desbloquear processos e arranjar reuniões. É para isso que somos eleitos", disse.

A Parvalorem recusou a proposta porque, de acordo com o CM, a empresa recusou libertar os avales pessoais dos donos da OMNI, porque duvidava do pagamento de 17 milhões de euros.

No Brasil e em Portugal prossegue a investigação à apreensão de 578 kg de cocaína escondida nos locais mais invulgares na fuselagem do Falcon.

AFINAL, JOÃO LOUREIRO VIAJOU NO AVIÃO CARREGADO COM MAIS DE 500 KG DE DROGA


Ex-Presidente do Boavista disse que não tinha estado no voo.

João Loureiro viajou no avião carregado com mais de 500 quilos de cocaína entre São Paulo e Salvador da Baía, no Brasil. O ex-Presidente do Boavista e o espanhol Mansur Herédia foram os únicos passageiros.

O voo deveria seguir depois para Cabo Verde daí para Tires, em Cascais, mas já com mais passageiros a bordo, mas um alegado problema detetado pela tripulação levou o comandante a chamar a manutenção que, no dia 9, encontrou a droga escondida da fuselagem.

Exatamente à mesma hora, João Loureiro voava para S. Paulo para daí voltar para Lisboa. A informação foi confirmada à RTP pelos dois empresários do futebol que viajaram com ele, o que contraria o que João Loureiro disse à SIC.

À SIC João Loureiro confirma que, afinal, viajou naquele avião e que acabou por mudar de ideias depois de a data da partida ter sido adiada três vezes.

sábado, 20 de fevereiro de 2021

RUI PINTO E O AVIÃO COM 500KG DE COCAÍNA: "FUTEBOL E TRÁFICO DE DROGA LADO A LADO MAIS UMA VEZ"


Informático português recordou caso do motorista de Luís Filipe Vieira.

Rui Pinto utilizou as redes sociais para enviar uma nova provocação ao Benfica, fazendo alusão ao avião onde foram apreendidos 500 quilos de cocaína, no aeroporto de Salvador, na Bahia (Brasil). O 'hacker' português aludiu a um caso antigo envolvendo o antigo motorista de Luís Filipe Vieira.

Recorde-se que José Carriço, conhecido pela alcunha 'Zé do Benfica', foi condenado a sete anos e oito meses de prisão pelos crimes de tráfico de estupefaciente e posse de arma ilegal.

"Um Falcon 900B com 500 kg de cocaína a bordo, e escala programada para Cabo Verde, rota tradicional do tráfico internacional. Em 2015, a culpa caiu no motorista. Veremos se em 2021 a culpa irá também cair no piloto. Futebol e tráfico de droga lado a lado mais uma vez", escreveu no Twitter.

Logo depois, Rui Pinto voltou a visar o atual presidente do Benfica.

"Já em 2020, de acordo com informações que não consegui ainda confirmar, um dos detidos na Operação Catavento, era bastante próximo de LFV, e conduzia um veículo automóvel propriedade deste. Ligações, curiosidades ou simples coincidências? Veremos os próximos capítulos", acrescentou.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

JOÃO LOUREIRO IA VIAJAR NUM AVIÃO PRIVADO ONDE FORAM APREENDIDOS 500 KILOS DE COCAÍNA


Filho de Valentim Loureiro diz que "está a viver um autêntico filme" no Brasil.

João Loureiro, antigo presidente do Boavista e filho de Valentim Loureiro, era um dos passageiros que estava previsto viajar para Portugal num avião privado onde há uma semana foram apreendidos 500 quilos de cocaína, no aeroporto da Bahia.

À SIC, João Loureiro, que já tinha viajado para o Brasil no mesmo avião, garante ser completamente alheio ao que se passou e assegura que continua no Brasil à espera de ser ouvido pelas autoridades.

A Polícia Federal do Brasil apreendeu no dia 10 de fevereiro meia tonelada de cocaína escondida num avião particular que já tinha recebido autorização para descolar da cidade de Salvador com destino a Portugal, divulgaram esta quarta-feira as autoridades locais.

A droga foi encontrada, esta terça-feira, durante uma inspeção que agentes da Polícia Federal fizeram ao avião, que se encontrava na pista do Aeroporto Internacional de Salvador.

AERONAVE PERTENCE A UMA EMPRESA PRIVADA DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE AÉREO

A aeronave onde foram encontrados os 500 quilos de cocaína pertence a uma empresa privada que oferece serviços de transporte aéreo.

"As investigações continuarão para identificar os responsáveis pela carga ilícita, que poderão responder pelas acusações de tráfico internacional de drogas e associação com o narcotráfico, cujas penas combinadas podem chegar a 25 anos de prisão", informou o comunicado da Polícia Federal.

