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quinta-feira, 28 de abril de 2022

ENERGÉTICAS EUROPEIAS PREPARAM-SE PARA CEDER ÀS EXIGÊNCIAS DE PUTIN


Algumas das maiores empresas energéticas da União Europeia (UE) estão a preparar um novo sistema de pagamento do gás russo, por forma a cumprirem as exigências do Kremlin e conseguirem pagar em rublos, noticia o "Financial Times".

Os críticos dizem que esta atitude vai prejudicar o efeito das sanções da UE, ameaçar a unidade do bloco e entregar milhares de milhões em dinheiro à Rússia.

Segundo o jornal, distribuidores de gás na Alemanha, Áustria, Hungria e Eslováquia planeiam abrir contas em rublos no Gazprombank na Suíça para satisfazer a exigência russa. Entre eles encontram-se dois dos maiores importadores de gás russo: Uniper, com sede em Düsseldorf, e OMV, com sede em Viena.

A italiana Eni, outro grande cliente da Gazprom, está ainda a avaliar as suas opções, uma vez que tem até ao final de maio para fazer o seu pagamento.

Os preparativos seguem a suspensão de entregas de gás por parte da Gazprom para a Polónia e Bulgária por não terem feito o pagamento em rublos.

A UE tem tentado contrariar as exigências de Vladimir Putin, presidente russo. “É importante preservar a unidade da UE nesse sentido e, como disse a presidente von der Leyen, não devemos ceder a esse tipo de chantagem”, disse Valdis Dombrovskis, vice-presidente executivo da Comissão Europeia.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

ELON MUSK PODIA TER COMPRADO 15 DOS MAIORES CLUBES COM O DINHEIRO DO TWITTER


Empresário fundador da Tesla comprou a rede social Twitter por 44 mil milhões de euros, mas se investisse no futebol podia tornar-se o proprietário de alguns dos maiores clubes do Mundo.

Com os 44 milhões que pagou pela rede social, Elon Musk poderia ter-se tornado dono de, pelo menos, 15 clubes de futebol (de acordo com a avaliação de cada um feita pela Forbes) e ainda sobrava uma enorme quantidade de dinheiro. Entre as possíveis aquisições estão gigantes como o Real Madrid, Barcelona, Bayern Munique, Manchester city, entre outros.

Veja a lista completa de clubes

Barcelona - 4,49 mil milhões de euros
Real Madrid - 4,48 mil milhões de euros
Bayern Munique - 3,98 mil milhões de euros
Manchester United - 3,96 mil milhões de euros
Liverpool - 3,87 mil milhões de euros
Manchester City - 3,77 mil milhões de euros
Chelsea - 3,02 mil milhões de euros
Arsenal - 2,64 mil milhões de euros
PSG - 2,36 mil milhões de euros
Tottenham - 2,17 mil milhões de euros
Juventus - 1,84 mil milhões de euros
Borussia Dortmund - 1,79 mil milhões de euros
Atlético Madrid - 0,94 mil milhões de euros
Inter de Milão - 0,70 mil milhões de euros
Everton - 0,62 mil milhões de euros

O custo total da compra destes 15 clubes rondaria os 41 mil milhões de euros, o que ainda deixava Elon Musk com uma grande quantidade de dinheiro no banco. Claro que estes negócios envolveriam várias complicações e poderiam não ser aceites pelos adeptos de alguns emblemas, sobretudo os ingleses, visto que têm um papel a dizer nestas situações. Mas é um dos vários exemplos do que se pode fazer com 44 mil milhões de euros para além de comprar uma rede social.

domingo, 24 de abril de 2022

EMMANUEL MACRON É REELEITO PRESIDENTE DA FRANÇA, APONTAM PRIMEIROS RESULTADOS


Pela segunda vez consecutiva, Emmanuel Macron, do partido República em Marcha, venceu as eleições presidenciais na França contra Marine Le Pen (Reunião Nacional). O centrista obteve 58,2% dos votos válidos diante de 41,8% da candidata da extrema direita, de acordo com os primeiros resultados divulgados às 20h deste domingo (24), 15h pelo horário de Brasília. A votação do segundo turno teve abstenção dos eleitores franceses de 28,2%, segundo estimativas iniciais da Ipsos-Sopra Steria... .

As projeções divulgadas no início da noite são uma estimativa realizada por institutos de pesquisa a partir da apuração de votos de uma mostra de seções de eleitores em todos os territórios do país. Os números serão aprimorados ao longo da noite conforme a apuração avance.

Segundo esses primeiros dados, após uma campanha marcada pela guerra na Ucrânia e pela alta da inflação, que afetou o poder aquisitivo da população, os franceses decidiram apostar novamente em Emmanuel Macron. 

A vitória de Macron, no entanto, tem um gosto de alívio amargo. Sua reeleição não foi forjada em altos índices de popularidade de seu governo, mas em uma campanha que lutou até o último momento para superar sua rejeição entre eleitores da esquerda e da direita, muitos dos quais foram às urnas para bloquear a chegada ao poder da extrema direita.Corpo a corpo para derrotar o antimacronismo

Apesar de sair à frente no primeiro turno, com 27,85% dos votos, contra os 23,15% dos eleitores conquistados por Marine Le Pen, Macron, 44 anos, enfrentou um segundo turno duro contra uma candidata da extrema direita que tentou atrair votos de todas as alas insatisfeitas com seu governo, que não eram poucas.

Em abril, 58% dos franceses se diziam insatisfeitos com o mandato de Macron na presidência, segundo pesquisa do Ifop. Nos dias anteriores ao segundo turno, o descontentamento chegava a 69% entre os franceses de 25 a 34 anos.

Aquele que chamou a atenção em 2017 por ser o presidente mais jovem a governar a França, ao longo de seu mandato passou a ser duramente criticado. Ex-ministro da economia do governo socialista de François Hollande, Macron foi logo intitulado como um político de direita e ganhou o apelido de “presidente dos ricos” ao cortar o imposto sobre a fortunas no país em sua reforma fiscal e reduzir as ajudas financeiras para a habitação.

Nas curtas duas semanas do segundo turno, Macron tentou apagar essa imagem. O candidato-presidente deixou seu gabinete e foi correr as ruas do país para convencer os eleitores de que estava aberto a críticas e que entendia as dificuldades cotidianas da população. No seu radar, estava a gorda fatia de votos de Jean-Luc Mélenchon, do partido da esquerda radical França Insubmissa, que abocanhou 21,95% dos eleitores no primeiro turno.

Do sul, em Marselha, ao norte, em Amiens, passando pela periferia de Paris, o centrista defendeu sua administração durante a pandemia de Covid-19 e ajustou seu discurso a dois temas candentes entre o eleitorado, principalmente jovem: o poder aquisitivo e a ecologia.

