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quinta-feira, 15 de outubro de 2020

PREPAREM OS BOLSOS, AS MULTAS ESTÃO A CAMINHO

 


O ministério da Finanças esclareceu que a previsão de receita com multas de trânsito para 2021 não representa um acréscimo superior a 5.500%, mas sim de 6,7%. O esclarecimento surge na sequência de números noticiados pelo jornal Público, e que o Observador citou.

O Governo tem uma expectativa de que as forças de segurança irão cobrar, ao longo de 2021, uma valor na ordem dos 93 milhões de euros em multas de trânsito. O jornal Público adiantou que o valor correspondia a cerca de 58 vezes mais a receita (de 1,6 milhões) estimada para o orçamento de 2020, isto é, um aumento de mais de 5.500%. Mas a forma de apresentar os mapas de despesa e receita do Estado mudou devido à nova lei de enquadramento orçamental, pelo que não foram somados todos os valores que tornam os valores comparáveis de um ano para o outro.

Ou seja, a previsão de receita de trânsito para 2020 é de 87,3 milhões de euros e não de 1,6 milhões como escrevia o Público e o Observador citou. Assim, a variação de um ano para o outro é de 6,7 e não de 5.514%. Numa resposta dada ao Observador, fonte oficial das Finanças adiantou que a Direção-Geral de Orçamento vai publicar no site uma nota de esclarecimento sobre o assunto.

Aliás, os dados mais recentes que constam na Síntese de Execução Orçamental, até agosto, dão conta que, até esse mês, a receita do Estado com multas de trânsito ascenda a 48,9 milhões de euros.

Também no que diz respeito ao número global de receitas com taxas, multas e penalidades, os números não batem certo. O Orçamento do Estado para 2021 prevê arrecadar 3.175 milhões de euros em taxas, multas e outras penalidades. Segundo as contas do Público, este valor correspondia a um aumento de 826,7 milhões de euros, ou 35,2%, face à receita estimada para o corrente ano (2.348 milhões). Só que este valor que consta dos mapas do Orçamento para 2020, não está completo. Faltava incluir outros 1.010 milhões de euros relativos às receitas dos "serviços integrados". Ou seja, a previsão total de receita era de 3.358 milhões. 

A realidade da pandemia veio "corrigir" a previsão do Estado para esse valor total. No relatório que acompanha a proposta de OE para 2021, a previsão que as Finanças fazem agora para o total de receitas com multas, taxas e outras penalidades em 2020 é de 2.799 milhões de euros. Ou seja, face ao que pensava no final de 20219 (quando elaborou o OE para 2020) o Estado pensa agora que vai fechar este ano com menos 559 milhões de euros em multas e outras penalidades.

Logo, a variação de 2020 para a previsão de 2021 é de 13,4%, e não de mais de 35%.

Ainda sobre as multas de trânsito, a partir do próximo ano vai haver radares para medir a velocidade média entre um ponto e outro de um determinado trajeto. Como noticiou o Jornal de Noticias, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária vai avançar, ainda este ano, com a compra de 30 radares, sendo que 10 deles vão ter a particularidade de medir não só a velocidade a que os condutores vão quando passam pelo aparelho mas, também, a velocidade média a que os veículos percorrem um determinado trajeto.

O presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) admite mesmo que os primeiros já estejam a funcionar em 2021, embora o processo de aquisição implique um concurso internacional que ainda não está fechado. Para os peritos em segurança na estrada, este tipo de radares é o instrumento mais eficaz contra o excesso de velocidade. Trata-se de 10 radares deste género, que se irão juntar aos atuais 40 radares de medição instantânea que existem atualmente nas estradas, e que serão colocados em 20 locais diferentes. "Dez estarão permanentemente ativos e outros 10 em stand by", explica a ANSR.

Ou seja, os condutores serão informados da aproximação de uma zona de velocidade controlada mas não saberão ao certo se nessas zonas o radar está ativo ou não. Se estiver ativo, o que o radar fará é anotar a velocidade a que o veículo entrou no troço e, depois, a velocidade a que ia quando saiu do troço. Se percorreu a distância em menos tempo do que o mínimo necessário para cumprir o limite de velocidade, então considera-se que ultrapassou o limite de velocidade permitido por lei e inicia-se o processo de coima.

ELTON JOHN TEM DE PAGAR INDEMNIZAÇÃO A EX-MULHER

 


Elton John terá de pagar à ex-mulher depois de esta o ter processado pelas revelações que constam na autobiografia 'Eu, Elton John'. 