O Brasil é um importante intermediário nas rotas de embarque para a Europa da cocaína produzida nos país.

ANACOM ALERTA PARA FRAUDES COM FALSOS REPRESENTANTES A ATUAR EM NOME DA EMPRESA


Indivíduos que dizem pertencer à Anacom tentam convencer pessoas a celebrar novos contratos de comunicações.

A Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) alertou esta quinta-feira para situações de fraude promovidas por indivíduos que dizem pertencer à Anacom para convencer pessoas a celebrar novos contratos de comunicações.

"Nos últimos dias chegaram ao conhecimento da Anacom, através da linha de apoio, queixas de pessoas que foram abordadas por indivíduos que dizem ser da Anacom e que procuram obter vantagens comerciais, nomeadamente através da celebração de novos contratos de comunicações", alerta a entidade reguladora numa comunicação publicada no seu site.

Este tipo de fraude é recorrente, mudando apenas na forma de abordagem, sendo que desta vez os pretensos representantes da Anacom contactam as potenciais vítimas por telefone e apresentam como pretexto a realização de um estudo sobre a qualidade de acesso à Internet ou a celebração de contratos de comunicação.

Perante esta situação, a Anacom sublinha não estar a realizar quaisquer contactos desta natureza, "pelo que a informação prestada por estes indivíduos é falsa".

A Anacom alerta ainda que, perante uma ocorrência que possa configurar uma tentativa de fraude ou de burla, é fundamental alertar imediatamente as autoridades de segurança.

"Se for vítima destas práticas, recomendamos que apresente queixa junto da Polícia de Segurança Pública e da Guarda Nacional Republicana, ou pode contactar diretamente o Ministério Público ou o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) junto do tribunal da área onde os factos se verificaram", refere a mesma mensagem do regulador das comunicações.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

GABOU-SE DE ESTAR A CONDUZIR SEM CARTA EM DIRETO NO FACEBOOK. FOI MULTADO A SEGUIR


A denuncia foi feita por uma pessoa que estava a assistir à transmissão e a GNR acabou por intercetar o veículo.

A situação pode ser insólita: um jovem de 26 anos fez um direto para o Facebook a gabar-se que estava a conduzir na autoestrada sem carta de condução. Acabou por ser detido pela GNR, porque alguém que estava a assistir à transmissão denunciou-o às autoridades.

Seguia pela Via do Infante, no Algarve, com três amigos. De telefone na mão, o jovem gaba-se em direto para o Facebook da proeza de conduzir na autoestrada sem que tivesse habilitação legal para o fazer.

Disse de onde vinha e para ou ia. Alguém nas redes assistiu e, temendo o pior, pegou no telefone e denunciou o caso à GNR.

Bastou às autoridades visitar o perfil do suspeito para confirmar a denúncia e lançar uma operação de caça ao condutor, bloqueando as saídas da autoestrada até ao destino, que o próprio condutor tinha referido. Foi o destacamento de intervenção a cortar-lhe o caminho à chegada a Portimão.

Sem carta, sem seguro e ao telemóvel ao volante, em pleno confinamento. Menos de 24 horas depois do tal direto no Facebook, o Tribunal de Portimão condenou-o a uma multa de 970 euros ou a 100 dias de prisão.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

GNR DETÉM SUSPEITO DE TRÁFICO DE DROGA NA COSTA DA CAPARICA


A GNR deteve este sábado na Costa da Caparica, no concelho de Almada, distrito de Setúbal, um homem de 31 anos por suspeitas de tráfico de droga, revelou aquela força de segurança.

O Comando Territorial de Setúbal da GNR explica, em comunicado, que o homem foi detido por militares do Posto Territorial da Costa da Caparica, na sequência de uma ação de patrulhamento durante a madrugada.

"Os militares verificaram o suspeito a efetuar o transporte de objetos entre dois veículos, o que levantou algumas suspeitas", refere o comunicado.

Depois de ter sido abordado, o homem "simulou que se ia dirigir a uma das viaturas para recolher os seus documentos de identificação e, em ato contínuo, colocou-se em fuga", adianta a GNR.

A patrulha, de acordo com a força de segurança, efetuou "um seguimento", tendo conseguido "intercetar e deter o suspeito", que entretanto "sofreu um despiste e tentou continuar a fuga apeado".

Segundo a GNR, foram apreendidas ao suspeito 58.900 doses de haxixe, duas viaturas, uma faca, seis telemóveis e 248 euros em numerário.