No sul, castigado por ondas de calor, incêndios florestais e enchentes, disse que pretende que "a França se torne a primeira grande nação a deixar de utilizar gás, petróleo e carvão" e prometeu uma política ecológica nos próximos cinco anos.

Para o poder aquisitivo, anunciou o aumento do salário-mínimo a partir de maio, a distribuição de ajudas financeiras diretas à população mais vulnerável e uma subvenção contra a alta de preços dos combustíveis, devido à guerra na Ucrânia. 

Arrogante, mas democrata
Formado na prestigiada Escola Nacional de Administração (ENA) e rodeado por uma equipe leal de jovens com passagens pelos mercados de publicidade e consultoria, Macron é visto por parte da população como produto do sistema e como uma pessoa arrogante.

Frases ditas desastradamente no início do seu mandato em que apontava parte dos franceses como "preguiçosos" ou resistentes a qualquer reforma fez com que o jovem presidente tomasse ares de alguém desligado do cotidiano das classes mais baixas na França.

Nas ruas, Macron passou a argumentar que estava disponível a ouvir e a debater todas as críticas à sua administração, indo ao encontro de um eleitorado que não era seu e com um discurso mais empático. Com isso, o líder do República em Marcha pretendia marcar o contraste com a estratégia de Marine Le Pen, que passou o segundo turno em regiões onde já tinha o voto garantido, e é conhecida por seu discurso de intolerância.

A exposição trouxe ao político situações de embaraço, como a vaia recebida na reta final da eleição em Estrasburgo, no oeste do país, onde teve de ouvir gritos de "Macron, demissão", canto entoado meses a fio durante as manifestações dos coletes amarelos.

Contudo, o presidente conseguiu convencer sobre seu princípio democrata e respeitador das leis constitucionais do país. Apostando na imagem autoritária e perigosa da extrema direita que, representada por Le Pen, poderia tomar o poder.

Foi assim que Macron teve, desde a primeira hora, o apoio de seus adversários socialista, republicano, ecologista e comunista, que pediram o voto no representante da República em Marcha como forma de barrar, mais uma vez, a extrema direita. 

Durante o único debate entre os dois candidatos, o centrista insistiu nas relações obscuras de Marine Le Pen com Vladimir Putin e em seu compromisso com a União Europeia, ganhando assim o apoio declarado de líderes dos governos europeus, como o alemão Olaf Scholz, o espanhol Pedro Sánchez e o português António Costa.

Com cinco anos de mandato pela frente, Macron agora terá de mostrar aos franceses que votaram sem convicção nele que pode ser o presidente de "todos", como dizia seu slogan de campanha, e abrir seu governo para decisões negociadas com diferentes partidos e grupos sociais.

A formação do seu próximo governo será seu primeiro desafio. Com eleições legislativas marcadas para junho, ele pode se preparar para ter uma Assembleia Nacional muito menos favorável do que tinha até então. O tamanho de seu apoio é ponto central das alianças nos próximos meses.

Aproveitando seu sucesso no primeiro turno, Jean-Luc Mélenchon, por exemplo, já começou campanha para tentar impor ao governante um primeiro-ministro de oposição.

sábado, 23 de abril de 2022

VÍDEO: IMÓVEL E MÃOS TENSAS: NOVA APARIÇÃO DE PUTIN LEVANTA QUESTÕES SOBRE SAÚDE


O debate e as teorias não são inéditas. Desde o início da invasão à Ucrânia, há quase dois meses, que a saúde, tanto mental quanto física, do presidente da Rússia, Vladimir Putin, é questionada. O mais recente vídeo do líder russo com o ministro da Defesa Sergei Shoigu lançou novas questões.

No vídeo em causa, Putin apresenta-se com uma postura imóvel, manifestando pouca energia, e com as mãos a 'agarrar' a mesa.

O russo recusa ainda soltar o canto da mesa em que se encontra, parecendo usar a mesa para se equilibrar. O modo como se apoia na poltrona também é questionada.

Não é a primeira vez que o líder do Kremlin é visto a segurar uma mesa durante uma reunião. A última vez que ocorreu foi durante a reunião com Nikolay Tokarev, presidente da empresa de transportes russa Transneft. 

No início de abril, a plataforma Proekt (ou 'Projecto'), um meio de comunicação social russo independente especializado em jornalismo de investigação, publicou um trabalho extenso acerca das preocupações de saúde do presidente russo.

A mesma dava conta de que o presidente russo era seguido com frequência por uma equipa médica da sua confiança.

quinta-feira, 21 de abril de 2022

MARCELO JÁ PROMULGOU FIM DO USO OBRIGATÓRIO DE MÁSCARA


O presidente da República já promulgou o diploma do Governo que estabelece o fim da obrigatoriedade do uso de máscara.

A medida só entra em vigor depois de publicada em Diário da República.

De recordar que o uso de máscara deixa de ser obrigatório em vários espaços interiores, incluindo nas salas de aula. No entanto, há duas exceções. A obrigatoriedade manter-se-á em espaços com "pessoas especialmente vulneráveis", como estabelecimentos de saúde e lares de idosos, e em espaços com muitas pessoas e difícil arejamento, como os transportes coletivos.

O país vai manter-se em situação de alerta até 5 de maio.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

TESTE DE MÍSSIL BALÍSTICO VAI FAZER INIMIGOS DA RÚSSIA "PENSAREM DUAS VEZES"


O Exército russo anunciou, esta quarta-feira, que realizou, com sucesso, o primeiro teste de um disparo do míssil balístico intercontinental Sarmat, uma arma de nova geração e muito longo alcance que servirá, segundo o presidente Vladimir Putin, de alerta aos inimigos do país.

"Trata-se de uma arma única, que reforçará o potencial militar das nossas Forças Armadas, vai garantir a segurança da Rússia contra as ameaças externas e vai fazer aqueles que ameaçam o nosso país com uma retórica desenfreada e agressiva pensarem duas vezes", declarou Putin, após o anúncio televisivo do teste balístico. "Ressalto que na criação do Sarmat foram usados apenas conjuntos, componentes e peças de produção nacional", acrescentou.

Segundo Putin, o míssil balístico intercontinental pesado de quinta geração Sarmat é capaz de "derrotar todos os sistemas antiaéreos modernos".

Esta arma faz parte de uma série de outros mísseis apresentados em 2018 como "invisíveis" por Vladimir Putin. Entre eles estão os mísseis hipersónicos Kinjal e Avangard.

Vida vai "mudar para melhor"

Putin afirmou, esta quarta-feira, que a Rússia vai alcançar os seus objetivos militares na região de Donbass, no leste da Ucrânia, e isso vai permitir que as pessoas regressem às suas vidas normais.