Renate Blauel acusou o músico de ter violado o acordo que fizeram quando se separaram, estando em desacordo com alguns factos que Elton John abordou na obra. 

Sabe-se agora que, da sua fortuna, avaliada em 354,8 milhões de euros, 3,3 milhões de euros serão pagos à alemã, com quem subiu ao altar em 1984 e se divorciou poucos meses depois. 

FÃS DE CRISTINA FERREIRA DEIXAM VÁRIAS TELEVISÕES LIGADAS PARA AJUDAR NAS AUDIÊNCIAS

 


A apresentadora da TVI partilhou mensagens de seguidores que garantem deixar várias televisões ligadas para Cristina Ferreira ganhar à SIC.

Um movimento nunca visto antes: vários seguidores de Cristina Ferreira querem que a “loira da Malveira” e a TVI ganhem nas audiências, nomeadamente à SIC, que ocupa o primeiro lugar e, para isso, estão a deixar várias televisões ligadas.


O problema é que as audiências só são medidas com aparelhos ligados em casa dos telespetadores, dos quais se retira uma amostra. Os fãs de Cristina Ferreira até podem ter várias televisões sintonizadas no mesmo canal mas, sem o referido aparelho, um audiómetro, as audiências não são contabilizadas.


Ainda assim, a diretora do canal de Queluz de Baixo destacou esta “onde de amor” que pretende que a TVI vença a SIC e volte a ocupar o primeiro lugar enquanto canal preferido dos portugueses.






MULTA ATÉ 500 EUROS SE NÃO USAR MÁSCARA OU SE NÃO TIVER O STAYAWAY COVID

 


O Governo entregou esta quarta-feira, no parlamento, a lei que torna obrigatório o uso de máscara na rua e a "utilização Stay away covid em contexto laboral ou equiparado, escolar e académico", sob pena de multa até 500 euros.

O executivo tem urgência na discussão deste diploma e propôs que seja debatido na quinta-feira, 23 de outubro, disse à Lusa fonte governamental.

No texto, a que a Lusa teve acesso, prevê-se um regime de multas entre os 100 e os 500 euros para os casos de incumprimento da lei.

O artigo 4.º da lei define que "é obrigatória, no contexto laboral ou equiparado, escolar e académico, a utilização da aplicação StayAway Covid pelos possuidores de equipamento que a permita".

E determina-se que esta obrigatoriedade "abrange em especial os trabalhadores em funções públicas, funcionários e agentes da Administração Pública, incluindo o setor empresarial do Estado, regional e local, profissionais das Forças Armadas e de forças de segurança".

Uma terceira disposição prevê que o utilizador com um caso confirmado deve, "nos termos definidos pela DGS", preencher os códigos na aplicação.

GOVERNO MOBILIZA TODOS OS POLICIAS PARA FISCALIZAR SE OS PORTUGUESES TÊM O APP NOS TELEMÓVEIS

 


O Governo vai colocar todas as autoridades policiais a fiscalizar os portugueses que, tendo telemóvel, não tenham instalado a aplicação "Stay Away Covid".

As multas previstas podem ir até aos 500 euros. Na proposta de lei que o Executivo entregou na quarta-feira à noite no Parlamento, e a que o JN teve acesso, é dito que será "obrigatória, no contexto laboral ou equiparado, escolar e académico, a utilização da aplicação "StayAway Covid" pelos possuidores de equipamento que a permita".

Para isso, a fiscalização do cumprimento da nova lei irá competir "à Guarda Nacional Republicana, à Polícia de Segurança Pública, à Polícia Marítima e às polícias municipais", refere o documento.

O Executivo liderado por António Costa propõe também a que todos os funcionários públicos e equiparados sejam forçados a instalar a aplicação. A obrigatoriedade "abrange em especial os trabalhadores em funções públicas, funcionários e agentes da Administração Pública, incluindo o setor empresarial do Estado, regional e local, profissionais das Forças Armadas e de forças de segurança", especifica a proposta de lei.

Na quarta-feira, a Comissão da Proteção de Dados chumbou em toda a linha a intenção do Governo de obrigar ao uso da aplicação "StayAway Covid", que desde o final de agosto já foi descarregada 1,2 milhões de vezes. "Graves questões relativas à privacidade", "fortes reservas no plano ético" e legislação "dificilmente exequível" são as falhas que a entidade responsável por zelar pela privacidade dos portugueses voltou a apontar, num dia em que o país bateu um recorde de novas infeções (2072).