PRISÃO PREVENTIVA PARA SUSPEITO DE TRÁFICA DE DROGA NA COSTA DA CAPARICA

O Tribunal Judicial de Almada decretou a prisão preventiva do homem de 31 anos detido este sábado pela GNR na Costa da Caparica (Setúbal), por suspeitas de tráfico de droga, revelou aquela força de segurança.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

CARLOS CÉSAR E O FILHO INVESTIGADOS POR SUSPEITAS DE FAVORECIMENTO DE EMPRESAS


Podem estar em causa crimes de corrupção, abuso de poder e branqueamento de capitais.

O antigo presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, e o filho, Francisco César, estão a ser investigados por suspeitas de favorecimento de empresas privadas.

A investigação está a cargo do Departamento de Instigação e Ação Penal de Ponta Delgada. Segundo o que o Correio da Manhã avança, estarão a ser investigados negócios com o Governo dos Açores, na altura em que Carlos César liderava o executivo regional.

Em causa podem estar crimes de corrupção ativa e passiva, abuso de poder e branqueamento de capitais. Além de Carlos César e do filho, estarão também a ser investigados empresários locais da área da hotelaria.

Ao que a SIC apurou, não foram constituídos arguidos e o inquérito está sujeito a segredo de justiça.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

PRIMEIRA SUBSTÂNCIA À BASE DE CANÁBIS MEDICINAL APROVADA EM PORTUGAL


A Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) aprovou a primeira substância à base da planta da canábis para fins medicinais em Portugal, anunciou a empresa Tilray, responsável pela produção.

"Esta é a primeira e única preparação ou substância à base da planta da canábis para fins medicinais permitida no nosso país e estamos a planear num futuro próximo tornar outros produtos acessíveis aos doentes em Portugal", sublinhou Rita Barata, diretora geral da Tilray Portugal, instalada em Cantanhede, em comunicado enviado à agência Lusa.

Segundo a responsável, as exigências dos doentes estão a aumentar "e a missão da Tilray é disponibilizar os produtos mais seguros e de melhor qualidade que satisfaçam ao máximo as suas necessidades".

Em Portugal, a utilização de preparações e substâncias à base da planta da canábis para fins medicinais está aprovada para várias indicações, "nos casos em que se determine que os tratamentos convencionais não produzem os efeitos esperados". Entre as várias utilizações, está a dor crónica (associada a doenças oncológicas ou ao sistema nervoso), espasticidade associada à esclerose múltipla ou a lesões da espinal medula, náuseas e vómitos (resultantes da quimioterapia, radioterapia e terapia combinada de HIV e medicação para a hepatite C) e estimulação do apetite nos cuidados paliativos de doentes sujeitos a tratamentos oncológicos ou com SIDA.

"A conclusão deste processo de aprovação confirma os padrões de qualidade e segurança da produção da Tilray", frisa o comunicado, acrescentando que "esta é a primeira vez que é exigido e entregue um dossiê completo de qualidade para obter a autorização de comercialização de uma substância à base da planta da canábis".

Sascha Mielcarek, diretor geral da empresa na Europa, salienta que a autorização do Infarmed "confirma que os produtos de canábis medicinal da Tilray estão à altura dos mais altos padrões nacionais e internacionais".

A empresa é pioneira mundial na investigação, cultivo, produção e distribuição de canábis medicinal, tendo os seus produtos disponíveis em 16 países do mundo. A unidade de produção em Cantanhede possui todas as certificações necessárias para cultivar e produzir localmente preparações e substâncias à base de canábis para fins medicinais e exportar produtos acabados com certificação de Boas Práticas de Produção para toda a União Europeia e outros mercados internacionais que tenham a utilização da planta regulamentada.

sábado, 23 de janeiro de 2021

ADRIANO GANHOU O TOTOLOTO MAS MORREU NA MISÉRIA


Adriano Casal recebeu um prémio de 73 mil contos, aproximadamente 400 mil euros, no jogo. Pouco tempo depois, voltou a ficar sem nada.

«Tentaram-me dar a volta, dei tudo, só comprei uma mota», confessou, há dias no programa da manhã da TVI, o homem que chegou a trabalhar para a Junta de Freguesia de Esmoriz.

Vivia na miséria, numa casa sem condições, com 80 euros por mês: «Tenho dias que não como, já estou habituado».

Na TVI, Maria Botelho Moniz e Cláudio Ramos souberam da história e mostraram-se inconformados com a situação de Adriano Casal, mas esta manhã, informaram que o homem que sensibilizou o público e gerou uma onda de solidariedade à sua volta, faleceu vítima de paragem cardiorrespiratória.