Falando numa reunião no Kremlin destinada a promover a Rússia como uma terra de oportunidades, Putin disse que Moscovo foi forçada a iniciar uma "operação militar" na Ucrânia por causa da "tragédia" que está a ocorrer em Donbass. "Eu disse isso no início o objetivo desta operação é ajudar o nosso povo que vive em Donbass", afirmou. "Vamos agir de forma consistente e garantir que a vida se torne gradualmente normal, mude para melhor"; assegurou.

Revisão da Organização Mundial do Comércio para combater sanções "ilegais"

Putin ordenou uma revisão da posição de Moscovo dentro da Organização Mundial do Comércio (OMC) para combater sanções "ilegais" impostas pela sua operação militar na Ucrânia. Segundo o líder russo, os governos ocidentais violaram as regras da OMC ao impor restrições de importação politicamente motivadas a produtos russos, como aço e outros metais.

A Rússia é um dos maiores exportadores mundiais de produtos brutos, como aço laminado. "As medidas hostis em relação aos produtores de metais da Rússia foram tomadas para atender a interesses políticos imediatos", disse Putin.

"Instruo o governo a realizar uma revisão abrangente da legitimidade das ações tomadas pelos nossos parceiros comerciais ocidentais e a preparar uma estratégia atualizada para as nossas ações dentro da Organização Mundial do Comércio", continuou.

O presidente russo instruiu ainda os ministros a encontrar formas de estimular a procura doméstica por aço russo para manter as fábricas a funcionar e preservar empregos.

VÍDEO: CASAL DETIDO PELA PSP QUANDO FAZIA DIRETO DE VENDAS NO FACEBOOK


Um casal foi detido pela PSP em Mirandela quando estava a efetuar um vídeo em direto no Facebook. A mulher vendia umas sapatilhas quando se ouviu um estrondo, seguido de "Polícia!".

A porta do espaço onde a mulher vendia calçado tinha acabado de ser arrombada pela PSP, que cumpria um mandado de busca e detenção relacionado com crimes de contrafação.

O vídeo acabou por ser utilizado pela própria PSP no Instagram. "Contra Feitos não há argumentos. A contrafação é crime, também nas redes sociais", indica a publicação.

terça-feira, 19 de abril de 2022

EX-KGB E EXECUTIVO DA GAZPROMBANK ENCONTRADO MORTO COM MULHER E FILHA


Um vice-presidente da Gazprombank de 51 anos foi encontrado morto no seu apartamento no centro de Moscovo com uma pistola na mão. A mulher e a filha de 13 anos também estavam mortas.

Os corpos foram descobertos pela filha mais velha de Vladislav Avayev, que foi até ao luxuoso apartamento de 2,4 milhões de euros no centro de Moscovo por não conseguir contactar o pai.

Segundo Anastasia, de 26 anos, o pai estava morto, com uma pistola na mão. A mãe, de 47 anos, que estaria grávida, e a irmã mais nova, de 13, também estavam mortas.

Os três corpos apresentavam ferimentos de bala. Ao que tudo indica, a pistola de Avayev terá sido a única arma utilizada, o que parece apontar para assassínio seguido de suicídio. Porém, para as autoridades, todas as hipóteses estão em aberto.

Ex-KGB próximo de Putin

Vladislav Avayev, 51 anos, era um multimilionário próximo de Putin. Além de ser um ex-oficial do KGB, foi vice-presidente do banco Gazprombank, um elemento chave do esquema "petróleo por rublos" desenhado por Putin para contornar as sanções do Ocidente, segundo o qual todas as empresas estrangeiras são obrigadas a ter uma conta naquela entidade bancária.

O empresário russo, que fez fortuna no setor da construção, já teria deixado a vice-presidência do Gazprombank, mas não era certo que tivesse cortado todos os laços com o banco.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

ATRAVÉS DE UMA CARTA, PUTIN EXIGE PROPRIEDADE DE IGREJA EM JERUSALÉM


Numa carta endereçada ao primeiro-ministro israelita, Naftali Benet, o presidente russo, Vladimir Putin, exigiu a transferência da propriedade da Igreja Alexander Nevsky, na Cidade Velha de Jerusalém, justificando tratar-se de uma promessa do seu antecessor, Benjamin Netanyahu, que ainda está por cumprir.

Citado pela Efe, o portal Ynet adianta que a carta terá sido enviada no domingo à noite, recordando a promessa de Netanyahu quanto à transferência do templo, também conhecido como a Catedral da Santíssima Trindade, que está sob a tutela da Igreja Ortodoxa russa em Jerusalém. A proposta remonta a 2020, após a libertação da israelita Naama Isachar de uma prisão russa, onde cumpria pena por posse de cannabis.

A Rússia controla a propriedade do local desde 1890, uma vez que, durante o Império Otomano, reconheceu-se que pertencia ao “glorioso reino russo”. Apesar desse ‘reino’ já não existir, Moscovo recorreu à justiça em 2017 com base nessa declaração, alegando titularidade sobre a igreja.

Por sua vez, Netanyahu decidiu em 2020 que a disputa não poderia ser resolvida nos tribunais por se tratar de um "lugar sagrado", ordenando que o governo russo fosse registado como proprietário.

Contudo, o governo de Benet devolveu essa decisão ao Supremo Tribunal, que suspendeu o reconhecimento final da propriedade russa e estabeleceu um comité para determinar a titularidade do lugar.

O pedido de Putin surge num momento de mal-estar russo no que toca a posição de Israel quanto ao conflito na Ucrânia, já que, após se ter mostrado neutro no início da invasão, o país condenou o massacre de civis em Bucha e apoiou a decisão de suspender a Rússia do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

BOMBA COBRAVA 1,65 EUROS ANTES DO ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEL


A ASAE detetou, em flagrante delito, uma bomba de combustível de Vila Pouca de Aguiar, de gasóleo simples, que cobrava dinheiro aos clientes antes destes começarem o abastecimento.

"Durante a ação os inspetores verificaram que, no início de cada abastecimento, após o reset do contador e mesmo antes de ser pressionado o manípulo da agulheta da bomba, o contador alterava-se automaticamente, cobrando valores até 1,65 Euros, sem que o consumidor tivesse feito qualquer abastecimento efetivo", explica a ASAE em comunicado.

As bombas já tinham sido sujeitas a controlo metrológico este ano e exibiam o respetivo selo de validade e de conformidade. Os inspetores da ASAE selaram os equipamentos e procederam à apreensão, de forma cautelar, para a respetiva perícia técnica.

"Em causa estão fortes indícios do crime de especulação (delito antieconómico) e eventual crime de falsificação de notação técnica, tendo os factos sido, de imediato, comunicados ao Ministério Público", esclarece ainda a ASAE.