Na origem da reação está a garantia de António Costa, ontem após o Conselho de Ministros que declarou a situação de calamidade [ler ao lado], de que o Governo vai pedir ao Parlamento "uma tramitação de urgência para que seja imposta a obrigatoriedade de uso da máscara na via pública" e "também da aplicação StayAway".

Para a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), "impor por lei a utilização da aplicação "StayAway", seja em que contexto for, suscita graves questões relativas à privacidade dos cidadãos, retirando-lhes a possibilidade de escolher, se assim entenderem, não ceder o controlo da sua localização e dos seus movimentos a terceiros". A CNPD lembrou ainda, ao JN, as reservas que teve quando se pronunciou sobre o lançamento da app e vincou a necessidade de ter um "caráter voluntário". Mas a entidade vai mais longe: "Nenhum país, de um total de 55 países aderentes à Convenção de Proteção de Dados, implementou com caráter obrigatório este tipo de aplicação".

"Voluntária" e "segura"

O primeiro-ministro, que tem apelado ao uso da app - que descreveu como "essencial, voluntária, confidencial e segura" -, frisou que a imposição seria "em contexto laboral, escolar e académico, nas Forças Armadas e nas de segurança, e no conjunto da administração pública". Fonte do Governo explicou ao JN que, dada a "sensibilidade do tema", Costa quer o Parlamento a decidir. Mas os partidos estão relutantes.

Entre os constitucionalistas, se a obrigação do uso da máscara é consensual, a da aplicação levanta mais dúvidas. Jonatas Machado e Bacelar Gouveia consideram que "pela proteção das pessoas" a constitucionalidade da app não gerará dúvida. Já para Reis Novais, "o Governo não pode impor a aquisição de um telemóvel de última geração e de um sistema operativo que permita o uso da app": "Como seria uma norma inconstitucional, espero que tenha sido um lapso de comunicação do primeiro-ministro".

É esta dúvida que quatro das bancadas levantam. Fonte do BE assumiu, ao JN, que "seria de difícil exequibilidade e inaceitável num Estado de Direito" tal obrigação. Assim como a centrista Ana Rita Bessa, que vincou ser "complicado juridicamente" a imposição da app.

Ao JN, Bebiana Cunha (PAN) apelou "primeiro uma avaliação à utilização da app, em vez de se correr o risco de violar a Constituição". A Iniciativa Liberal avisou que pode recorrer ao Tribunal Constitucional. Os restantes partidos preferem esperar pela proposta do Governo.

O INESC TEC, que concebeu a aplicação, admitiu, ao JN, que desconhecia "a intenção do Governo".

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

DECLARADO ESTADO DE EMERGÊNCIA E RECOLHER OBRIGATÓRIO EM FRANÇA

 



França voltou a decretar o estado de emergência sanitária devido a um agravamento da pandemia no país, reportam os meios de comunicação locais. A medida entra em vigor a partir das 00h00 do dia 17 de outubro. 

Esta medida excecional, já adotada entre 23 de março e 10 de julho, dará mais margem ao Governo francês para adotar medidas de resposta à pandemia do novo coronavírus.

"Tendo em conta a sua propagação em território nacional, a Covid-19 constituí um desastre sanitário que coloca em perigo, pela sua natureza e gravidade, a saúde da população", pode ler-se no relatório do Conselho de Ministros, citado pelo Le Monde.

Em entrevista à televisão francesa, esta quarta-feira, o presidente Emmanuel Macron, anunciou que o recolher obrigatório vai ser aplicado a nove regiões francesas a partir de sábado e pode vir a durar até seis semanas. Macron considerou que o recolher obrigatório é "pertinente", mas que um novo confinamento seria "desproporcional".

O recolher obrigatório vai ser instaurado das 21h00 às 06h00 a partir de sábado na região de Ã®le de France (região parisiense), LilleRuão, Saint-Etienne, Toulouse, Lyon, GrenobleAix-en-Provence e Montpellier

ANTÓNIO COSTA QUER OBRIGATORIEDADE DA APLICAÇÃO STAY AWAY COVID

 


"Graves questões relativas à privacidade", "fortes reservas no plano ético" e lei "dificilmente exequível". A comissão Nacional de Proteção de Dados chumba em toda a linha a intenção do Governo de tornar obrigatória a Stay Away Covid.

Quando for chamada a pronunciar-se sobre a proposta de legislação que António Costa vai apresentar ao Parlamento, a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) vai emitir um parecer, mas a sua linha de raciocínio está clara: arrasa a intenção do Governo.