Houve um momento na vida de Adriano Casal, 67 anos, em que o conceito de justiça divina quis dar um ar da sua graça. Era 2001, agosto de 2001, um sábado. Mais um sábado em que Adriano, então com 48 anos, andava pelas redondezas do Parque João de Deus, em Espinho, “a guardar uns carritos”. Mais um sábado em que deu um salto ao café com o colega que todas as semanas, naquele dia, fazia questão de lhe pagar o galão.

Foi quando se lembrou de perguntar pelos números do Totoloto. “Ele foi buscar o jornal e começou a dizer-me os números. E eu a ver o 17, o 19, o 21… eu sabia que jogava naqueles números. Achei que tinha para aí um três ou um quatro. Já dava para o lanchezinho e para o tabaquito, pensei.” O colega nem quis crer. “Tens agora…”, duvidou. E ele lá foi ligeirinho, ao “quartito” onde vivia na altura, perto do tribunal, buscar o boletim que haveria de tirar a teima.

Adriano equivocou-se, sim, mas só por defeito. Porque os “três ou quatro números” que lhe dizia terem saído eram afinal sete. “0 17, o 19, o 21, o 23, o 24, o 26, o 27.” Nunca mais os esqueceu. Como podia, se o palpite certeiro lhe valeu 400 mil euros, 300 e muitos milhares após impostos. “Saíram-me 73 mil contos, menina”, recorda Adriano, um sorriso tímido a denunciar um misto de júbilo e vergonha.

Logo a ele, que nunca antes soube o que era a sorte. Logo ele que, em 1979, quando trabalhava numa fábrica de alumínios em Grijó, sofreu um acidente tão aparatoso que pouco lhe restou do que era a vida até aí. O pai e o colega, com quem seguia para Lisboa de madrugada, numa viagem de trabalho, morreram logo ali. Ele ficou em coma, uns três meses, diz. “Quando acordei nem sabia que namorava.”

Acabaria por recuperar a memória, não o trabalho. Deram-lhe a invalidez. Foi fazendo uns biscates. Passado uns tempos casou. E teve uma filha. Mas seis anos depois a mulher deixou-o. Ele cambaleou. Durante uns tempos ainda tinha o dinheiro do seguro a servir de bengala. Depois até isso perdeu. E o caminho estreitou-se perigosamente.

“Arrumei carros, passei fome, cheguei a dormir na rua. Andei por aí ‘ó tio, ó tio’”, lembra, um travo de amargura na voz. Com a filha ainda ia estando, enquanto ela ficou com os avós maternos (a mãe tinha emigrado para a Alemanha com o novo companheiro). Mas depois também ela se mudou para Itália. “Nunca mais a vi. Sei que já tenho um neto mas nunca o vi. É um desgosto que tenho.”

Foi por isso, pelo acidente que lhe levou o trabalho, pela mulher que o deixou, pela filha que não viu mais, pela fome que passou e por tudo o resto que aquele sábado pareceu obra de uma justiça divina. Ele garante que não se perdeu em euforias ainda assim. “Se quer que lhe diga acho que fiquei normal, parecia que mesmo assim não acreditava.” Mas a vida mudou num repente. “Vinha toda a gente ter comigo, falar-me no prémio, pedir dinheiro. E eu dava. A tudo e a todos. Pediam-me 500 e eu dava 1000.”

Chegou a querer oferecer um carro a uma jovem que o ajudou nos tempos da penúria. Ela é que nunca aceitou. Com outros não teve tanta sorte. A dada altura comprou uma casa. E um casal que se dizia amigo – era, afinal, o oposto disso, como haveria de perceber demasiado tarde – prometeu-lhe comida, dormida e companhia até morrer, caso Adriano aceitasse passar a casa para o nome deles. Estranhamente, ele acedeu.

“Sempre fui um gajo de coração aberto, mole. E na altura não tive ninguém ao meu lado, que me ajudasse, que me aconselhasse.” Só assim se explica que não tenha visto o conto do vigário a anunciar-se. Nem um ano depois, tinham-no posto fora de casa. Do grande prémio que tinha recebido já nada restava. “Eu digo-lhe, se gastei uns dez mil contos comigo foi muito. Comprei a casa, uma motinha e emprestei a muita gente.”

Certo é que ano e meio volvido desde aquele sábado aconchegante de agosto, lá estava ele, de volta à rua, a arrumar carros, por vezes a comer uma única sande em todo o dia, aquela ilusória promessa de justiça divina a revelar-se só uma falácia monumental, como se o universo se risse dele a bandeiras despregadas. Em janeiro de 2004, era notícia no JN. “Arrumador regressa à rua depois de ter ganho totoloto.” Na altura, supostos amigos garantiam que parte da fortuna tinha sido gasta no jogo e em mulheres. Ele nega tudo. “Nunca fui gajo de vícios. Nem álcool, nem droga. O único vício que tenho é o tabaquito.”