De referir que se trata da quarta ocorrência semelhante detetada pela ASAE nos últimos meses.

domingo, 17 de abril de 2022

FALÊNCIA DA ECONOMIA RUSSA É UMA "QUESTÃO DE TEMPO", DIZ VON DER LEYEN


A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, admitiu hoje que a entrada da Rússia em incumprimento é uma "questão de tempo" devido às sanções ocidentais impostas por ter invadido a Ucrânia.

"A falência do Estado russo é apenas uma questão de tempo", disse Von der Leyen ao jornal alemão Bild am Sonntag, citada pela agência oficial russa TASS.

Von der Leyen disse que as sanções estão a afetar cada vez mais a economia russa, "semana após semana", e que as "exportações de bens para a Rússia caíram 70%".

"Centenas de grandes empresas e milhares de especialistas deixaram o país. O PIB (Produto Interno Bruto) na Rússia, de acordo com as previsões atuais, irá diminuir em 11%", afirmou a política alemã.

De acordo com dados do Ministério das Finanças russo citados pela TASS, a dívida pública externa da Rússia ascende a 59.500 milhões de dólares (mais de 55.000 milhões de euros ao câmbio atual), correspondendo a 20% da dívida pública.

No total, a Federação Russa tem 15 empréstimos obrigacionistas ativos com vencimentos entre 2022 e 2047.

Em resposta às sanções, o Presidente russo, Vladimir Putin, autorizou a utilização da moeda nacional, o rublo, no pagamento de dívidas em moeda estrangeira a "países não amigos", ou seja, os que impuseram sanções a Moscovo.

Segundo o decreto citado pela TASS, as empresas devedoras ou o próprio Estado podem abrir uma conta em bancos russos em nome de um credor estrangeiro e transferir os pagamentos em rublos à taxa de câmbio do Banco Central no dia do pagamento.

Os credores de países que não tenham imposto sanções podem receber pagamentos em euros ou dólares se o devedor russo tiver uma autorização especial para o fazer.

O ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, reconheceu esta semana que o congelamento das contas do Estado russo em moeda estrangeira, decorrente das sanções internacionais, dificulta o cumprimento das obrigações da dívida.

"Existem dificuldades em cumprir as obrigações da dívida soberana apenas devido à falta de acesso às nossas contas em moeda estrangeira", disse Siluanov numa carta enviada ao seu homólogo brasileiro, Paulo Guedes.

Na carta, divulgada pelo jornal brasileiro O Globo, Siluanov pediu o apoio diplomático do Brasil junto do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial e do G20 para evitar "tentativas de discriminação em instituições financeiras internacionais e fóruns multilaterais".

"Quase metade das reservas internacionais da Federação Russa foram congeladas, as transações de comércio exterior estão bloqueadas, incluindo aquelas com os nossos parceiros de economias de mercados emergentes", explicou o ministro russo.

Siluanov disse anteriormente, segundo a TASS, que a Rússia só pagaria a sua dívida em moeda estrangeira se as suas contas no exterior fossem descongeladas.

Um país é considerado em incumprimento quando não é capaz de cumprir os compromissos que assumiu com os credores.

Em 09 de abril, a agência de notação financeira S&P Global Ratings baixou a nota da Rússia para os seus pagamentos em moeda estrangeira para o nível de "incumprimento seletivo", depois de Moscovo ter recorrido a rublos para pagar uma dívida em dólares.

Numa entrevista recente a um jornal russo, Siluanov disse que a Rússia recorrerá aos tribunais se for considerada em incumprimento pelo Ocidente, embora sem especificar a que instância jurídica se referia.

Na sequência da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro, a Rússia foi alvo de sanções económicas e financeiras da UE e de países como os Estados Unidos, o Reino Unido, o Japão ou a tradicionalmente neutral Suíça.

MARINE LE PEN ACUSADA DE FRAUDE POR RELATÓRIO EUROPEU


A candidata presidencial francesa da extrema-direita Marine Le Pen e pessoas próximas dela são acusadas de ter desviado cerca de 600 mil euros de dinheiro público europeu durante os respetivos mandatos como eurodeputados.

A acusação provém do Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF), segundo um novo relatório divulgado no sábado pelo portal de informação francês Mediapart e enviado à justiça francesa.

Questionado pela agência de notícias francesa AFP, o Ministério Público de Paris confirmou ter recebido a 11 de março este relatório, que está agora a ser analisado.

"Estou espantado com o momento escolhido para a revelação" e a sua "instrumentalização", reagiu Rodolphe Bosselut, o advogado de Marine Le Pen, que se encontra em campanha para a segunda volta das eleições presidenciais em França, que se realizará a 24 de abril, e em que enfrentará o atual chefe de Estado, o centrista Emmanuel Macron.

Bosselut declarou-se também "consternado com a forma como o OLAF está a atuar, sem contraditório" e em relação a "factos antigos, com mais de dez anos" nalguns casos.

Marine Le Pen "não foi intimada por qualquer autoridade judicial francesa", acrescentou, lamentando ainda que nem ele nem a sua cliente tenham recebido o relatório final.

Segundo o advogado, a investigação do OLAF está em curso desde 2016 e Le Pen foi interrogada por correio em março de 2021.

O novo relatório do OLAF, do qual o Mediapart publicou excertos, diz respeito a ajudas que os grupos políticos podem utilizar no âmbito do seu mandato de deputados europeus e que Marine Le Pen e pessoas próximas dela terão utilizado para fins políticos nacionais, despesas pessoais e subsídios a empresas próximas do seu partido, então chamado Frente Nacional (FN, atualmente União Nacional), e do grupo parlamentar de extrema-direita Europa das Nações e das Liberdades (ENL).

O OLAF implica Marine Le Pen, outros três ex-eurodeputados franceses o seu pai, Jean-Marie Le Pen, o seu antigo companheiro, Louis Aliot, e Bruno Gollnisch, membro do secretariado nacional da FN e o ENL.

O organismo acusa-os de terem desviado cerca de 600 mil euros, cujo reembolso pretende que seja feito.

Segundo o relatório, a candidata da Frente Nacional terá pessoalmente desviado cerca de 137.000 euros de dinheiro público do Parlamento de Estrasburgo quando foi eurodeputada, entre 2004 e 2017.

Desde junho de 2017, Marine Le Pen é também perseguida judicialmente no âmbito do inquérito em curso em Paris sobre suspeitas de criar empregos fictícios no Parlamento Europeu para assistentes do partido.