Em resposta a questões dos jornalistas, a comissão lembra ter autorizado a criação da app a Stay Away Covid no pressuposto de que a sua instalação e utilização seria voluntária. A publicação de uma lei que a torne obrigatória, "seja em que contexto for", ressalva, "suscita graves questões relativas à privacidade dos cidadãos". Em causa está o facto de as pessoas ficarem impedidas de recusar a partilha com outras entidades "da sua localização e dos seus movimentos".

E, para a CNPD, o princípio ajusta-se quer a empresas multinacionais, como as que gerem as redes sociais, quer ao Estado.

Não são só questões jurídicas invocadas pela CNPD. No plano ético, diz, levanta-se a hipótese de "discriminação de cidadãos" que não têm possibilidade de ter um smartphone atual, que comporte a app. "Esta aplicação apenas funciona em modelos muito avançados de alguns telefones inteligentes", escreve.

Também por esta limitação técnica, a entidade liderada por Filipa Calvão diz que dificilmente esta obrigação poderá ser executada. E lembra que nenhum dos 55 países que aderiram à Convenção de Proteção de Dados força os cidadãos a utilizar uma app de rastreio da covid.


CONHECE A ILHA DAS COBRAS? OU ILHA DA QUEIMADA GRANDE

 


Uma pequena ilha rochosa, escarpada, sem praias e de difícil acesso, localizada a 35 km do litoral de São Paulo, entre as cidades de Peruíbe e Itanhaém, tem chamado a atenção ao longo dos último cinco séculos por uma característica insólita: é habitada quase que exclusivamente por uma espécie de cobra, a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis).

A Ilha da Queimada Grande, conhecida como Ilha das Cobras, se destaca ainda por ter a segunda maior concentração desses animais por área no mundo: cerca de 45 cobras por hectare – mais ou menos equivalente ao tamanho de um campo de futebol –, perdendo apenas para a Ilha de Shedao, na China.

Com comprimento e largura máximos de 1.500 e 500 metros, respectivamente, e altitude que não supera os 200 metros, a Ilha das Cobras, de 43 hectares, foi descoberta em 1532, pela expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza.

De acordo com as biólogas Karina Nunes Kasperoviczus, hoje na Universidade de Sydney, na Austrália, e Selma Maria de Almeida-Santos, do Instituto Butantan, provavelmente Afonso de Souza e seus oficiais protagonizaram o primeiro caso de depredação do local.

No artigo científico Instituto Butantan e a jararaca-ilhoa: cem anos de história, mitos e ciência, publicado nos Cadernos de História da Ciência, do Instituto Butantan, elas contam que, de passagem pela costa sudeste do Brasil, os navegadores aportaram na ilha, caçaram diversas fragatas e mergulhões e, antes de voltarem aos navios, receosos de má sorte, atearam fogo no local.

Não existe, no entanto, registro de que durante a permanência por lá Martim Afonso de Souza e seus homens tenham tido qualquer contato com a Bothrops insularis.

Segundo Karina e Selma, a prática de atear fogo à ilha se tornou corriqueira algum tempo depois. "No final do século 19, a Marinha do Brasil implantou um farol lá, cuja manutenção era realizada por faroleiros que residiam no local", escrevem.

"Com medo das serpentes, a própria Marinha colocou por diversas vezes fogo na mata na tentativa de acabar com a população excessiva delas. O nome 'Queimada Grande' é resultado dessas recorrentes queimadas, que, por vezes, eram tão fortes que podiam ser avistadas do continente."

                                                      Evolução


A história da Ilha das Cobras é bem mais antiga, no entanto. Ela se formou no final da última era glacial, há cerca de 11 mil anos, quando o nível do mar subiu, separando aquele morro (que fazia parte da Serra do Mar) do continente, transformando-o numa ilha e isolando uma população de jararacas comuns (Bothrops jararaca).

Ao longo dos milhares de anos seguintes, a espécie se diferenciou de suas parentes de terra firme e se transformou na Bothrops insularis.

Segundo o pesquisador e especialista em animais peçonhentos Vidal Haddad Júnior, da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o isolamento e as condições geográficas da ilha lentamente modificaram as características das cobras em relação às jararacas continentais, criando a nova espécie.


"Ela é menor e menos pesada, para facilitar sua locomoção e a caçada diurna nas árvores", explica. "Sua cauda adquiriu capacidade preênsil (ou seja, de se agarrar a algo) e a dentição ganhou um aspecto mais curvo, para prender as aves mais facilmente e não soltá-las enquanto o veneno age."