Desde então, foi resistindo como pôde. Depois de anos na rua, a “viver com o dinheiro dos carritos”, teve a ajuda do Centro Social de Paramos (Espinho), onde chegou a pernoitar. Mais tarde, do Centro de Assistência Social de Esmoriz. Foram eles que o ajudaram a encontrar a casinha onde reside agora, um rés-do-chão lúgubre e pouco acolhedor, que lhe permite viver em paz com uma cadela e duas gatas. Desde dezembro que vai recebendo a reforma. 300 e poucos euros, dos quais mais de 200 vão diretos para a renda da casa e despesas.

“Sobram-me 80 euritos, que mal ou bem vão dando para aquilo que eu preciso.” Tantos anos depois, continua a jogar, agora no Euromilhões, com cinco dos sete números que há 19 anos lhe valeram o grande prémio. “Todas as semanas. Eu sei que é um bocadinho impossível voltar a sair, mas não há uma sem duas, não é?” E se o impossível acontecesse, voltava a dar a torto e a direito? “Se quer que lhe diga acho que sim. Eu sou assim. Dou até ao último tostão. Tinha só mais cuidado com os oportunistas.”

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

COSTA FOI APANHADO EM ESCUTAS TELEFÓNICAS NO CASO DO HIDROGÉNIO VERDE


Presidente do Supremo Tribunal de Justiça mandou eliminar escutas, mas Ministério Público recorreu.

O primeiro-ministro foi apanhado acidentalmente em escutas telefónicas no caso do hidrogénio verde.

De acordo com o jornal Expresso, António Costa foi ouvido em conversas telefónicas com o ministro do Ambiente Matos Fernandes que era o alvo do Ministério Público.

As duas escutas, segundo fonte judicial citada pelo semanário, foram mandadas destruir pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça. António Piçarra considerou que não tinham indício criminal relevante, mas o Ministério Público recorreu da decisão.

Agora será um juiz conselheiro a decidir se serão destruídas ou se se juntam ao processo em que estão a ser investigados João Galamba e Siza Vieira.

O secretário de Estado-adjunto e da Energia e o ministro da Economia ainda não foram constituídos arguidos. Serão suspeitos de favorecer um consórcio que pretende criar em Sines um projeto industrial de hidrogénio verde.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

CARRINHA DE TRANSPORTE DE VACINAS DA COVID-19 DESPISTA-SE NA A2


O acidente que ocorreu no sentido Norte/Sul, ao quilómetro 60, causou um ferido.

Uma carrinha com vacinas despista-se na A2. O acidente provocou um ferido ligeiro, confirmou ao DN fonte oficial da GNR. A viatura que transportava as vacinas contra a covid-19 tinha como destino Ourique, no distrito de Beja.

O ferido ligeiro é o condutor da carrinha, que foi embater no separador da autoestrada.

O acidente ocorreu no sentido Norte/Sul, ao quilómetro 60 da A2. A viatura que transportava as vacinas contra a covid-19 vinha de Coimbra e tinha como destino Ourique, no distrito de Beja.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

LUCÍLIA GAGO ORDENOU UMA AVERIGUAÇÃO À ATUAÇÃO DA PROCURADORA QUE MANDOU VIGIAR JORNALISTAS


O objetivo é apurar se há motivo para um processo disciplinar. 

A ministra da Justiça não comentou a atuação da procuradora responsável pelas vigilâncias a dois jornalistas e remeteu explicações para o Conselho Superior do Ministério Público.

A Procuradoria-Geral da República respondeu, entretanto, à SIC para confirmar que Lucília Gago ordenou um processo de averiguação à atuação da procuradora em causa. O objetivo é apurar se há motivo para um processo disciplinar.

A magistrada que ordenou as vigilâncias devido a notícias sobre o processo E-Toupeira decidiu alargar também à Operação Lex, a investigação às suspeitas de violação do segredo de justiça.

O QUE ESTÁ EM CAUSA

Antigo Procurador-Geral da República, Souto de Moura, agora jubilado, foi há dois anos o rosto mais visível das buscas à casa do presidente do Benfica e do na altura juiz da Relação de Lisboa Rui Rangel, à época apenas suspeitos na Operação Lex.

Ainda as buscas decorriam e já pormenores sobre o processo surgiam na Comunicação Social. O que leva, ano e meio depois, a procuradora Andrea Marques a alargar a este caso as suspeitas iniciais de violação do segredo de justiça no processo E-Toupeira.