Neste momento, está, portanto, indiciada por "desvio de fundos públicos" e "cumplicidade" no crime em causa neste inquérito.

sábado, 16 de abril de 2022

PETROLEIRO NAUFRAGA NA TUNÍSIA E AUTORIDADES ACIONAM PLANO PARA EVENTUAL "MARÉ NEGRA"

 


Um petroleiro, que transportava 750 toneladas de combustível do Egito para Malta, naufragou este sábado junto à costa sudeste da Tunísia, o que levou as autoridades a acionarem um plano para responder a uma eventual "maré negra".

"O navio afundou-se esta manhã em águas territoriais tunisinas. De momento, não há fuga nenhuma" de combustível, disse à agência France-Presse o porta-voz da região de Gabes, Mohamed Karray, ao adiantar que uma "comissão de prevenção de desastres vai reunir-se nas próximas horas para decidir as medidas a tomar".

A ministra do Ambiente, Leila Chikhaoui, está "a caminho de Gabes para avaliar a situação após o naufrágio do navio `Xelo´ e tomar as medidas preventivas necessárias em coordenação com as autoridades regionais", avançou o ministério, em comunicado.

Segundo a mesma fonte, as autoridades ativaram "o plano nacional de emergência para a prevenção da poluição marinha com o objetivo de controlar a situação e evitar a propagação de poluentes".

O navio, de bandeira da Guiné Equatorial e com 58 metros de comprimento e nove de largura, de acordo com o site vesseltracker, dirigia-se para a ilha de Malta a partir do porto de Damietta, no Egito, segundo o ministério.

Para se abrigar das más condições meteorológicas, solicitou autorização para entrar em águas territoriais tunisinas na sexta-feira à noite, mas, quando se encontrava a cerca de sete quilómetros da costa do Golfo de Gabes, começou a meter água, de acordo com o ministério.

As autoridades tunisinas retiraram a tripulação de sete pessoas, que se encontram na Tunísia, acrescentou o ministério.

sexta-feira, 15 de abril de 2022

"ELES SÃO A CARTEIRA DE PUTIN": O QUE É UM OLIGARCA E OS QUE OS SEPARA DOS BILIONÁRIOS OCIDENTAIS ?

 


Mega-iates, clubes de desportivos, televisões e mansões espalhadas por todo o mundo. À vista desarmada, a diferença entre um bilionário e um oligarca russo pode parecer apenas um detalhe ideológico. Porém, os especialistas alertam que o termo pode não descrever corretamente estes indivíduos e a sua relação com a elite política russa.

“Inicialmente, Putin era guiado pela vontade de fazer dinheiro. Agora, tem uma missão na sua cabeça e isso é muito mais assustador”, afirmou Mikhail Khodorkovsky, um oligarca e antigo ministro “saneado” pelo regime russo, em entrevista à CNN Internacional.

Khodorkovsky não é um russo normal. Foi o homem mais rico do seu país até ao momento em que, em 2003, não colaborou com o recém-eleito presidente, Vladimir Putin, e apoiou publicamente um dos seus rivais políticos. Acabou por perder tudo o que tinha devido uma acusação de fraude fiscal. Esteve dez anos preso na Rússia.

Tinha sido um dos homens escolhidos a dedo após a dissolução da União Soviética para tomar as rédeas de um dos setores estratégicos da economia russa que anteriormente pertenciam ao Estado soviético. Este processo esteve envolto num manto de corrupção e numa luta pelo controlo de alguns setores a qualquer custo.

Como resultado, alguns dos indivíduos que saíram vitoriosos deste processo juntaram fortunas enormes, acabando por influenciar o próprio governo russo, então liderado por Boris Yeltsin. Porém, muito mudou desde que Vladimir Putin chegou ao poder, no ano 2000.  

Os oligarcas são oligarcas?

“É um erro, a forma como se pensa que a Rússia organiza a sua estrutura de poder. O poder russo não é uma oligarquia, mas sim uma ditadura. Os oligarcas, no fundo, não são oligarcas, são apenas agentes do Kremlin que são utilizados como uma ferramenta. Não existe feedback numa direção que permita influenciar o ditador. Eles não conseguem fazer isso, em termos práticos. Eles são a carteira de Putin”, garante Khodorkovsky.

Para o comentador da CNN Portugal, Azeredo Lopes, é um erro utilizar a expressão “oligarca” apenas aplicada aos russos quando visa descrever quem, à custa de um regime autocrático, beneficia de vantagens económicas que não teria com o funcionamento normal da economia. “A utilização a propósito e despropósito da palavra oligarca e associada a uma nacionalidade não me faz muito sentido. É uma espécie de conforto de linguagem”, alerta.

Azeredo Lopes recordou que a “euforia de transferência de propriedade e de meios de produção da esfera pública para a esfera privada” e que criou uma nova classe de pessoas “obscenamente ricas” não se restringiu apenas à Rússia, mas sim a quase todos os países da esfera de influência da antiga União Soviética.

De acordo com a Forbes, em 2001 a Rússia tinha 8 bilionários com uma fortuna coletiva avaliada em 12,4 mil milhões de dólares. Cerca de 20 anos mais tarde, já são 101 bilionários com uma fortuna de 432,7 mil milhões.

“A certa altura, considerou-se aceitável que os poderes estabelecidos designassem nós chamaríamos a isso corrupção uma transferência brutal de riqueza para pessoas que não tinham nada que as recomendasse, do ponto de vista do funcionamento das regras normais, para terem a exclusividade sobre alguma coisa. Estas pessoas apareceram em setores estratégicos como o gás natural, o petróleo e algumas áreas industriais”, explica o antigo ministro da Defesa português.

O mesmo aconteceu na Ucrânia, embora a uma escala ligeiramente mais reduzida do que na Rússia. Azeredo Lopes recorda que, apesar de tudo, a Ucrânia ainda não “atingiu os patamares de controlo que são típicos de um Estado de Direito ou das democracias que assentam nas leis de mercado” e que, ao longo de vários anos, reinou uma dança de cadeiras na liderança do país entre líderes pró-Rússia e pró-Ocidente, onde “toda a gente das estruturas dirigentes” aproveitava-se dos recursos e dos dinheiros públicos.

Isso contrasta com os agentes económicos, conhecidos como bilionários, que atuam dentro das regras da economia de mercado, onde a propriedade privada é salvaguardada e as decisões de investimento, produção e distribuição são regidas pelos sinais criados pela lei da oferta e da procura.

“A expressão oligarca tornou-se uma espécie de tique de linguagem da nossa parte, quando começamos a falar daqueles que controlam a riqueza por privilégio, por concessão direta. Temos setores inteiros que foram atribuídos a quatro ou a cinco pessoas”, frisa.

Como é que as sanções económicas vão pressionar Putin?