Para se tornar uma cobra que vive sobretudo em árvores (ou arborícola), a jararaca-ilhoa desenvolveu outras características evolutivas únicas.

"Para subir em árvores, sua pele se tornou mais elástica do que a de suas parentes do continente", explica Otávio Marques, pesquisador e diretor do Laboratório de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan, que realizou várias pesquisas com essa serpente.

"Além disso, como ela ergue mais a cabeça, seu coração ficou mais próximo dessa parte de sua anatomia, para bombear com mais facilidade o sangue para o cérebro."

                                                 Nova espécie


Não é de hoje que o Instituto Butantan estuda a ilha e a jararaca-ilhoa. O primeiro lote dessa espécie foi recebido pela instituição em 1911, enviado pelo zelador do farol, que residia no local, Antônio Esperidião da Silva. Elas logo começaram a ser estudadas pelo herpetólogo João Florêncio Gomes, que não chegou a concluir o trabalho, pois morreu em 1919, aos 33 anos.

O pesquisador Afrânio do Amaral deu continuidade às pesquisas e, em 1922, descreveu cientificamente a nova espécie. "Ele logo descobriu que ela se alimentava quase exclusivamente de pássaros, ao contrário das espécies do continente, que predam pequenos mamíferos e répteis", conta Vidal Haddad.

Amaral descobriu ainda que a peçonha destas jararacas era muito mais ativa em aves e altamente potente, o que despertou o interesse sobre a espécie, que só existe na ilha.

"O veneno da jararaca-ilhoa é mais tóxico para aves do que para mamíferos", explica o biólogo Marcelo Ribeiro Duarte, do Laboratório de Coleções Zoológicas do Instituto Butantan. "O que prova a grande adaptabilidade da espécie."

A Bothrops insularis mede entre meio metro e um metro, com as fêmeas sendo ligeiramente maiores. "Como a fauna da ilha é muito escassa, não existindo roedores nem outros mamíferos (com exceção de morcegos), os adultos da espécie se alimentam de aves migratórias (os pássaros residentes não são predados)", diz Haddad. "Os filhotes comem pequenos lagartos, anfíbios e artrópodes, como as lacraias, por exemplo."

Outra característica dessa serpente é que ela é vivípara (não põe ovos, mas gesta a prole de maneira semelhantes aos mamíferos) e dá à luz 10 filhotes no período quente do ano.

                                                   Mitos e lendas


Talvez por ser muito numerosa e altamente venenosa, a jararaca-ilhoa é objeto de diversos mitos e lendas. Uma delas diz que as cobras foram colocadas lá por piratas, para proteger um tesouro escondido.

De acordo com outra, um faroleiro e sua família foram mortos por suas picadas. Mas isso não ocorreu. No máximo foram mortos alguns animais domésticos, como cães, gatos e galinhas.


De qualquer forma, não existe mais o risco de algum faroleiro ser morto por uma picada da jararaca-ilhoa. O farol foi automatizado em 1925 e sua manutenção é feita uma vez por ano por uma equipe da Marinha do Brasil. O acesso à ilha é estritamente controlado e requer de autorização do Governo Federal. Esta é dada principalmente para pesquisadores.

"Apesar do óbvio risco que as cobras representam para quem entrar no local desavisado, ele quase não existe na prática", tranquiliza Haddad. "(A ilha) é desabitada e quem a visita está ciente dos cuidados que deve tomar para evitar picadas."

                                              Ameaça de extinção


De acordo com ele, hoje quem tem que ter cuidado são as cobras. Apesar de a Ilha da Queimada Grande ser uma Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) e pertencer à Área de Proteção Ambiental (APA) de Cananéia-Iguape-Peruíbe, a jararaca-ilhoa está criticamente ameaçada de Extinção.

A espécie faz parte da Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção e da Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da organização União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

A ameaça de extinção decorre das queimadas, feitas por pescadores que querem desembarcar no local, e pela biopirataria, ou seja, a captura ilegal para venda. Um exemplar da cobra pode alcançar R$ 30 mil (cerca de 6 mil euros) no mercado negro.

"Se pensarmos na capacidade de venenos serem a base de medicamentos e na fantástica evolução e adaptação das cobras em um ambiente isolado, elas são mais um tesouro a ser preservado do que uma ameaça aos humanos", diz Haddad.