Indícios que já a tinham levado a ordenar à PSP vigilâncias a dois jornalistas.

Num documento a que a SIC teve acesso, a magistrada diz que durante a investigação principal foi possível recolher elementos que levantam suspeitas sobre a forma como a informação de buscas no caso Lex pode ter chegado antecipadamente ao jornalista da Sábado.

A procuradora entende que há uma coincidência de intervenientes de um eventual modus operandi e de um período temporal que envolve notícias sobre a Operação Lex.

O alargamento da investigação já levou também a procuradora a importar para o processo os relatórios das buscas às casas de Luís Filipe Vieira, de Rui Rangel e da juíza Fátima Galante. Todos arguidos e desde setembro acusados na Operação Lex.

A investigação inicial levou à vigilância com fotografias e até ao levantamento do sigilo bancário de um dos jornalistas sem a ordem de um juiz de instrução.

A ministra da Justiça não comenta a atuação da magistrada e remete explicações para o Conselho Superior do Ministério Público. O órgão disciplinar dos procuradores não respondeu à SIC.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

CHEGA PEDE DEMISSÃO DE MINISTRA DA JUSTIÇA POR POLÉMICA SOBRE PROCURADOR EUROPEU


                         Partido fala de episódio muito grave.

O Chega pediu esta sexta-feira a demissão da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, devido à polémica em torno de incorreções no currículo de José Guerra, escolhido para procurador europeu.

"Confirmadas que estão as notícias vindas a público, segundo as quais o Governo condicionou e adulterou o CV de um magistrado que queria nomear para o cargo de procurador europeu, não basta a palavra do Ministério da Justiça em como vão ser corrigidas as falsidades. Trata-se de um episódio extraordinariamente grave", afirma o partido num comunicado divulgado hoje.

A SIC e o Expresso noticiaram que, numa carta enviada para a União Europeia (UE), o executivo apresenta dados falsos sobre o magistrado preferido do Governo para procurador europeu, José Guerra, depois de um comité de peritos ter considerado Ana Carla Almeida a melhor candidata para o cargo.

Na carta, a que os dois órgãos tiveram acesso, José Guerra é identificado com a categoria de "procurador-geral-adjunto", que não tem, sendo apenas procurador, e como tendo tido uma participação "de liderança investigatória e acusatória" no processo UGT, quando foi o magistrado escolhido pelo Ministério Público para fazer o julgamento e não a acusação.

Depois das notícias, o Ministério da Justiça admitiu "dois lapsos" no currículo que divulgou de José Guerra, considerou que não foram determinantes para a escolha, mas disse que vai diligenciar para que sejam corrigidos.

"A manipulação do CV com objetivos políticos por parte do Ministério da Justiça ultrapassa todos os limites aceitáveis, pelo que a Ministra da Justiça não tem, objetivamente, condições para continuar no cargo", considera o Chega.

Segundo o comunicado do partido, "António Costa deve proceder urgentemente a uma profunda remodelação do governo, que inclua pelo menos o Ministro da Administração Interna e a Ministra da Justiça".

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

POLÉMICA COM PROCURADOR EUROPEU. PORTUGAL DEU INFORMAÇÕES FALSAS SOBRE JOSÉ GUERRA


Nomeação tem gerado polémica.

O Governo deu informações falsas ao Conselho da União Europeia para justificar a escolha do representante português na Procuradoria Europeia.

Numa carta a que a SIC teve acesso, José Guerra é promovido a procurador-geral adjunto, cargo que não tem, e é ainda dito que liderou a investigação do chamado processo UGT, quando isso não é verdade.

Contactado pela SIC, e alegando dever de reserva, o Ministério da Justiça não quis confirmar nem desmentir que esta foi de facto a informação prestada pelos seus serviços ao Conselho.

A nomeação de José Guerra tem gerado polémica.

Portugal foi um dos três países que não aceitou a decisão do Comité de Seleção Internacional, que tinha escolhido outra procuradora para ocupar o lugar.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

MENSAGEM DE NATAL DE COSTA: AGRADECIMENTOS E ERROS DURANTE "O MAIOR DESAFIO DAS NOSSAS VIDAS"


Primeiro-ministro admite erros no combate à pandemia.

O primeiro-ministro, António Costa, centrou toda a mensagem de Natal na pandemia. Agradeceu a todos os portugueses pela capacidade de sacrifício. No entanto, deixou um agradecimento especial aos profissionais de saúde que "dia e noite" dão o seu melhor para tratar os doentes. Reconheceu também erros do Governo.