Parte da reação do Ocidente à invasão da Ucrânia passou pelo apertar do cerco à elite económica russa e a alguns dos seus familiares. A estratégia passa pela crença de que muitos destes milionários que são próximos do Kremlin poderão não gostar de ver as suas fortunas reduzidas e os seus ativos congelados, e que poderão exercer pressão junto de Vladimir Putin para parar a guerra e eles poderem retomar a atividade económica.

Em declarações à CNN Portugal, a especialista em assuntos internacionais Diana Soller acredita que o facto de estes bilionários russos da confiança de Putin não deterem o controlo do sistema coloca em causa a estratégia ocidental de máxima pressão aos oligarcas. “Os oligarcas não controlam o sistema. É o sistema que controla os oligarcas. Poderá haver um ou outro oligarca que tenha algum controlo sobre o regime, mas eu duvido muito. Há uma cúpula das elites político-militares que gravitam à volta de Putin, mas é uma cúpula muito pequena e muito controlada pelo Estado”, destaca. 

A possibilidade de que parte deste grupo de pessoas que beneficia da sua relação de proximidade com Vladimir Putin se vire contra o Kremlin é, para Diana Soller, wishful thinking por parte do Ocidente, uma vez que nada garante a estes indivíduos que não serão responsabilizados após a queda do líder.

“Nós gostaríamos de acreditar que a cúpula do poder teria capacidade para derrubar o presidente Putin, mas não me parece que isso seja verdade. Há um controlo muito forte do Kremlin. Se Putin cair, toda a gente cai com ele. Seja a elite política, seja a económica ou a mediática, não há qualquer interesse no derrube de Vladimir Putin. No dia em que Putin cair, a elite cai com ele”, aponta.

A mesma opinião é partilhada por Mikhail Khodorkovsky. O antigo magnata do petróleo russo acredita que para travar a guerra não basta sancionar o seu círculo intimo, mas sim “retirar qualquer oxigénio financeiro” ao regime russo. “Porque é que as sanções cobrem apenas 70% dos bancos russos? Qualquer pagamento a favor da Rússia ou nos interesses do regime de Putin deve ser travado. Para isso, todas as contas que pertencem a oligarcas devem ser bloqueadas até que a guerra pare”, sublinha em conversa com Fareed Zakaria, da CNN Internacional.

“Nunca propus sanções contra a Rússia, mas agora temos de parar esta guerra. Não há um preço demasiado elevado para travar esta guerra”, disse.

MORREU EUNICE MUÑOZ, A GRANDE DAMA DO TEATRO


Eunice Muñoz, uma das maiores atrizes portuguesas, morreu, esta sexta-feira, no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, aos 93 anos.

O corpo da atriz vai estar em câmara ardente na capela da Basílica Estrela, em Lisboa, a partir das 17 horas de segunda-feira. O funeral realiza-se na terça-feira, 19 de abril, às 15 horas, seguindo, depois, em cortejo para o cemitério de Alto de São João, também na capital portuguesa.

"A morte só Deus sabe quando chega, mas não vou escurecer a vida até aí". As palavras de Eunice Muñoz sintetizam bem a forma como a atriz, a quem o epíteto de grande dama do teatro, embora não lhe desagradasse, também não deslumbrava, encarava a sua forma de viver e de estar. Em palco agarrava o olhar de quem a via e com isso, deixou a sua marca para a eternidade. Se percorrermos o seu currículo, temos, não só a sua história, como uma certa história do mundo do espetáculo e da cultura em Portugal num arco temporal de quase um século.

Nasceu entre artistas que andavam de terra em terra. Eram a Trupe Carmo, o teatro desmontável da família. Eunice Muñoz tinha cinco anos quando se estreou, em pequenos papéis. Fazia-o contrariada. Aos 13 anos subiu pela primeira vez ao palco do Teatro Nacional D. Maria II, sob o olhar atento de Amélia Rey Colaço, que teve como sua mestra. A peça chamava-se "Vendaval", e com ela se desvendou o seu jeito de artista. "Foi o meu anjo da guarda que decidiu que acontecesse assim. Chorei muito, ri, vivi, foi uma fase muito importante na minha vida", reconhecia.

Foi sempre "senhora do seu nariz" e sempre fez o que queria. Só assim se compreende que tenha decidido abandonar os palcos, quando já era figura de cartaz, para ser empregada de balcão numa loja de cortiças e posteriormente, secretária de direção numa fábrica de cabos elétricos. "Fui atriz até aos 23 anos, depois interrompi porque queria conhecer a vida normal, as outras pessoas" justificava. Mas a paixão pelo palco acabou por a resgatar dessa desejada "vida normal". E, nesse regresso, o medo de falhar sempre esteve presente. "Tenho medo de tudo. De escorregar, de me faltar a voz", confessava, muito antes de, na verdade, ter passado por tudo isso. Caiu de uma escada num ensaio no TNDMII, em 2011, tendo sofrido fraturas múltiplas, e sofreu outro duro golpe em 2013 quando lhe foi diagnosticado um cancro na tiroide.

O medo também aumentava à medida que as responsabilidades cresciam. Como aconteceu quando, em 1988, foi desafiada a protagonizar o quase monólogo "Zerlina", numa encenação de João Perry. Ou com "Mãe coragem", em 1986, pelas mãos de outro grande encenador, João Lourenço. "Eram personagens que me apaixonavam também. E isso eu acho que é muito importante". Essa paixão era a única coisa que gostava de transmitir. "Move-me a paixão pela profissão, o querer fazer sempre melhor. Fiz sempre um esforço para não pensar que era tão boa assim". De resto, dizia de forma desassombrada que não tinha nada para ensinar a ninguém. Nuca teve assomos de vedetismo. "A única coisa que digo é que não vale a pena ter vaidades. Somos aquilo que conseguimos ser. Não somos mais que isso".

Nas mais recentes entrevistas, perpassava imagem de uma mulher serena, apaziguada com o que a vida lhe reservara. "Gosto de fazer coisas em casa. De arrumar, de mudar o lugar dos objetos. Gosto muito de viver", confessava à Notícias Magazine, em julho de 2019."Encaro a morte como algo inevitável. Mas peço a Deus que não venha com sofrimento. Só espero que a morte me chegue serena".

Uma das melhores de sempre

Considerada uma das melhores atrizes portuguesas de todos os tempos, Eunice Muñoz, nascida em 30 de julho de 1928, na Amareleja, Alentejo, era oriunda de uma família de saltimbancos com raízes no circo. Costumava lembrar que se estreou em palco aos cinco anos, a cantar "Uma Porta e Uma Janela". Mas foi aos 13 anos que chegou ao Teatro Nacional D. Maria II (TNDMII), onde se encontrava sedeada a Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro. A peça de estreia chamava-se "Vendaval", de Virgínia Vitorino. O seu talento é de imediato reconhecido e admirado, o que lhe permite uma rápida integração na companhia, apesar de, na altura, não ter sequer passado pelo Conservatório. E assim vai participando em várias produções, nomeadamente "Riquezas da Sua Avó" (1943) e "Labirinto" (1944).