Só isso já justificaria o interesse científico na Bothrops insularis. Mas há outras razões. "O isolamento de cobras a partir das grandes massas continentais é uma oportunidade única para se estabelecerem relações evolutivas sob condições severas na maioria das vezes, como, por exemplo, falta de fontes de água e escassez de presas", explica Duarte.

"Além disso, a presença dessa espécie isolada é um testemunho dos fenômenos de flutuação do nível dos oceanos no período Pleistoceno (1,8 milhão a 11 mil anos atrás)."

Noticia G1 Globo




PESCADOR CONTA COMO SOBREVIVEU TRÊ DIAS NA "ILHA DAS COBRAS" NO BRASIL (VIDEO)

 


Seis pescadores saíram de Santos, no litoral de São Paulo, para o que seria mais uma temporada em alto-mar, porém uma forte tempestade mudou tudo. A embarcação virou e, na escuridão da noite, quatro sobreviventes conseguiram nadar até a Ilha da Queimada Grande, a 35 km da costa de Itanhaém, também no litoral do Estado.

Conhecida por Ilha das Cobras, o local tem a maior concentração de cobras do Brasil e é considerado um dos locais mais perigosos do mundo. Após três dias isolados, os pescadores foram resgatados por mergulhadores. 

No resgate, Ivan, um dos sobreviventes, relembrou os momentos de tensão e contou como ele e os amigos fizeram para se salvar. Até a publicação deste conteúdo, os outros dois ocupantes da embarcação ainda estavam desaparecidos.

"Nadamos a noite toda e mais um pouco da manhã. Chegamos à ilha e não conseguíamos parar de pensar nos outros dois... No dia seguinte, com fome, a gente precisava encontrar algo para comer. Em cima das pedras tem banana, mas é cercado de cobras, então não tinha como pegar", disse Ivan.

"O pior era o frio. Passávamos a noite os quatro agarrados. Teve uma noite que não aguentei, ai me jogaram no meio para me aquecer", comentou o pescador.

Isolados no habitat natural da jararaca-ilhoa, uma das serpentes  mais venenosas do Brasil - a pessoa atacada geralmente morre após duas horas -, os pescadores, com medo de um ataque, se revezavam na hora de dormir.

"Durante o dia, só dava para dormir um de cada vez. Quando anoitecia, não dava para dormir".

A Ilha da Queimada Grande é uma unidade de conservação federal administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), desde 1984.

Desabitada, a ilha tem acesso restrito a funcionários do instituto e cientistas autorizados pela instituição e é considerado um dos lugares mais perigosos do mundo. Isso porque, além da presença da jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), é um dos maiores serpentários naturais do mundo, com cerca de 2,5 mil cobras. O local também é dominado por costões, não possui praias.


Noticia G1 Globo



DEPOIS DA TV A POLÍTICA? SUZANA GARCIA FOI CONVIDADA PARA LIDERAR UM NOVO PARTIDO

 


A ex-comentadora do "Você na TV" Suzana Garcia foi convidada para liderar uma nova força da extrema-direita, a Liga Nacional, mas recusou, informa o 'Público'.

Para já, a força política já recolheu cerca de duas mil assinaturas para legalizar o partido junto do Tribunal Constitucional e tem na sua base os dissidentes do Chega que garantem que o partido de André Ventura "vai implodir". 

Enquanto se preparam para "ocupar o espaço da direita (...) disputar o espaço com o Chega", de acordo Miguel Tristão Teixeira, procuram um rosto mediático para liderar o partido, daí o convite para Suzana Garcia. Mas com a rejeição da antiga advogada do 'Você na TV' ainda têm quatro nomes na mesa, que não revelam.

Em declarações à última edição da 'TV Guia', Suzana admitiu algumas pretensões políticas se Cristina Ferreira decidir candidatar-se. "Se soubesse os convites que já recebi. Até de partidos que ainda não estão formados. Vou confidenciar isto: ouvi por aí que há pessoas que têm pretensões políticas e logo para o vértice do nosso Estado de direito. Se porventura alguma dessas pessoas com esses perfis se arvorarem a fazer isso e não houver em Portugal deputados ou deputadas capazes de fazer o que é necessário para derrubar essa fulana, posso perder a minha alma, mas vou candidatar-me". 

"OS CIDADÃOS MUÇULMANOS NÃO SÃO PERSEGUIDOS" EM FRANÇA

  O principal interlocutor dos poderes públicos franceses para o Islão, Mohamed Moussaoui, considerou hoje que os muçulmanos em França "...