Num discurso ao país de quase nove minutos, António Costa começou por dizer que estamos a viver "o maior desafio das nossas vidas", referindo-se à pandemia, que afetou todo o mundo durante o ano de 2020, um "ano de combate, dor e resistência".

Aos portugueses, "um povo que soube manter-se coeso", dirigiu uma mensagem de gratidão, solidariedade e esperança pela "capacidade de adaptação e sacrifício", pela determinação, disciplina e responsabilidade cívica. Apelou também ao cumprimento das regras até "à extinção da pandemia" para salvarmos vidas, perante um "vírus inesperado e desconhecido".

Na mensagem em que desejou um Feliz Natal e um promissor ano de 2021, o primeiro-ministro disse estar grato aos que "prestam assistência a quem mais precisa", especificando os funcionários de lares e da segurança social, militares das forças armadas, elementos das forças de segurança, professores "que nunca abandonaram os alunos, mesmo quando as escolas tiveram de fechar", comunidade científica e a todos os trabalhadores do ramo da indústria, agricultura e comércio que, desde março, garantem que nada falta aos portugueses.

No entanto, António Costa quis expressar a sua gratidão de um "modo muito especial" aos profissionais de saúde que "dia a noite" dão o melhor para tratar os doentes. Como exemplo desse profissionalismo, destacou alguns com quem contactou. Foi o caso da Dra. Margarida Tavares, do Hospital de S. João, no Porto, que lhe explicou "com um brilho nos olhos", em março, os desafios do tratamento dos doentes infetados com covid-19, e da enfermeira Marisa Chainho, do serviço de infeciologia do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, que, sem ir a casa há várias noites, lhe falou da história dos primeiros doentes covid naquela unidade.

"São dois exemplos entre tantos, tantos outros, que diariamente constroem essa magnifica obra coletiva que é o Serviço Nacional de Saúde. A todos a minha, nossa, gratidão", afirmou o primeiro-ministro da mensagem de Natal.

António Costa expressou também solidariedade a todas as famílias enlutadas que perderam entes queridos por causa da pandemia, às famílias que têm familiares doentes ou em isolamento profilático, às famílias de emigrantes que não puderam vir a Portugal este ano. Deixou também um "abraço fraterno e caloroso" a todas as famílias "num Natal celebrado de forma diferente" a a todos os que sofrem as consequências económicas e sociais da pandemia.

"Tenho bem consciência da dureza de muitas das medidas que tivemos de tomar ao longo deste ano, limitando liberdades, proibindo atividades ou forçando o adiamento de projetos de vida para podermos defender a saúde pública, conter a transmissão do vírus, garantir a capacidade de resposta dos serviços de saúde e, fundamentalmente, para salvar vidas", realçou.

No entanto, acrescentou que tem também a consciência do "impacto profundo" na vida de todos: no convívio social que teve de ser abdicado, dos afetos que não foram manifestados e na economia, com empresários a lutarem pela sobrevivência das empresas e trabalhadores que perderam ou temem perder o emprego.

Na mensagem de Natal dirigida aos portugueses, o primeiro-ministro garantiu que o Governo tem procurado responder com equilíbrio e bom senso à novidade e ao imprevisto e admitiu erros.

"Não fizemos tudo bem, cometemos erros. Só não erra quem não faz", disse, acrescentando que "o que aconteceu no último ano, veio confirmar a necessidade de reforço do Serviço Nacional de Saúde.

Para finalizar, o primeiro-ministro quis deixar uma mensagem de esperança, com a aproximação de um novo ano e do início da vacinação contra a covid-19.

"Menos sendo faseado e prolongado, dá-nos renovada confiança de que é possível debelar a pandemia graças à ciência", disse.

António Costa disse ainda que, em 2021, Portugal vai contar com uma "solidariedade reforçada da União Europeia para apoiar o esforço nacional de iniciar uma "recuperação sustentada que permita superar as dificuldades que vivemos enfrentarmos os problemas estruturais" do país.

"Definimos uma visão estratégica para o futuro de Portugal e dispomos dos meios para a podermos concretizar, abrindo às novas gerações o horizonte de um país mais justo, próspero e moderno", acrescentou.

O primeiro-ministro assegurou também que "neste tempo tão duro e exigente" é uma honra poder estar "ao serviço de Portugal".

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

MORTE DE MAIS DE 500 ANIMAIS GERA ONDA DE REVOLTA


Mais de 500 animais, entre veados e javalis, foram mortos na passada semana, numa montaria na Quinta da Torre Bela, no concelho da Azambuja. O abate, divulgado nas redes sociais pelos caçadores, gerou uma onda de indignação e levou políticos e ambientalistas a criticarem a situação.