Entretanto já havia ingressado no Conservatório Nacional, tendo concluído o curso com uma média de 18 valores. Consegue então papéis em numerosas peças nas quais acaba por contracenar com nomes como Vasco Santana, Maria Lalande ou Mirita Casimiro.

Sem nunca ter abandonado o teatro, Eunice também se aventurou no cinema onde se estreou, em 1946, com o filme "Camões", de Leitão Ramos, interpretando o papel da fidalga Beatriz da Silva, estreia que lhe deu o prémio melhor atriz do SNI (Secretariado Nacional de Informação). Mas há mais. Participou também nos filmes "Um Homem do Ribatejo", de Henrique Campos, "Os Vizinhos do Rés-do-Chão", de Alejandro Perla, "A Morgadinha dos Canaviais", de Caetano Bonucci e Amadeu Ferrari.

Abandona a representação para trabalhar como empregada de balcão.

Entre mais alguns trabalhos, casa-se pela primeira vez com o arquiteto Rui Couto e com ele dá à luz uma filha. Dois anos depois, retorna a mais um prestigiado palco luso, desta feita ao Teatro Nacional, protagonizando uma adaptação da obra de Júlio Dantas "Outono em Flor". Com Palmira Barros, encenadora com quem já havia trabalhado várias vezes, surge como a personagem principal de "Espada de Fogo" e consolida o seu estatuto de grande atriz.

É então que, já sendo figura de cartaz, abandona a representação para trabalhar como empregada de balcão. Passou pelas cortiças de Mr. Cork, por uma fábrica de cabos elétricos, na Venda Nova, e pela fábrica Cel-Cat, onde conheceu o seu segundo marido, o engenheiro Ernesto Borges, com quem se casa em 1956, e com quem teve quatro filhos.

No Parque Mayer, aventura-se na comédia.

No que restou até ao início dos anos 60, Eunice assumiu papéis em peças de dramaturgos como o britânico William Shakespeare ou o italiano Luigi Pirandello. Para além disso, não se coibiu de arriscar em novos géneros. Por exemplo, no Parque Mayer, ao lado da companhia de Teatro Alegre, aventura-se na comédia.

A televisão não surge na sua carreira somente por intermédio das novelas. Muito antes disso, a sua presença era assídua nas chamadas sessões de teatro televisivo. Trabalhos de autores como o russo Anton Tchekov ("O Pomar das Cerejeiras") ou o francês Alexandre Dumas Filho ("A Dama das Camélias") foram alguns que conheceram essa transposição para o formato do pequeno ecrã. Não era a mesma coisa que vê-la ao vivo, mas permitia ao telespetador familiarizar-se com o toque íntimo e marcante das suas representações. Também é nesta década que, com o também emblemático ator Raúl Solnado, cria a Companhia Portuguesa de Comediantes (CPC), com sede no Teatro Villaret (Lisboa).

Casou três vezes e teve seis filhos.

Em 1970, após um terceiro casamento, agora com o poeta António Barahona da Fonseca e com quem teve uma filha, cria com José de Castro a Companhia Somos Dois, com a qual faz uma longa digressão por Angola e Moçambique. Em 1971 volta ao palco do Teatro da Trindade (Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro), ao lado de João Perry, para fazer "O Duelo", de Bernardo Santareno. No mesmo ano integra uma nova formação artística no Teatro São Luiz, em Lisboa, onde interpreta José Régio. Com a proibição pela censura, a poucas horas da estreia, de "A Mãe", de Stanislaw Wiktiewicz, em que era a protagonista, o diretor da companhia, Luiz Francisco Rebello, demite-se e cessa a atividade do grupo.

Eunice dedica-se, então, à divulgação de poetas, quer em disco, quer em recitais, dando voz a Florbela Espanca, António Nobre ou António Maria Lisboa. Regressa ao teatro, desta vez no Teatro Experimental de Cascais (TEC), para interpretar "As Criadas", de Jean Genet. Faz uma longa digressão por África na companhia de Carlos Avilez, com peças como "Fedra", de Jean Racine, ou "A Maluquinha de Arroios", de André Brun.

Integrada na companhia residente do reaberto TNDMII, Eunice volta aos palcos portugueses apenas em 1978, onde protagonizará peças que foram enorme êxito de dramaturgos como Donald Coburn, John Murray, Bertolt Brecht, Hermann Broch, Athol Fuggard ou Eurípedes, entre outros, trabalhando com encenadores como João Perry, João Lourenço ou Filipe La Féria, de quem protagonizou o mega sucesso "Passa por mim no Rossio" (1992).

"A Maçon", peça escrita pela romancista Lídia Jorge propositadamente para si, foi à cena em 1997 no palco do TNDMII e em 2001 "A Casa do Lago", de Ernest Thompsson, encenada por Filipe la Féria, estreia no Teatro Politeama. Em 2006, representa pela primeira vez na casa a que deu nome, o Auditório Municipal Eunice Muñoz, em Oeiras, com a peça "Miss Daisy", encenada por Celso Cleto.

Em 2007, no Teatro Maria Matos, coprotagoniza com Diogo Infante a peça "A Dúvida", de John Patrick Shanley. Em 2009, volta ao D. Maria II com o monólogo "O Ano do Pensamento Mágico", de Joan Didion, sob encenação de Diogo Infante.

Queda, tumor e cirurgia adiaram regresso ao palco

Em maio de 2012, a atriz de 83 anos sofreu uma queda no Teatro Nacional D. Maria II, durante os ensaios de reposição da peça de Tennessee Williams "O Comboio da Madrugada", e partiu os dois pulsos e lesionou a cervical, sendo a estreia cancelada. Correram nesta altura rumores da sua morte: "uma tontice!" reagiu.

Em abril de 2013, aos 85 anos, foi submetida a uma operação para remoção de um tumor na tiroide. Depois disso, fez tratamentos de quimioterapia. Em julho de 2016, com 88 anos, quando se preparava para voltar aos palcos pela mão de Filipe la Féria, com a peça "As árvores Morrem de pé", a atriz viu-se confrontada com um novo problema de saúde, do foro cardíaco, tendo sido submetida a uma cirurgia para substituir uma válvula.