A notícia foi avançada pelo jornal online "Fundamental", que adianta que a montaria – ato de caçar - foi levada a cabo por cerca de 16 caçadores que abateram 540 animais.

"Conseguimos de novo! 540 animais com 16 caçadores em Portugal, um recorde numa super montaria", diz na publicação nas redes sociais, citada pelo jornal. Esta ação não terá sido do conhecimento das autoridades locais.

A publicação foi acompanhada de várias imagens que mostram os animais estendidos no chão, mortos.

Num comunicado, a autarquia da Azambuja esclareceu que não foi informada sobre esta montaria e que "só tomou conhecimento da mesma através das redes sociais". Adiantou ainda que a autorização para caça no local tem de ser dada pelo ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

A autarquia já avançou com "uma comunicação" ao ICNF e ao Ministério da Agricultura, para que "estas entidades verifiquem a legalidade" desta situação.

As críticas

O PAN recorreu às redes sociais para criticar a situação, apelando à "regulamentação apertada" para o setor da caça.

"Matar por regozijo e desporto é desumano", disse a direção nacional do Partido Pessoas Animais e Natureza, adiantando que vão questionar as entidades competentes para exigir responsabilidades pelo acontecido.

Também o PSD da Azambuja reagiu no Facebook, onde exigiu garantias da preservação animal.



A Juventude Socialista da Azambuja condenou a "chacina":

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

ELISA FERREIRA AFIRMA QUE "PORTUGAL AINDA É UM PAÍS ATRASADO"


A comissária europeia Elisa Ferreira assinalou esta segunda-feira, num evento online, que, "ao fim destes anos todos de apoio maciço de fundos estruturais, Portugal ainda é um país atrasado", e apelou a "uma leitura territorializada das políticas".

Defendendo que "é importante" refletir sobre "as opções que o país tem" no contexto do plano de recuperação da União Europeia (UE) para Portugal, Elisa Ferreira - oradora num evento organizado pela Representação da Comissão Europeia em Portugal e pelo Portugal Network - reconheceu que "há coisas que têm de ser corrigidas" e que a aplicação dos fundos europeus "tem de ser radicalmente diferente da reprodução do passado".

Em concreto, "tem de ser muito mais ambiental, muito mais digital, muito mais equilibrada, social e espacialmente", detalhou.

"A nível nacional é altura de muito seriamente se pensar o que o país quer ser", instou a comissária portuguesa, responsável pela Coesão e Reformas no executivo comunitário.

Essas "opções" que o país tem de tomar "passam por reconhecer que há uma região rica e que o resto do país é toda uma região pobre", avaliou.

Doutra forma, alertou, Portugal corre o "risco" de continuar a figurar entre os "países em transição" e "a ser ultrapassado por muitos outros" Estados-membros da União Europeia.

Elisa Ferreira frisou que a concentração nos polos mais dinâmicos "não resulta", defendendo que deve ser feita "uma leitura territorializada das políticas e uma conceção equilibrada do território, nomeadamente valorizando cidades intermédias, tornando o país mais resiliente".

Lembrando que "o PIB [Produto Interno Bruto] per capita" de Portugal "é extraordinariamente baixo ou muito baixo", a comissária sublinhou que, por muito que Lisboa cresça, "o resto do país pesa demasiado para permitir que o país arranque".

Elisa Ferreira realçou ainda que o acordo sobre o plano de recuperação económica e social da UE para superar a covid-19, alcançado em Bruxelas na sexta-feira, é importante, "mas ainda há todo um processo" de ratificação por parte dos parlamentos nacionais.

A UE, frisou, teve uma "resposta adequada a uma situação de enorme emergência" e fez "algo que nunca tinha acontecido na história dos fundos estruturais", permitindo a reprogramação e a realocação de fundos não utilizados para "despesas de emergência", deixando ao critério dos Estados onde os utilizar.

Perante isto, considerou, os Estados-membros têm "uma oportunidade única para lançarem reformas", desde a administração pública à adequabilidade energética dos edifícios.

Os Encontros do Portugal Network -- que decorrem até quarta-feira, transmitidos em direto nas redes sociais da Representação da Comissão em Portugal e na página do Portugal Network -- têm como finalidade aproximar as instituições europeias e empresas, associações, organizações e outras entidades portuguesas, através do diálogo sobre os planos e as ações da União Europeia que têm impacto em Portugal.

CRISTINA FERREIRA ARRASADA DEVIDO À SAÍDA DE ISABEL DA TVI: "A RAINHA DAS CUNHAS"

Cristina Ferreira  está a ser duramente criticada nas redes sociais devido à saída da apresentadora  Isabel Silva  da TVI. Isto porque decid...