O seu regresso aos palcos, após uma ausência de quatro anos, estava previsto para outubro de 2016, pela mão de Filipe La Féria, mantendo-se como uma das protagonistas (a outra é Manuela Maria) de "As árvores morrem de pé", de Alejandro Casona. Uma vez mais foi traída pela doença. Poucos dias antes da estreia da peça, admitiu que não sabia ainda quando subiria ao palco do Politeama e afirmou que esperava fazê-lo "dentro de pouco tempo". Voltou ao palco do D. Maria, a 28 de novembro, mas para uma conversa conduzida por Diogo Infante.

Regressou em abril do ano passado ao Auditório Eunice Muñoz, em Oeiras, para estrear "A margem do tempo", com a neta, Lídia Muñoz, produção que levou a diferentes palcos do país, numa digressão que culminou no Teatro D. Maria II, em Lisboa, no passado dia 28 de novembro, o mesmo palco, onde exatamente 80 anos antes fizera a sua estreia.

Na altura, chegava às salas de cinema o documentário "Eunice, ou cartas a uma jovem atriz", de Tiago Durão.

Carreira no cinema e na televisão

Os anos 80 e 90 solidificaram o legado de Eunice Muñoz a partir das plataformas cinematográfica e televisiva, participando em filmes e telenovelas. "Manhã Submersa" (1980), do cineasta Lauro António, e "Tempos Difíceis" (1987), do realizador João Botelho, são disso exemplos.

Resistindo, inicialmente, a trabalhar em televisão, fazendo novelas, em 1993 decidiu aceitar o desafio de Walter Avancini e protagonizar para a RTP a telenovela "A Banqueira do Povo", interpretando Dona Benta, uma personagem baseada na figura de Dona Branca, uma burlona condenada durante os anos 80 por fraude e corrupção.

Seis anos depois protagonizou, ao lado de Ruy de Carvalho, a telenovela "Todo o tempo do Mundo" (1999), exibida na TVI. Continuou a trabalhar frequentemente em televisão, tendo feito uma pequena aparição na novela brasileira "Porto dos Milagres" (2001) e nas telenovelas nacionais "Coração Malandro" (2003), "Olhos nos olhos" (2008), "Mar de Paixão", (2010), "Destinos cruzados" (2013). Em setembro de 2016 integrou o elenco da novela da TVI "A impostora", onde interpretava Pureza, uma personagem ligada ao núcleo cómico.

A estreia no cinema aconteceu em 1946, em "Camões", de Leitão de Barros, que lhe valeu o prémio de melhor atriz do ano. Foi protagonista no filme "A Morgadinha dos Canaviais", de Caetano Bonucci e Amadeu Ferrari (1949), adaptado do romance homónimo de Júlio Dinis. Participou ainda em "Ribatejo", filme de Henrique Campos. Tem interpretações antológicas em "Manhã Submersa", de Lauro António (1980) e "Tempos Difíceis", de João Botelho (1987).

quinta-feira, 14 de abril de 2022

A AMEAÇA RUSSA COM ARMAS NUCLEARES E A "MORTE POR TODA A PARTE" EM MARIUPOL


Ao 50.º dia de conflito, um ataque ao símbolo do poderio naval russo. As forças ucranianas atingiram com mísseis o navio Moskva, que lidera a frota da Rússia no mar Negro. O Kremlin voltou a falar em armas nucleares, prometendo "medidas" caso a Suécia e a Finlândia adiram à NATO. Entretanto, a Rússia acusou Kiev de ter atacado duas aldeias russas perto da fronteira, notícia que as autoridades ucranianas negaram.

As forças ucranianas atingiram com mísseis Neptuno o cruzador de mísseis russo Moskva, que lidera a frota da Rússia no mar Negro, causando "danos graves". Notícia confirmada, entretanto, pelo Ministério da Defesa russo. Saiba mais sobre este símbolo do poderio naval russo.

A Federação Russa anunciou que 398 congressistas americanos vão ser proibidos de entrar no seu território, em resposta a uma medida similar tomada pelos EUA para punir a invasão russa da Ucrânia.

A autarquia de Mariupol afirmou esta quinta-feira temer que, nos próximos dias, o número de mortos na cidade portuária chegue a 35 mil. "Devido à intensidade dos bombardeamentos, as pessoas não podem sequer sair para enterrar os entes queridos. Os serviços municipais não funcionam, o cemitério está localizado num território controlado pelo exército russo. A morte está em toda a parte, é visível", frisou o assessor do autarca da cidade, Petro Andryushchenko.

De acordo com o gabinete do procurador-geral da Ucrânia, 197 crianças morreram e 351 ficaram feridas desde o início da guerra.

O Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou que cerca de 300 pessoas foram mantidas reféns durante quatro semanas na cave de uma escola perto de Chernihiv, no norte da Ucrânia.

​​​O vice-presidente do Conselho de Segurança e ex-presidente russo, Dmitri Medvedev, ameaçou hoje com o destacamento de armas nucleares no Báltico se a Suécia e a Finlândia aderirem à NATO.

O presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, pediu aos habitantes que deixaram a cidade depois dos bombardeamentos russos que se mantenham afastados, já que a capital ucraniana não está totalmente segura.

A vice-primeira-ministra da Ucrânia, Iryna Vereshchuk, revelou esta quinta-feira que 30 prisioneiros de guerra ucranianos estão já em segurança na sequência de uma troca com a Rússia. Segundo revelou, em comunicado, cinco oficiais, 17 militares e oito civis foram libertados.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que para haver um encontro entre Putin e Zelensky é necessário um acordo escrito pronto a ser assinado. O responsável garantiu ainda que o chefe de Estado russo nunca recusou a tão aguardada reunião.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acusou a União Europeia (UE) de desestabilizar o mercado da energia e provocar aumentos de preços com o debate sobre um embargo ao petróleo e gás russo, quando não tem fornecedor alternativo.

A Rússia acusou hoje a Ucrânia de bombardear duas aldeias fronteiriças russas, uma das quais com helicópteros, provocando sete feridos, incluindo um bebé. Kiev negou o ataque, garantindo que as forças de Putin atacam o próprio território para gerar "histeria anti-ucraniana" no país.

Mais de 4,7 milhões de ucranianos fugiram do país desde o início da invasão pela Rússia, há 50 dias, anunciou o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR).

Um dia depois de o primeiro-ministro da Finlândia ter confirmado que uma decisão sobre a adesão à NATO será tomada "dentro de semanas", o ministro das Relações Exteriores disse à CNN que esperava uma reação da Rússia e que o país está "preparado para diferentes tipos de ameaças".

LADRÕES FICAM PRESOS EM TÚNEL QUE ESCAVARAM PARA ASSALTAR BANCO EM ROMA

Um grupo de ladrões escavou um túnel de seis metros a partir de uma loja com a presumível intenção de assaltar um banco, em Roma, mas o plan...